{"id":19510,"date":"2012-03-07T15:38:00","date_gmt":"2012-03-07T15:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19510"},"modified":"2012-03-07T15:38:00","modified_gmt":"2012-03-07T15:38:00","slug":"carlos-da-silva-melo-guimaraes-e-a-fonte-nova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/carlos-da-silva-melo-guimaraes-e-a-fonte-nova\/","title":{"rendered":"Carlos da Silva Melo Guimar\u00e3es e a &#8220;Fonte Nova&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Aveirenses Not\u00e1veis <!--more--> Nascido em 1850, Carlos da Silva Melo Guimar\u00e3es foi propriet\u00e1rio da Fonte Nova, f\u00e1brica que \u201cdeu cartas\u201d na azulejaria art\u00edstica.<\/p>\n<p>No ano de 1850, nasceu em Aveiro Carlos da Silva Melo Guimar\u00e3es, filho de Manuel Lu\u00eds da Silva Guimar\u00e3es e de Joana C\u00e2ndida de Melo, e irm\u00e3o de Lu\u00eds da Silva de Melo Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Carlos Guimar\u00e3es distinguiu-se sobretudo como industrial cer\u00e2mico, primeiro na F\u00e1brica de Lou\u00e7as da Fonte Nova e mais tarde na F\u00e1brica de Cer\u00e2mica da Fonte Nova, \u00e9poca em que surgiram algumas grandes unidades industriais de cer\u00e2mica nas margens do Canal do Cojo \/ Fonte Nova, das quais hoje resta somente parte do edif\u00edcio da F\u00e1brica de Cer\u00e2mica Jer\u00f3nimo Pereira Campos, atual Centro Cultural e de Congressos de Aveiro.<\/p>\n<p>A par da sua atividade empresarial, Carlos Guimar\u00e3es desempenhou a\u00e7\u00e3o relevante na sociedade aveirense dos finais do s\u00e9culo XIX e in\u00edcios da cent\u00faria seguinte, estando na g\u00e9nese da primeira escola de desenho e modela\u00e7\u00e3o existente em Aveiro, como refere Manuel Ferreira Rodrigues na obra \u201cA ind\u00fastria cer\u00e2mica em Aveiro (Finais do s\u00e9c. XIX \u2013 in\u00edcios do s\u00e9c. XX)\u201d. Quando o ent\u00e3o ministro das Obras P\u00fablicas, Bernardino Machado, visitou a cidade de Aveiro, no dia 1 de setembro de 1893, deslocou-se \u00e0 f\u00e1brica de Carlos Guimar\u00e3es, tendo-lhe este solicitado a cria\u00e7\u00e3o de uma escola industrial em Aveiro, pedido que se tornou realidade atrav\u00e9s de uma portaria de 28 de outubro desse mesmo ano, a qual tamb\u00e9m respondeu favoravelmente a id\u00eantico desejo manifestado anteriormente pela C\u00e2mara Municipal de Aveiro. Essa escola deu origem \u00e0 Escola Fernando Caldeira, que depois de ter sido Escola Industrial e Comercial de Aveiro \u00e9 atualmente a Escola M\u00e1rio Sacramento.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 1884, juntamente com Pinto Basto (da F\u00e1brica da Vista Alegre), Carlos da Silva Melo Guimar\u00e3es pretendia criar uma \u201caula de desenho e modela\u00e7\u00e3o\u201d em Aveiro, ano em que foi um dos fundadores da Nova Sociedade d\u2019Ind\u00fastria e Recreio \u2013 Gr\u00e9mio Aveirense. Foi tamb\u00e9m um dos tr\u00eas diretores da Associa\u00e7\u00e3o do Teatro Aveirense e, em 1891, integrou a Comiss\u00e3o de Recenseamento Eleitoral.<\/p>\n<p>Ainda em termos empresariais, Carlos Guimar\u00e3es teve, em Aveiro, uma f\u00e1brica de velas de cera, um estabelecimento comercial de cereais e outro de tabacos.<\/p>\n<p>F\u00e1brica da Fonte Nova<\/p>\n<p>A F\u00e1brica de Lou\u00e7a da Fonte Nova foi a empresa que mais nome deu a Carlos Guimar\u00e3es devido \u00e0 qualidade dos seus produtos, com destaque para a azulejaria art\u00edstica, havendo ainda in\u00fameros pain\u00e9is \u201cFonte Nova\u201d espalhados um pouco por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Manuel Ferreira Rodrigues, no citado trabalho, diz que foram fundadores da F\u00e1brica de Lou\u00e7as da Fonte Nova \u201cNorberto Ferreira Vidal e Lu\u00eds de Melo Guimar\u00e3es\u201d, sendo de real\u00e7ar o facto de o primeiro, \u201cnegociante, de Vagos, ent\u00e3o a residir em Aveiro\u201d, ser pai do bispo D. Jo\u00e3o de Lima Vidal. A empresa foi criada por escritura datada de 31 de dezembro de 1881. Em 28 de fevereiro de 1886, Norberto Ferreira Vidal cede a sua quota a Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gamelas, que, por sua vez, em 8 de maio desse mesmo ano, a cede a Carlos da Silva Melo Guimar\u00e3es que, ainda nesse ano, ficou com a totalidade da empresa, uma vez que o irm\u00e3o Lu\u00eds Melo Guimar\u00e3es foi destacado para a comarca de Angra do Hero\u00edsmo, transitando mais tarde para a de Penacova.