{"id":19327,"date":"2012-02-29T17:00:00","date_gmt":"2012-02-29T17:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19327"},"modified":"2012-02-29T17:00:00","modified_gmt":"2012-02-29T17:00:00","slug":"e-um-erro-dar-por-adquirido-que-as-pessoas-tem-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-um-erro-dar-por-adquirido-que-as-pessoas-tem-fe\/","title":{"rendered":"&#8220;\u00c9 um erro dar por adquirido que as pessoas t\u00eam f\u00e9&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O que diz&#8230; <!--more--> Jo\u00e3o Seabra, padre diocesano de Lisboa, ligado ao movimento Comunh\u00e3o e Liberta\u00e7\u00e3o, esteve no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, na noite de 14 de fevereiro, para falar de pastoral universit\u00e1ria e, mais do que isso, da f\u00e9 no tempo presente. O c\u00f3nego da s\u00e9 patriarcal de Lisboa associou-se aos 25 anos do CUFC (25 de Mar\u00e7o, 1987-2012), centro a que \u201cmodestamente, \u00e0 dist\u00e2ncia\u201d, se considera ligado. \u201cQuase sempre, quando venho a Aveiro, \u00e9 este o meu destino\u201d, disse. O encontro foi moderado por D. Ant\u00f3nio Marcelino. Ontem \u00e0 noite, no mesmo ciclo de confer\u00eancias, o CUFC acolheu o P.e Gon\u00e7alo Castro (CUMN &#8211; Coimbra). Ideias principais do P.e Jo\u00e3o Seabra recolhidas por Jorge Pires Ferreira.<\/p>\n<p>Grande quest\u00e3o de hoje<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o de hoje \u00e9: Como anunciar a f\u00e9, como torn\u00e1-la hoje viva, nas minhas circunst\u00e2ncias, como dizer hoje, com verosimilhan\u00e7a, as palavras de Jesus Cristo? A pretens\u00e3o de Cristo, Filho de Deus, sustenta-se? A pergunta de Dostoievsky (escritor russo, 1821-1881) tem plena atualidade: Um homem culto, um europeu dos nossos dias, pode acreditar, acreditar mesmo, na divindade do filho de Deus, Jesus Cristo?<\/p>\n<p>Cansa\u00e7o da f\u00e9<\/p>\n<p>Vivemos o cansa\u00e7o da f\u00e9, a \u201classid\u00e3o da f\u00e9\u201d, como disse Bento XVI, o \u201cfartum\u201d, em compara\u00e7\u00e3o com \u00c1frica, onde n\u00e3o h\u00e1 t\u00e9dio em ser crist\u00e3o. N\u00f3s at\u00e9 vamos \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es, cumprimos os nossos deveres, mas no fundo, achamos que \u201celes [os n\u00e3o crentes] divertem-se mais do que n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>Cinco li\u00e7\u00f5es da JMJ<\/p>\n<p>Bento XVI (no encontro com a C\u00faria Romana, no Natal de 2011) recordou que h\u00e1 um modo novo e rejuvenescido de ser crist\u00e3o, patente nas Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ). Dessa experi\u00eancia o Papa tirou cinco li\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>1.\u00aa Na diversidade de manifesta\u00e7\u00f5es experimentou-se a universalidade da Igreja. Igreja una na diversidade e universal na unidade. Ora, n\u00f3s pensamos a Igreja ainda de modo muito particularista.<\/p>\n<p>2.\u00aa Emo\u00e7\u00e3o do encontro com volunt\u00e1rios. No voluntariado aprende-se a educar no esp\u00edrito de servi\u00e7o. Aprende-se a conhecer Cristo n\u00e3o ideologicamente.<\/p>\n<p>3.\u00aa Adora\u00e7\u00e3o. Foi introduzida pelo Papa nas JMJ. Na noite de temporal, em Madrid, o Papa preferiu omitir o seu discurso e ajoelhar-se perante o Sant\u00edssimo. Estabeleceu um novo crit\u00e9rio com que todos nos devemos confrontar: o mais importante da Igreja n\u00e3o \u00e9 o discurso, mas a adora\u00e7\u00e3o. Preferiu p\u00f4r dois milh\u00f5es de jovens em sil\u00eancio a fazer o discurso que tinha preparado. A presen\u00e7a de Cristo \u00e9 o centro da Igreja.<\/p>\n<p>4.\u00aa Destacou a import\u00e2ncia da penit\u00eancia, que j\u00e1 vinha das jornadas anteriores. Confessar os pecados \u00e9 uma coisa natural, faz parte da vida. Tem de fazer parte da proposta normal da vida crist\u00e3.<\/p>\n<p>5.