{"id":19438,"date":"2011-02-09T09:28:00","date_gmt":"2011-02-09T09:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19438"},"modified":"2011-02-09T09:28:00","modified_gmt":"2011-02-09T09:28:00","slug":"igreja-nao-pode-calar-a-sua-voz-profetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/igreja-nao-pode-calar-a-sua-voz-profetica\/","title":{"rendered":"&#8220;Igreja n\u00e3o pode calar a sua voz prof\u00e9tica&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O padre Miguel Ya\u00f1ez, professor de Teologia Moral na Universidade Pontif\u00edcia Gregoriana de Roma e na Universidade de Teologia de Salvador, na Argentina, veio a Portugal participar no F\u00f3rum de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica. Durante o encontro, realizado entre 28 e 30 de Janeiro, em F\u00e1tima, o religioso jesu\u00edta proferiu duas confer\u00eancias: \u00abA fractura social: pobreza e as op\u00e7\u00f5es da Igreja\u00bb e \u00abA fractura ideol\u00f3gica: a sexualidade no contexto da antropologia crist\u00e3\u00bb. Em entrevista, o professor de Teologia Moral afirma a import\u00e2ncia que a Igreja tem na educa\u00e7\u00e3o e o \u201cpapel prof\u00e9tico\u201d atrav\u00e9s dos seus ensinamentos e do testemunho dos crist\u00e3os. Entrevista conduzida por Lu\u00eds Santos, da Ag\u00eancia Ecclesia.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA \u2013 As duas confer\u00eancias que proferiu no F\u00f3rum EMRC focam duas fracturas, uma social e uma ideol\u00f3gica. Como \u00e9 que elas se manifestam?<\/p>\n<p>MIGUEL YA\u00d1EZ &#8211; Encontramos brechas numa sociedade pluralista, onde se destacam formas distintas de ver a pessoa humana e as suas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Encontramo-nos numa sociedade onde a globaliza\u00e7\u00e3o se imp\u00f5e e que \u00e9 uma conquista. Mas precisamos de distinguir entre estas conquistas, que s\u00e3o irrevers\u00edveis e representam uma grande oportunidade para toda a humanidade e para a Igreja, do que podemos chamar de uma certa ideologia que parece estar na base de auto poderes que actuam na sociedade e imp\u00f5em um certo modo de ver a vida, de ver a pessoa, e deixa um pouco a desejar, pelo menos do ponto de vista crist\u00e3 e humano.<\/p>\n<p>Crescemos muito no s\u00e9culo XX, no que \u00e0 tecnologia e ci\u00eancia diz respeito. Contudo, parece-me que a humanidade tem de dar um salto qualitativo sobre a moralidade pessoal e social.<\/p>\n<p>Que papel tem a Igreja no meio destas duas fracturas?<\/p>\n<p>Antes de mais tem um papel prof\u00e9tico com os seus ensinamentos e tamb\u00e9m com o testemunho dos crist\u00e3os. A Igreja n\u00e3o pode calar a sua voz mas, sobretudo atrav\u00e9s de todos os crist\u00e3os inseridos na sociedade, deve tornar presente um estilo de vida que me parece ser, naturalmente, contra-cultural.<\/p>\n<p>No meu entender, (a Igreja deve optar por) um estilo de vida marcado pela promo\u00e7\u00e3o da pessoa, diferente do individualismo reinante que tem sido estimulado e tem sido veiculado pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres \u00e9 indicada pelo magist\u00e9rio da Igreja. Como propor esta op\u00e7\u00e3o em \u00e2mbito escolar?<\/p>\n<p>A formula\u00e7\u00e3o da op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres \u00e9 nova mas a ideia subjacente \u00e9 sublinhada em toda a Escritura, em especial no Evangelho. Cont\u00e9m uma carga humanista e \u00e9tica, que fil\u00f3sofos e tamb\u00e9m pol\u00edticos incorporaram com outros termos.<\/p>\n<p>Se uma sociedade deseja realmente ser justa &#8211; creio que \u00e9 algo inquestion\u00e1vel &#8211; tem de colocar no centro da sua preocupa\u00e7\u00e3o os mais desfavorecidos e desprotegidos.