{"id":19394,"date":"2011-02-02T12:27:00","date_gmt":"2011-02-02T12:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19394"},"modified":"2011-02-02T12:27:00","modified_gmt":"2011-02-02T12:27:00","slug":"joaquim-duarte-historiador-da-aviacao-naval-em-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/joaquim-duarte-historiador-da-aviacao-naval-em-aveiro\/","title":{"rendered":"Joaquim Duarte, historiador da Avia\u00e7\u00e3o Naval em Aveiro"},"content":{"rendered":"<p>Aveirenses Esquecidos <!--more--> Joaquim Duarte (1923-1996) foi militar, fomentador da actividade desportiva, jornalista em Aveiro e Angola e historiador da Avia\u00e7\u00e3o Naval.<\/p>\n<p>Com os livros \u201cHidro-avi\u00f5es nos c\u00e9us de Aveiro\u201d e \u201cA m\u00edstica de Aveiro na Avia\u00e7\u00e3o Naval\u201d, Joaquim Nunes Duarte deixou um valios\u00edssimo contributo para a hist\u00f3ria da Avia\u00e7\u00e3o Naval em terras aveirenses, muito em especial em S. Jacinto. Para al\u00e9m dessa faceta de divulgador, Joaquim Duarte foi militar, atingindo a patente de capit\u00e3o, jornalista (da escrita e da r\u00e1dio), desportista (em diversas modalidades) e dirigente associativo.<\/p>\n<p>Joaquim Nunes Duarte nasceu em Coimbr\u00f5es (concelho de Vila Nova de Gaia), no ano de 1923, e faleceu em Aveiro, h\u00e1 15 anos (1996), estando sepultado no cemit\u00e9rio central desta cidade.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Filipe Duarte, filho de Joaquim Nunes Duarte, sublinha que o seu pai descende de fam\u00edlias humildes de Vila Nova de Gaia. \u201cFoi matriculado no curso industrial da Escola Infante D. Henrique, no Porto, at\u00e9 ter idade para trabalhar (que nessa altura andaria pelos 15 anos), dando lugar na escola ao irm\u00e3o mais novo, como era costume naquele tempo. Por \u00abfavor\u00bb dos seus chefes directos, continuou os estudos \u00e0 noite, concluindo o curso industrial, que aliou ao excepcional desempenho como andebolista ao servi\u00e7o do clube da empresa, o Grupo Desportivo dos Ferrovi\u00e1rios de Campanh\u00e3, para onde entrou em 1939, com 16 anos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFoi no duro trabalho das oficinas da CP, onde entrou como mo\u00e7o de fretes e se manteve como aprendiz de mestres que nada queriam ensinar\u201d, e \u201cfarto de uma vida sem perspectivas algumas de se afirmar\u201d que \u201co mi\u00fado Joaquim Nunes Duarte um dia se abalan\u00e7ou a responder ao an\u00fancio que pedia volunt\u00e1rios para a Avia\u00e7\u00e3o Naval. M\u00e3e extremosa comp\u00f4s-lhe um pequeno farnel, e ei-lo que abala at\u00e9 Lisboa para prestar provas\u201d, recorda Lu\u00eds Filipe Duarte, que evoca o regresso do pai \u201c\u00e0s sujas e l\u00fagubres oficinas da CP nas Devesas\u201d, onde \u201carrostou com o gozo dos que, sem forma\u00e7\u00e3o alguma, achavam que ele estava a querer ir al\u00e9m da chinela, ao mesmo tempo que n\u00e3o entendiam como algu\u00e9m poderia desdenhar \u00abum emprego t\u00e3o bom na CP\u00bb\u2026 Entre estes, o pr\u00f3prio chefe das oficinas, que no fim acabaria por lhe dar um louvor\u201d. Mas, dois meses depois veio \u201ca ordem de marcha, e ei-lo que assenta pra\u00e7a em S. Jacinto\u201d. A fam\u00edlia (esposa e filha) instala-se em Esgueira.<\/p>\n<p>Militar em Angola<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1960, Joaquim Duarte foi destacado para Angola (Luanda), onde cumpriu servi\u00e7o na BA 9 e no BCP 21. <\/p>\n<p>Como militar, foi mec\u00e2nico distinto, tendo ido aos Estados Unidos para aperfei\u00e7oamento e especializa\u00e7\u00e3o. Um acidente em Monte Real, num Junker 52, f\u00ea-lo \u201cperder a especialidade\u201d, passando para o Servi\u00e7o Geral, como era regra na altura.