{"id":19503,"date":"2012-02-09T11:43:00","date_gmt":"2012-02-09T11:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19503"},"modified":"2012-02-09T11:43:00","modified_gmt":"2012-02-09T11:43:00","slug":"liturgia-primeiro-passo-da-renovacao-conciliar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/liturgia-primeiro-passo-da-renovacao-conciliar\/","title":{"rendered":"Liturgia, primeiro passo da renova\u00e7\u00e3o conciliar"},"content":{"rendered":"<p>A Liturgia era o tema mais refletido \u00e0 data do Concilio. A l\u00f3gica da renova\u00e7\u00e3o recomendava que os primeiros temas a debater fossem a Igreja e a Revela\u00e7\u00e3o Divina. Mas n\u00e3o foi possivel come\u00e7ar por a\u00ed, porque logo se viu que eram temas em que havia diverg\u00eancias no modo de os conceber e de os apresentar a debate na sala conciliar.<\/p>\n<p>Antes do Concilio deram-se passos importantes no campo da liturgia. Entre outros: Pio X restaurou a m\u00fasica sacra, nomeadamente, o canto gregoriano (1903); fundou-se o Centro de Pastoral Lit\u00fargica (1945) em Fran\u00e7a com a revista \u201cLa Maison de Dieu\u201d;  Pio XII publicou a \u201cMediator Dei\u201d (1947) e restaurou a vig\u00edlia pascal e a missa vespertina, mitigou o jejum eucar\u00edstico, permitiu a l\u00edngua vulgar em partes dos sacramentos e sacramentais; o movimento lit\u00fargico, iniciado pelo beneditino franc\u00eas D. Gueranger, fundador da abadia de Solesmes, estendeu-se pela Europa a v\u00e1rios mosteiros beneditinos; de 1950 a 1957, realizaram-se sete encontros internacionais de liturgia, com realce para o I Congresso Internacional de Liturgia em Assis (1956). A renova\u00e7\u00e3o chegou a Portugal por D. Ant\u00f3nio Coelho, que havia restaurado o mosteiro beneditino de Singeverga e fez dele uma escola lit\u00fargica de influ\u00eancia, pela sua pr\u00e1tica e publica\u00e7\u00f5es. O Semin\u00e1rio de Cristo Rei (Olivais, Lisboa) com o seu reitor, Monsenhor Pereira do Reis, teve nas d\u00e9cadas de quarenta e cinquenta um papel preponderante na cria\u00e7\u00e3o de uma nova mentalidade e pr\u00e1tica lit\u00fargica, atrav\u00e9s dos novos padres que ali estudaram e que difundiram nas suas dioceses um esp\u00edrito lit\u00fargico, novo e aberto.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio abriu, solenemente, no dia 11 de outubro de 1962, e ocupou-se, de imediato, das elei\u00e7\u00f5es para as diversas comiss\u00f5es. Estas, por\u00e9m, n\u00e3o se conclu\u00edram sem que chegassem os bispos das zonas mais distantes e se ambientassem, de modo a serem mais objetivas as suas escolhas. A demora n\u00e3o agradou aos mais apressados, mas a verdade \u00e9 que s\u00f3 no dia 22 de outubro come\u00e7ou a reflex\u00e3o p\u00fablica do esquema da Liturgia. Foi bom ter come\u00e7ado por um esquema pouco pol\u00e9mico e fundamental na vida da Igreja. Assim o ordenou Jo\u00e3o XXIII. Um tema mais amadurecido serviu para os bispos ensaiarem um novo estilo de colegialidade.<\/p>\n<p>O esquema apresentado pela comiss\u00e3o preparat\u00f3ria n\u00e3o ofereceu grande dificuldade. A dimens\u00e3o pastoral, centralizada em Cristo e nos objetivos do Conc\u00edlio, tal como surge logo nos primeiros n\u00fameros da Constitui\u00e7\u00e3o, era muito clara. P\u00f4s-se de lado a t\u00f3nica rubricista de documentos anteriores e logo se aponta a Liturgia como \u201ccume e fonte\u201d da vida da Igreja, pois que nela tudo conduz para o louvor a Deus e tudo se alimenta desse louvor. Esta realidade tem o seu sentido pleno na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, acontecimento pascal por excel\u00eancia e essencial da vida da Igreja. <\/p>\n<p>A Liturgia n\u00e3o esgota a a\u00e7\u00e3o da Igreja. \u00c9 na proclama\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus que leva ao conhecimento de Cristo, \u00e0 convers\u00e3o evang\u00e9lica e \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da Obra de salva\u00e7\u00e3o, que a Igreja tem a sua miss\u00e3o permanente, e ser\u00e1 sempre, pela Palavra, que se chega ao louvor e \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o frutuosa. Torna-se indispens\u00e1vel ler, refletir e assimilar os primeiros 13 n\u00fameros da Constitui\u00e7\u00e3o para que se compreenda o alcance deste documento e n\u00e3o se caia na tenta\u00e7\u00e3o dos aspetos menos importantes da celebra\u00e7\u00e3o. A beleza exterior e a solenidade das celebra\u00e7\u00f5es, a que muitos prestam especial aten\u00e7\u00e3o, podem denunciar, por vezes, desaten\u00e7\u00e3o  ao essencial. Nesta tenta\u00e7\u00e3o se caiu a seguir ao Conc\u00edlio, com o desvio para inova\u00e7\u00f5es, que mais partiam do entusiasmo da imagina\u00e7\u00e3o do que da compreens\u00e3o dos objetivos fundamentais da Liturgia.<\/p>\n<p>Os aspetos que logo provocaram mudan\u00e7as como a l\u00edngua vern\u00e1cula, o espa\u00e7o da celebra\u00e7\u00e3o com especial aten\u00e7\u00e3o ao altar, os novos minist\u00e9rios ligados ao acto celebrativo, e outros, est\u00e3o sempre orientados para o valor pastoral da participa\u00e7\u00e3o consciente da assembleia no ato celebrativo. <\/p>\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia estava ainda muito marcada pelo clericalismo. O padre era praticamente tudo, e ocupou, durante s\u00e9culos, uma primazia que n\u00e3o dava lugar a outros na \u00e1rea do altar. Compreende-se, assim, o entusiasmo como, em toda a Igreja, foi recebida e aplicada a reforma lit\u00fargica, proposta pelo Vaticano II. Refletiremos aspetos importantes da Constitui\u00e7\u00e3o, que, 50 anos depois, se tornam de novo atuais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Liturgia era o tema mais refletido \u00e0 data do Concilio. A l\u00f3gica da renova\u00e7\u00e3o recomendava que os primeiros temas a debater fossem a Igreja e a Revela\u00e7\u00e3o Divina. 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