{"id":19437,"date":"2011-01-26T10:29:00","date_gmt":"2011-01-26T10:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19437"},"modified":"2011-01-26T10:29:00","modified_gmt":"2011-01-26T10:29:00","slug":"gestao-na-igreja-desafios-e-propostas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/gestao-na-igreja-desafios-e-propostas\/","title":{"rendered":"Gest\u00e3o na Igreja: desafios e propostas"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEstais no mundo, mas n\u00e3o sois do mundo\u201d (S. Paulo)<\/p>\n<p>Vivemos num tempo de convuls\u00e3o social. A Igreja sofre hoje na pele o facto de o Estado a ter usado e, agora que j\u00e1 n\u00e3o precisa, lhe cortar as bases. Refiro-me a muitos servi\u00e7os. O que tem mais mediatismo, hoje, \u00e9 o da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Escrevo este texto como crist\u00e3o e membro activo da minha Igreja. \u00c9 em autocr\u00edtica que escrevo.<\/p>\n<p>A par\u00e1bola dos talentos premeia o servo que bem gere e multiplica os talentos dados pelo Senhor. N\u00f3s temos andado a enterr\u00e1-los e a guard\u00e1-los com medo. Empatamos decis\u00f5es, adiamo-las, \u201cengonhamo-las\u201d- uma express\u00e3o nada boa de se escrever, mas muito boa de se dizer para o caso.<\/p>\n<p>N\u00f3s, Igreja, somos uns \u201cparolos\u201d. Oferecemos continuadamente a outra face, como idiotas. Temos condi\u00e7\u00f5es para tanto e n\u00e3o fazemos nada, para ser mais exacto: pouco mais que nada. Deus deu-nos tantos talentos e n\u00e3o fazemos nada deles.<\/p>\n<p>Vamos por pontos, de facto, por talentos:<\/p>\n<p>1. A Diocese (entre padres, institui\u00e7\u00f5es, par\u00f3quias, secretariados, semin\u00e1rio, c\u00faria, pa\u00e7o episcopal) \u00e9 dona de uma frota autom\u00f3vel imensa. Uma carteira destas qualquer marca de autom\u00f3veis, qualquer agente de seguros lutava para a ter. Seriamos clientes interessant\u00edssimos e conseguir\u00edamos pre\u00e7os com enormes vantagens. Mas assim\u2026<\/p>\n<p>Tenho informa\u00e7\u00e3o de que este assunto j\u00e1 foi lan\u00e7ado, mas ao que parece n\u00e3o deu em nada ainda. Os carros s\u00e3o apenas um exemplo entre tantos que poderia dar.<\/p>\n<p>2. A Diocese gere e fornece milhares de refei\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os sociais por dia nas suas in\u00fameras IPSS. H\u00e1 dois anos foi criada uma comiss\u00e3o que estudaria a possibilidade de uma central de compras \u2013 ficou escrito do plano diocesano da ac\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-caritativa.  Em que ponto est\u00e1 essa situa\u00e7\u00e3o? Aguardamos novidades sobre esta quest\u00e3o, sobre o que est\u00e1 a ser feito e porque n\u00e3o se faz mais.<\/p>\n<p>Independente dela, porque n\u00e3o faz a Diocese, atrav\u00e9s de leigos gestores e comprometidos uma central de compras e venda retalhista, que forne\u00e7a as institui\u00e7\u00f5es da Igreja com bons pre\u00e7os e que venda tamb\u00e9m ao mercado normal?<\/p>\n<p>3. Na educa\u00e7\u00e3o e no trabalho s\u00f3cio-caritativo, and\u00e1mos muitos anos a gerir mal os dinheiros que o Estado nos dava. Fomos tamb\u00e9m despesistas e maus gestores. A pr\u00f3pria coloca\u00e7\u00e3o de alguns dos professores nos col\u00e9gios cat\u00f3licos n\u00e3o foi transparente. Isso hoje, limita-nos imenso a autoridade moral que temos para reivindicar financiamento do Estado, do dinheiro que \u00e9 de todos n\u00f3s. N\u00e3o fomos respons\u00e1veis com os talentos que nos foram dados.<\/p>\n<p>O trabalho s\u00f3cio-caritativo \u00e9 t\u00e3o disperso, algumas institui\u00e7\u00f5es at\u00e9 se atropelam, e insistimos no assistencialismo dependente e n\u00e3o damos o passo seguinte para a capacita\u00e7\u00e3o e empoderamento dos pobres, para que eles o deixem de ser! Porqu\u00ea? Queremos manter os nossos empregos? \u00c9 esse o objectivo primeiro da nossa ac\u00e7\u00e3o caritativa, ou \u00e9 o outro, o pobre que tem de o deixar de ser? O que nos diz o Evangelho?