<\/p>\n<p>Dos louvores recebidos por Joaquim Duarte, o filho destaca um, n\u00e3o \u00ablavrado\u00bb, que \u201clhe foi transmitido oralmente por elemento da cadeia de comando, sensibilizado por ter deixado a vaga para o curso de oficial superior a um companheiro de armas que na altura padecia de doen\u00e7a pulmonar\u201d, pelo que se ficou pela patente de capit\u00e3o, desistindo \u201cda vaga que lhe cabia a favor de um companheiro mais necessitado, tamb\u00e9m oriundo da Avia\u00e7\u00e3o Naval\u201d.<\/p>\n<p>Joaquim Duarte dinamizou e geriu a constru\u00e7\u00e3o de um parque de campismo num terreno que a Base j\u00e1 n\u00e3o utilizava, e que hoje \u00e9 um dos mais valiosos patrim\u00f3nios da frequesia de S. Jacinto.<\/p>\n<p>Para Lu\u00eds Filipe Duarte, \u00e9 relevante que do seu pai nunca \u201chouve soldado que dele um dia se queixasse de despotismo ou de abuso de poder. Pelo contr\u00e1rio, era ele a quem mais os pra\u00e7as recorriam na hora de obter uma dispensa de pernoita ou um passaporte de um par de dias para uns biscates l\u00e1 fora, que ajudassem ao sustento do lar\u201d.<\/p>\n<p>Jornalista e colaborador<\/p>\n<p>da R\u00e1dio Eccl\u00e9sia de Angola<\/p>\n<p>A par da actividade desportiva, Joaquim Duarte iniciou uma longa colabora\u00e7\u00e3o com a imprensa, primeiro, no extinto seman\u00e1rio aveirense \u201cLitoral\u201d, depois no \u201cNorte Desportivo\u201d, \u201cpara ali levado pela m\u00e3o amiga do tamb\u00e9m saudoso, e ilustre entre os ilustres, Jo\u00e3o Sarabando\u201d, sublinha Lu\u00eds Filipe Duarte.<\/p>\n<p>Em Angola, a par da carreira militar, Joaquim Duarte \u201cfoi incumbido de dinamizar a sec\u00e7\u00e3o desportiva da R\u00e1dio Ecclesia, Emissora Cat\u00f3lica de Angola, pelo seu director, o bom padre Jos\u00e9 Maria de Almeida\u201d, recorda Lu\u00eds Filipe Duarte, que prossegue, dizendo que foi \u201cuma colabora\u00e7\u00e3o de tal maneira gratificante para ambas as partes que o Joaquim Duarte, ro\u00eddo pelas saudades, n\u00e3o descansou enquanto n\u00e3o voltou a Luanda, tendo chegado, entre 1963 e 1973, a cumprir tr\u00eas comiss\u00f5es de servi\u00e7o. Mais n\u00e3o era poss\u00edvel, face aos regulamentos militares\u201d.<\/p>\n<p>De regresso a Aveiro, Joaquim Duarte reassumiu as lides no desporto e nos jornais. Primeiro na delega\u00e7\u00e3o de \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d, depois numa breve passagem pela R\u00e1dio Independente de Aveiro e pelo seman\u00e1rio \u201cO Aveiro\u201d, como colunista. <\/p>\n<p>Como dirigente desportivo, Joaquim Duarte \u201cesteve na organiza\u00e7\u00e3o de pr\u00e9mios de ciclismo de prest\u00edgio ib\u00e9rico, o que aconteceu por 12 anos consecutivos, e que ficou a marcar o momento mais alto e mais prolongado, no tempo, da Associa\u00e7\u00e3o de Ciclismo de Aveiro\u201d. Nas suas passagens pela Associa\u00e7\u00e3o de Atletismo de Aveiro, pugnou pela constru\u00e7\u00e3o de uma pista permanente de tartan que servisse os atletas de todo o distrito. Passou ainda pela Associa\u00e7\u00e3o Distrital de \u00c1rbitros de Basquetebol e pelo Sporting de Aveiro.