<\/p>\n<p>Gilberto Jos\u00e9 Ferreira Martins, na obra intitulada \u201cInflu\u00eancia do revestimento azulejar na permeabilidade da fachada\u201d, refere que \u201cA F\u00e1brica da Fonte Nova (ou Empresa Cer\u00e2mica da Fonte Nova) nasceu em1882, pela vontade de tr\u00eas irm\u00e3os da fam\u00edlia Melo Guimar\u00e3es: Carlos, Ant\u00f3nio Carlos e Lu\u00eds. Desde cedo se distinguiu na produ\u00e7\u00e3o cer\u00e2mica, lou\u00e7a decorativa e pintura de azulejos, apresentando-se, logo em 1883, na Feira-exposi\u00e7\u00e3o do Porto, e, depois, em diversos certames internacionais\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, Manuel Ferreira Rodrigues real\u00e7a que a Empresa de Cer\u00e2mica da Fonte Nova foi fundada por escritura assinada em 27 de maio de 1903, tendo como fundadores os irm\u00e3os Carlos, Lu\u00eds e Ant\u00f3nio da Silva Melo Guimar\u00e3es. Ao contr\u00e1rio da F\u00e1brica de Lou\u00e7as da Fonte Nova, que produzia lou\u00e7as e azulejos, esta f\u00e1brica dedicava-se \u00e1 produ\u00e7\u00e3o de tijolos e telhas.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>Pintores de renome nacional<\/p>\n<p>A F\u00e1brica de Lou\u00e7as da Fonte Nova teve um papel relevante na azulejaria art\u00edstica, sobretudo pela m\u00e3o de pintores de renome nacional, como Francisco Pereira e Lic\u00ednio Pinto. Gilberto Jos\u00e9 Ferreira Martins, no j\u00e1 citado trabalho, nota que \u201cnos anos primeiros de 1900, contando no seu corpo de oper\u00e1rios alguns artistas\u201d, a f\u00e1brica \u201caceita os desafios da arte nova e produz, neste campo, pain\u00e9is de excelente qualidade e tamb\u00e9m azulejaria de tapete, em relevo ou simplesmente estampilhado, quer floral, animal ou geom\u00e9trico, para muitas aplica\u00e7\u00f5es\u201d, sublinhando ainda que \u201cfoi, de facto, uma produ\u00e7\u00e3o em grande quantidade e, por vezes, de excelente qualidade\u201d.<\/p>\n<p>Este autor enumera algumas das fachadas que ostentam azulejos \u201cFonte Nova\u201d, entre as quais, a \u201catual Casa de Santa Zita (e os pain\u00e9is do interior) e a da Esta\u00e7\u00e3o de Caminhos de Ferro ou, numa conce\u00e7\u00e3o arte nova, a fachada da Cooperativa Agr\u00edcola, a casa de Francisco Rebelo dos Santos, os pain\u00e9is da casa na Rua Manuel Firmino, a casa Testa e Amador\u201d, enquanto fora de Aveiro aponta \u201ca casa do Dr. Seabra de Matos na Mealhada, a Esta\u00e7\u00e3o dos Caminhos de Ferro, na Granja (Espinho), a casa de Ant\u00f3nio de Oliveira Sim\u00f5es, em Salreu, a mercearia de Ant\u00f3nio Nunes de Ana (Aradas)\u201d.<\/p>\n<p>Gilberto Jos\u00e9 Ferreira Martins diz ainda que \u201cde facto, as siglas FN, simplesmente, na frente ou no verso dos azulejos, em relevo, e de forma mais extensa o nome Fonte Nova multiplicaram-se por dezenas e dezenas de pr\u00e9dios, no interior como no exterior, em jardins p\u00fablicos ou em rec\u00f4nditos espa\u00e7os religiosos, nas cozinhas ou em quartos de banho, versando uma infinidades de temas que n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de catalogar, a pedido dos encomendantes ou por produ\u00e7\u00e3o definida na f\u00e1brica, em fun\u00e7\u00e3o das aptid\u00f5es dos artistas\u201d.<\/p>\n<p>A fama da \u201cFonte Nova\u201d passou fronteiras, muito por causa da participa\u00e7\u00e3o da empresa em feiras e eventos realizados n\u00e3o s\u00f3 em Lisboa e Porto, mas tamb\u00e9m no estrangeiro, com destaque para a Exposi\u00e7\u00e3o Internacional de Antu\u00e9rpia, realizada em 1894.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirenses Not\u00e1veis<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-19510","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19510"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19510\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}