<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos ser apologistas da esmola dos fi\u00e9is ou dos subs\u00eddios cont\u00ednuos do Estado. Isso \u00e9 uma ilus\u00e3o que uns anos depois ou antes, termina. Ou seja, os projectos t\u00eam de ser sustent\u00e1veis do ponto de vista financeiro, t\u00eam de ser geridos, nem numa l\u00f3gica despesista, nem lucrativa, mas sustent\u00e1vel para manuten\u00e7\u00e3o e, se poss\u00edvel, para crescimento!<\/p>\n<p>4. O Papa recentemente criou a Autoridade de Informa\u00e7\u00e3o Financeira (http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/cgi-bin\/noticia.pl?id=83530). E se houvesse igual transpar\u00eancia nas contas diocesanas e paroquiais? Sei por experi\u00eancia pr\u00f3pria que as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o geridas com boa vontade, quase sempre sem tempo. Por que n\u00e3o tirar tempo para lidar bem com as contas e apresent\u00e1-las de modo transparente? Tudo, desde o quanto se recebe do Estado para a maior IPSS da Diocese, at\u00e9 ao que o padre da par\u00f3quia da minha pequena aldeia de Santa Catarina cobra por baptismos ou funerais ou prociss\u00f5es. Quanto ganha em bruto um padre? Alguns muito\u2026 outros quase nada. \u00c9 injusto isso.<\/p>\n<p>Seguimos tanto o Papa nalgumas coisas, noutras, n\u00e3o \u00e9 connosco.  Os dinheiros do fundos diocesanos, como s\u00e3o geridos? Como s\u00e3o investidos? S\u00e3o-nos em ac\u00e7\u00f5es eticamente respons\u00e1veis? O certo \u00e9 que provavelmente s\u00e3o e confio plenamente que s\u00e3o, mas de facto que n\u00e3o sabemos! A transpar\u00eancia \u00e9 pedida, mas n\u00e3o \u00e9 dada.<\/p>\n<p>5. Porque n\u00e3o investimos em criar empresas fornecedoras da Diocese? Empresas que sejam exemplos morais correctos, \u00e0 luz do corporativismo crist\u00e3o proposto por Paulo VI que sugere nem capitalismo, nem comunismo, mas um sistema justo que distribua a riqueza pelos trabalhadores! Um sistema que estabelece uma empresa que distribui os lucros pelos seus trabalhadores, pelos que fizeram a empresa ter sucesso e n\u00e3o apenas por accionistas invis\u00edveis e especuladores (a grande causa da crise que vivemos e come\u00e7ou em 2008).<\/p>\n<p>6. O Correio do Vouga&#8230; o jornal conhecido como \u201co jornal de Aveiro\u201d por muitos anos. Desde h\u00e1 cerca de um ano, o triste desaparecimento do seman\u00e1rio \u201cO Aveiro\u201d, deixou um nicho aberto para o Correio do Vouga ser o \u00fanico seman\u00e1rio de Aveiro, podendo tornar-se um \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social abrangente, em larga escala, como a R\u00e1dio Renascen\u00e7a o \u00e9 a n\u00edvel nacional. O Correio do Vouga pode e deve-se tornar um \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social de refer\u00eancia, um jornal de investiga\u00e7\u00e3o, de reportagem, de not\u00edcias, continuando sempre a ser o que j\u00e1 \u00e9 hoje: o jornal da Diocese. Pode mesmo assim ser um exemplo de sucesso comercial, com receitas em publicidade e cumprindo a obriga\u00e7\u00e3o de informar, de ser refer\u00eancia. Porque n\u00e3o damos o salto?! Porque n\u00e3o colocamos a render os talentos que nos foram dados?!<\/p>\n<p>A gest\u00e3o em geral, e especialmente na Igreja, deve ser feita com compet\u00eancia, feitas por leigos profissionais nessa \u00e1rea, libertando os padres para a pastoral que \u00e9 a sua verdadeira miss\u00e3o. <\/p>\n<p>Urge recuperarmos autoridade moral; urge que sejamos exemplo em todas as frentes da sociedade para que assim sejamos farol. Evangelizar n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dizer como se tem de fazer. \u00c9 sobretudo, mostrar como se faz e isso \u00e9 centralidade na pastoral, e em redor dela, a sustentabilidade.<\/p>\n<p>\u201cA Deus o que \u00e9 de Deus, a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar\u201d. Para sermos farol, n\u00e3o temos de falar de luz. Temos de mostrar luz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEstais no mundo, mas n\u00e3o sois do mundo\u201d (S. Paulo) Vivemos num tempo de convuls\u00e3o social. 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