<\/p>\n<p>Historiador <\/p>\n<p>da Avia\u00e7\u00e3o Naval<\/p>\n<p>Quando passou \u00e0 reserva, Joaquim Duarte \u201cchamou a si a tarefa de escrever a hist\u00f3ria dos gloriosos dias da Avia\u00e7\u00e3o Naval\u201d e a dinamiza\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o dos Antigos Elementos da Avia\u00e7\u00e3o Naval, tendo organizado, durante v\u00e1rios anos, o almo\u00e7o de romaria e homenagem aos pioneiros, conseguindo tamb\u00e9m \u201ccongregar vontades que tornaram poss\u00edvel erigir o monumento \u00e0 Avia\u00e7\u00e3o Naval, em Aveiro, e sensibilizar os edis aveirenses para a justa homenagem, em forma de nome de rua, \u00e0 sua querida Avia\u00e7\u00e3o Naval\u201d, relata Lu\u00eds Filipe Duarte, que acrescenta, contudo, que \u201ca nobreza de car\u00e1cter do Joaquim Duarte foi o maior legado que ele nos podia deixar\u201d.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>Praticante de v\u00e1rias modalidades desportivas<\/p>\n<p>No andebol, para al\u00e9m de \u201cex\u00edmio praticante\u201d, Joaquim Duarte foi tamb\u00e9m introdutor da modalidade em Aveiro, com uma equipa do Beira-Mar. No entanto, como real\u00e7a o filho, j\u00e1 nessa altura \u201co andebol era apenas um seu \u00absegundo amor\u00bb na \u00e1rea desportiva, pois o futebol j\u00e1 lhe fervia no sangue, tendo come\u00e7ado a conquistar os primeiros louros em representa\u00e7\u00e3o do Sporting Clube de Coimbr\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Com a sua chegada a Aveiro, rapidamente Joaquim Duarte \u00e9 contratado pelo Beira-Mar, \u201cclube a que ficaria afectivamente ligado para sempre, e ao servi\u00e7o do qual chegou a sagrar-se o melhor marcador de futebol da segunda divis\u00e3o\u201d. <\/p>\n<p>Mas o andebol continuava na mente de Joaquim Duarte, que n\u00e3o descansou at\u00e9 criar a sec\u00e7\u00e3o de andebol do Beira Mar. Para tal, e como relata o seu filho, \u201carregimentou um punhado de militares em S. Jacinto, convenceu o famoso guarda-redes de futebol Violas a assumir tamb\u00e9m a baliza pequena, e eis que o Beira-Mar iniciava a pr\u00e1tica do andebol na cidade dos canais. De sete e de onze, pois claro, como antigamente era pr\u00e1tica!\u201d<\/p>\n<p>O filho de Joaquim Duarte revela que \u201co bichinho e o jeito inato levam-no a abra\u00e7ar tamb\u00e9m o basquetebol, primeiro como jogador e depois como treinador, no Sangalhos Desporto Clube. A ele, ficou o clube da Bairrada a dever a constru\u00e7\u00e3o do pavilh\u00e3o, ao lado da velha pista, uma obra que na altura ascendeu a 400 contos e que ombreava com o que de melhor existia na \u00e9poca\u201d.<\/p>\n<p>Em Luanda, a par do trabalho desenvolvido na esfera militar, desenvolveu \u201co complet\u00edssimo parque desportivo do BCP 21, feito com a \u201cprata da casa\u201d, como ainda hoje acontecer\u00e1 nos quart\u00e9is. Mas o que ali ficou, em Belas, orgulharia qualquer unidade de engenharia que se dedicasse \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de equipamentos desportivos, at\u00e9 de sala de muscula\u00e7\u00e3o e quadra de boxe e judo dispunha\u201d, real\u00e7a Lu\u00eds Filipe Duarte, adiantando que foi do pai a \u201ciniciativa de levar a Angola, para uma memor\u00e1vel volta ao territ\u00f3rio, a equipa de ciclismo profissional do Sangalhos, onde pontuavam entre outros Joaquim Andrade, que viria a vencer uma volta a Portugal, Celestino de Oliveira, um dos melhores trepadores de sempre, e M\u00e1rio Silva, que chegou a representar o F.C. do Porto\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirenses Esquecidos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-19394","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19394","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19394"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19394\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19394"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19394"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19394"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}