{"id":19515,"date":"2012-03-07T15:52:00","date_gmt":"2012-03-07T15:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19515"},"modified":"2012-03-07T15:52:00","modified_gmt":"2012-03-07T15:52:00","slug":"anunciacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/anunciacao\/","title":{"rendered":"Anuncia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Era o seu nome. 58 anos de clausura no convento das Monjas Jer\u00f3nimas de S\u00e3o Paulo, na cidade de Toledo, em Espanha. 82 anos de vida. Morreu santamente no passado dia 21 de janeiro de 2012. Dizia que Maria vinha busc\u00e1-la. Toda a sua vida foi em fun\u00e7\u00e3o desse momento. Vivia preparada para partir. O c\u00e9u era para ela uma realidade. Por isso, n\u00f3s que a conhecemos, definimo-la pela sua alegria permanente e sua humildade.<\/p>\n<p>O seu amor \u00e0 Igreja e ao sacerdote. A sua vida imolada pela salva\u00e7\u00e3o dos homens. Cada pessoa que aparecia no locut\u00f3rio era acolhida como se fosse \u00fanica no mundo. N\u00e3o tinha pressas. Muitos a procuravam, sobretudo os seminaristas. Considerava-se irm\u00e3 de todos e sempre guardava um presente para cada um, sobretudo caixas de bolachas que as irm\u00e3s faziam ou ganhavam, para animar o estudo quando estivessem sozinhos no quarto. N\u00e3o sa\u00eda do convento sen\u00e3o para o m\u00e9dico e isso de h\u00e1 anos a esta parte, pois antes era o m\u00e9dico que as visitava. Mas sabia das mis\u00e9rias \u00e0 sua volta. Procurava sempre algu\u00e9m influente que fosse ao encontro desta ou daquela fam\u00edlia carenciada, cuja not\u00edcia chegava ou pela pr\u00f3pria fam\u00edlia ou pelo coment\u00e1rio de algum visitante naquelas inesquec\u00edveis tardes de domingo que pass\u00e1vamos com ela numa alegria e f\u00e9 em Jesus que nos unia tanto.<\/p>\n<p>Estar na clausura, para ela, era a maior gra\u00e7a recebida. Tinha a sua voca\u00e7\u00e3o plenamente integrada na sua personalidade. N\u00e3o era uma mulher traumatizada que se refugiou nos conventos, como dizem os que n\u00e3o entendem a vida enclausurada. Ali sentia-se verdadeiramente livre. <\/p>\n<p>Impressionava-me. Naquele bairro de conventos de clausura, lado a lado, aquele era um T1 na arquitetura dos conventos. 20 freiras fechadas num convento que n\u00e3o tinha um jardim sequer. Nem um bosque. O claustro estava cheio de vasos de plantas. Mas as irm\u00e3s n\u00e3o tinham mais nada sen\u00e3o salas para viver e trabalhar. Poderia parecer um ambiente frio, desumano. Mas estavam sempre t\u00e3o felizes! O seu jardim era a paisagem interior. Viviam nos campos e searas do \u00edntimo do seu ser. Ali descobriam a verdadeira alegria do existir e do se dar.<\/p>\n<p>Quando ouvimos, com tristeza, a not\u00edcia da morte de artistas t\u00e3o grandes, v\u00edtimas de depress\u00f5es e drogas, quando tinham materialmente tudo para serem felizes, admiramo-nos por aquelas irm\u00e3s ali fechadas, esta h\u00e1 quase 60 anos, num ambiente sem jardins nem campos, pois tudo \u00e0 volta eram constru\u00e7\u00f5es e estradas, conseguirem a felicidade, quando os homens pensam n\u00e3o ser poss\u00edvel se n\u00e3o for na posse de bens e momentos que nos alienem dos problemas. <\/p>\n<p>Penso no nosso Carmelo de Aveiro. Casa invej\u00e1vel, onde cada vez mais mulheres buscam o seu lar. J\u00e1 s\u00e3o dezoito irm\u00e3s e nelas sentimos a mesma alegria de quem se d\u00e1 sem medida e sente nas irm\u00e3s a sua fam\u00edlia. Naqueles corredores, cela e jardins, no trabalho e na ora\u00e7\u00e3o, vivem a sua verdadeira felicidade.<\/p>\n<p>Lembro aquela poesia de Santa Teresinha, que diz que no carmelo encontrava as coisas lindas que descobrira na natureza quando andava pelo mundo exterior. E terminava assim: \u201cQue mais posso querer, se tu, Jesus, \u00e9s meu? Quanto h\u00e1 de bom na terra em Ti se encerra. Tu \u00e9s a flor que busco sobre a terra. Tu \u00e9s o C\u00e9u\u201d.<\/p>\n<p>Soror Anunciaci\u00f3n, descansa em Paz. Vejo-te livre, voando nas asas do Amor, t\u00e3o livre como sempre te sentiste, mas desta vez vendo os olhos amorosos que um dia te atra\u00edram para viveres na terra, como que exilada, \u00e0 espera da p\u00e1tria prometida. Que no jardim de Deus encontres todas as belezas e que o teu sorriso nos ajude a ver a nossa vida mais iluminada.<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era o seu nome. 58 anos de clausura no convento das Monjas Jer\u00f3nimas de S\u00e3o Paulo, na cidade de Toledo, em Espanha. 82 anos de vida. Morreu santamente no passado dia 21 de janeiro de 2012. Dizia que Maria vinha busc\u00e1-la. Toda a sua vida foi em fun\u00e7\u00e3o desse momento. Vivia preparada para partir. 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