<\/p>\n<p>Uma sociedade de capitalismo p\u00f3s-industrial gera uma massa de gente que \u00e9 expulsa do mercado laboral, do mercado de produ\u00e7\u00e3o e de consumo. A sociedade n\u00e3o sabe o que fazer com estas pessoas. Como integr\u00e1-las nesta din\u00e2mica vertiginosa de crescimento econ\u00f3mico, mobilizado pela tecnologia que oferece oportunidades in\u00e9ditas na hist\u00f3ria da humanidade \u2013 pensemos por exemplo na Internet, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social?<\/p>\n<p>Tudo isto \u00e9 uma grande batalha com uma brecha imensa. \u00c9 uma quest\u00e3o que agrava a dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p>E como se pode propor a op\u00e7\u00e3o pela pobreza em ambiente escolar, tanto na pedagogia como nos conte\u00fados?<\/p>\n<p>Tem de ser uma proposta a v\u00e1rios n\u00edveis. Primeiro temos de mudar de paradigma na actividade profissional. A excel\u00eancia \u00e9, no fundo, um meio para alcan\u00e7ar um \u00eaxito pessoal e alcan\u00e7ar uma competitividade que se revela selvagem. A Igreja tem aqui de propor uma excel\u00eancia baseada na solidariedade, como afirmou o Papa Jo\u00e3o Paulo II e o pr\u00f3prio Bento XVI.<\/p>\n<p>Por outro lado, s\u00e3o necess\u00e1rias estrat\u00e9gias concretas e contactos reais com situa\u00e7\u00f5es de pobreza, com as pessoas que est\u00e3o exclu\u00eddas: o voluntariado tem crescido muito, em especial na Europa, e pode ser uma resposta na ajuda do conhecimento de uma realidade que esperamos, depois, possa envolver as pessoas, cada uma no seu local de trabalho e no \u00e2mbito da sua profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Precisamos de mudar de sistema, o que ser\u00e1 muito dif\u00edcil. Ou pensar na correc\u00e7\u00e3o do actual para que realmente possa ser mais humano.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o insere-se nesta fractura ideol\u00f3gica que tra\u00e7ou, no contraste entre a proposta da Igreja Cat\u00f3lica e do Estado. Em Portugal vivemos uma situa\u00e7\u00e3o de constrangimento or\u00e7amental que p\u00f5e em causa a coexist\u00eancia de duas propostas. Que consequ\u00eancias pode esta situa\u00e7\u00e3o trazer para o futuro da educa\u00e7\u00e3o e da sociedade?<\/p>\n<p>N\u00e3o conhe\u00e7o a situa\u00e7\u00e3o portuguesa, mas posso falar no que acontece na Argentina. O servi\u00e7o que a Igreja presta na educa\u00e7\u00e3o \u00e9 de caridade. N\u00e3o porque n\u00f3s o dizemos, nem pela quantidade de pedidos dos alunos que recebemos.<\/p>\n<p>\u00c9 um servi\u00e7o oferecido a todos os n\u00edveis sociais que a Igreja desenvolve, um trabalho de integra\u00e7\u00e3o social muito importante. E tamb\u00e9m de qualidade, sobretudo nos n\u00edveis populares, onde, pelo menos no meu pa\u00eds, a oferta estatal \u00e9 deficiente.<\/p>\n<p>Se realmente queremos uma promo\u00e7\u00e3o dos mais pobres e mais d\u00e9beis, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma arma imprescind\u00edvel. A Igreja, oferecendo um servi\u00e7o social n\u00e3o deveria ser penalizada e descriminada, mas antes apoiada. \u00c9 preciso intelig\u00eancia na concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de uma sociedade.<\/p>\n<p>A Igreja pede tamb\u00e9m aos crist\u00e3os que ajudem a sobreviv\u00eancia destas escolas. At\u00e9 que ponto a proposta crist\u00e3 da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 valorizada?<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental. Depois da sa\u00fade, da alimenta\u00e7\u00e3o e da habita\u00e7\u00e3o, o bem fundamental da educa\u00e7\u00e3o deve ser preservado por toda a pol\u00edtica que deve procurar o bem comum. Que bom que a Igreja pode colaborar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O padre Miguel Ya\u00f1ez, professor de Teologia Moral na Universidade Pontif\u00edcia Gregoriana de Roma e na Universidade de Teologia de Salvador, na Argentina, veio a Portugal participar no F\u00f3rum de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica. 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