{"id":1937,"date":"2010-06-30T15:31:00","date_gmt":"2010-06-30T15:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1937"},"modified":"2010-06-30T15:31:00","modified_gmt":"2010-06-30T15:31:00","slug":"paz-a-esta-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/paz-a-esta-casa\/","title":{"rendered":"&#8220;Paz a esta casa!&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> DOMINGO XIV do tempo comum &#8211; Ano C<\/p>\n<p>Ainda se pode ouvir esta sauda\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 nas \u00faltimas dezenas de anos passou a ser olhada como anacr\u00f3nica. Ser\u00e1 que j\u00e1 perdemos a esperan\u00e7a da paz? Ser\u00e1 assim t\u00e3o ing\u00e9nuo ou \u201cantiquado\u201d \u00abacreditar na esperan\u00e7a contra toda a esperan\u00e7a\u00bb, como dizia S. Paulo? E ser\u00e1 t\u00e3o abomin\u00e1vel ser assim ing\u00e9nuo ou antiquado?<\/p>\n<p>A milenar origem crist\u00e3 desta sauda\u00e7\u00e3o talvez tenha come\u00e7ado a cheirar a clericalismo, a beatice e sobretudo a hipocrisia. Mas alguma vez pensamos no que pode significar encontrar algu\u00e9m pela manh\u00e3 e desejar-lhe \u00abbom dia\u00bb? N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 desejar (se \u00e9 que desejamos) que ele tenha um bom dia: \u00e9 desejar sinceramente ajud\u00e1-lo a ter um bom dia. <\/p>\n<p>A demasiada repeti\u00e7\u00e3o torna as palavras vazias e sem interesse para quem as diz e para quem as ouve. N\u00e3o estamos n\u00f3s fartos de ouvir certos pol\u00edticos e manifestantes falar de paz? Porque muitas vezes dizem ou s\u00f3 querem dizer uma palavra vazia, para n\u00e3o terem que se comprometer num r\u00e1pido e eficiente plano de paz. E quantas vezes n\u00e3o pretendem mesmo inverter o c\u00e9lebre aforismo romano, falando de paz para melhor prepararem a guerra ao servi\u00e7o de interesses particulares?<\/p>\n<p>N\u00f3s sabemos distinguir entre o \u00abPaz a esta casa!\u00bb que \u00e9 dito por convic\u00e7\u00e3o e o que \u00e9 dito mecanicamente. A convic\u00e7\u00e3o aut\u00eantica s\u00f3 existe quando se medita sobre o assunto, e ent\u00e3o as nossas palavras s\u00e3o fortes, s\u00e3o \u00abgr\u00e1vidas\u00bb, como escrevia o pensador brasileiro Paulo Freire. <\/p>\n<p>O evangelho de hoje mostra bem como os 72 disc\u00edpulos se admiraram da for\u00e7a dessas palavras t\u00e3o simples: \u00abPaz a esta casa!\u00bb <\/p>\n<p>Como \u00e9 frequente na B\u00edblia, \u00ab72\u00bb \u00e9 um n\u00famero simb\u00f3lico, chamando a aten\u00e7\u00e3o para que o an\u00fancio do reino n\u00e3o se limita ao pequeno grupo dos ap\u00f3stolos: todos o devemos propagar na nossa rela\u00e7\u00e3o com os outros.<\/p>\n<p>A 1\u00aa leitura \u00e9 um grande grito de esperan\u00e7a na paz duradoira para sempre, como Jesus quer que a vamos construindo at\u00e9 que se realize plenamente o \u00abreino de Deus\u00bb. Uma paz cheia da afectividade e carinho, que envolvem o ber\u00e7o do amor. Uma paz como n\u00f3s a podemos viver entre amigos, entre a fam\u00edlia, entre o grupo em que nos inserimos. Um ambiente em que a dor das pr\u00f3prias l\u00e1grimas pode ir adquirindo, suavemente, as tonalidades da alegria \u2013 escondida no passado, esperada para o futuro\u2026<\/p>\n<p>A leitura de S. Paulo, totalmente fora do seu contexto, como infelizmente \u00e9 frequente na liturgia, pouco nos diz e muito confusa pode aparecer. S. Paulo preocupava-se imenso com marcar a novidade do cristianismo: a paz e felicidade n\u00e3o dependem de rituais, cuja repeti\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica os pode esvaziar de sentido, como acontece com a nossa rotineira moda de baptismos e casamentos sem o compromisso de mais um passo comunit\u00e1rio para a paz. Que valor tem a circuncis\u00e3o e outros costumes judaicos \u2013 quando o que interessa \u00e9 mostrar no modo de viver os sinais de que se optou pelo projecto de Cristo? No domingo passado, saltava aos olhos como estes sinais tamb\u00e9m fazem doer&#8230;<\/p>\n<p>Neste domingo, o aspecto doloroso da nossa dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 paz \u00e9 recoberto pelo carinho e bem-estar que acompanham os nossos passos. Como se passou com os disc\u00edpulos enviados por Cristo, chegaremos ao fim da miss\u00e3o \u00abcheios de alegria\u00bb, mesmo que o nosso sucesso mal seja vis\u00edvel, pois nos sentiremos admitidos como bons \u00abtrabalhadores\u00bb do reino de Deus.   <\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-1937","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1937","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1937"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1937\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}