\u00aa A alegria, que deriva da f\u00e9. \u201cEu sou desejado; tenho uma miss\u00e3o na hist\u00f3ria; sou aceite, sou amado\u201d, diz Bento XVI.<\/p>\n<p>Estas cinco li\u00e7\u00f5es valem tamb\u00e9m a pastoral universit\u00e1ria. <\/p>\n<p>A f\u00e9, primeiro<\/p>\n<p>O ponto central da pastoral universit\u00e1ria, como de qualquer pastoral, \u00e9 a f\u00e9. Geralmente, a a\u00e7\u00e3o da Igreja anda centrada nas consequ\u00eancias da f\u00e9. \u00c9 um erro dar por adquirido que as pessoas t\u00eam f\u00e9. A f\u00e9 como pressuposto. Isso gera uma \u201cpastoral predicativa\u201d, superficial, que pode apelar ao compromisso social, mas n\u00e3o d\u00e1 para ser igreja. Propor a f\u00e9, educar a f\u00e9, cultivar a f\u00e9, aprofundar a f\u00e9, isto \u00e9 que \u00e9 o n\u00facleo essencial da a\u00e7\u00e3o da Igreja. D\u00e1-se a f\u00e9 como pressuposto e depois come\u00e7a-se a pastoral pelo segundo cap\u00edtulo. Isto faz com que n\u00e3o se ensine nada na catequese das crian\u00e7as e jovens. Chegam ao fim do percurso sem nada.<\/p>\n<p>Pastoral universit\u00e1ria<\/p>\n<p>Na pastoral universit\u00e1ria de Lisboa h\u00e1 pelo menos seis organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas no terreno: Schoenstatt, Capelania da Universidade Cat\u00f3lica, Equipas Jovens de Nossa Senhora, Comunh\u00e3o e Liberta\u00e7\u00e3o, Jesu\u00edtas, Pastoral Diocesana (Ceuc). Atuam em fraternidade, certamente, mas n\u00e3o em coordena\u00e7\u00e3o. No Natal acontece um grande concerto, mas \u00e9 por iniciativa dos pr\u00f3prios jovens.<\/p>\n<p>H\u00e1 vida cat\u00f3lica nas universidades portuguesas. O deserto alarga-se, mas para viver no deserto \u00e9 preciso ter consci\u00eancia do deserto, e identificar o que n\u00e3o \u00e9 deserto e apegar-se a isso. H\u00e1 focos de entusiasmo, de amor a Cristo. N\u00e3o tenho saudades dos tempos antigos.<\/p>\n<p>Toler\u00e2ncia<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os devem ser tolerantes, porque isso n\u00e3o significa uma f\u00e9 d\u00e9bil. H\u00e1 uma toler\u00e2ncia que n\u00e3o nasce da descren\u00e7a, mas da caridade. O ecumenismo n\u00e3o nasce da descren\u00e7a. Nasce do amor pela verdade. Se h\u00e1 uma pepita de ouro no outro [confiss\u00f5es crist\u00e3s, religi\u00f5es, correntes\u2026], suporta-se toda a lama por causa dessa pepita.<\/p>\n<p>\u201cQuero ter f\u00e9\u201d<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m me diz que quer ter f\u00e9, mas n\u00e3o consegue, s\u00f3 lhe ligo para rezar a ora\u00e7\u00e3o dos ateus: \u201cMeu Deus, se existes, faz-me acreditar em ti\u201d. Esta \u00e9 a atitude coerente. Se algu\u00e9m me diz que gostava de ter f\u00e9, mas n\u00e3o tem, eu digo-lhe: \u201cN\u00e3o tens f\u00e9? Vive como se tivesses. Deus ta dar\u00e1. Faz tudo \u00abetsi Deus daretur\u00bb, \u00abcomo se Deus existisse\u00bb, \u00e0 maneira da aposta de Pascal. E ela surgir\u00e1\u201d. Falta a lhaneza de dizer isto com clareza \u00e0s pessoas que procuram a f\u00e9.<\/p>\n<p>Encontro<\/p>\n<p>O cristianismo \u00e9 um acontecimento. \u00c9 o encontro com Cristo vivo. \u00c9 isso que d\u00e1 realidade \u00e0 Igreja. Os ap\u00f3stolos encontraram-se com Jesus, mas n\u00e3o foram para casa fazer um alto racioc\u00ednio teol\u00f3gico e filos\u00f3fico para a seguir chegarem a conclus\u00e3o de que deviam anunciar Jesus. Faz parte do encontro dizer: encontrei-me com Jesus.<\/p>\n<p>Como ser <\/p>\n<p>professor cat\u00f3lico<\/p>\n<p>O professor cat\u00f3lico \u00e9 mission\u00e1rio fazendo bem o que tem de fazer, dando boas aulas da mat\u00e9ria de que \u00e9 professor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que diz&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-19327","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19327"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19327\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}