{"id":19577,"date":"2012-03-14T16:12:00","date_gmt":"2012-03-14T16:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19577"},"modified":"2012-03-14T16:12:00","modified_gmt":"2012-03-14T16:12:00","slug":"espaco-para-a-autenticidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/espaco-para-a-autenticidade\/","title":{"rendered":"Espa\u00e7o para a autenticidade"},"content":{"rendered":"<p>Gosto, mas gosto muito, que a primeira palavra de Jesus no Evangelho de Jo\u00e3o seja uma pergunta (e seja aquela pergunta): \u201cQue procurais?\u201d (Jo 1,38). Consola-me ir percebendo que o que sustenta a arquitetura dos encontros e dos desencontros que os Evangelhos relatam \u00e9 uma esp\u00e9cie de coreografia de perguntas, um intenso tr\u00e1fico interrogativo, constru\u00eddo a maior parte do tempo a tatear, sem saber bem, com muitas d\u00favidas, muitos disparos ao lado, muita incapacidade at\u00e9 de comunicar. Isso \u00e9 uma \u00e2ncora, por muito que nos custe, pois uma vida s\u00f3 assente em respostas \u00e9 uma vida diminu\u00edda, \u00e0 maneira de uma primavera que n\u00e3o chegou a ser. N\u00e3o sei como vai rebentar em n\u00f3s a primavera, como se vai acender este reflorir que a natureza insinua, este renascer que o gesto pascal de Jesus espantosamente (res)suscita na nossa humanidade. Sei apenas que nas perguntas, mesmo naquelas que s\u00e3o dif\u00edceis e nos estremecem, reencontramos a vida exposta e aberta, certamente mais fr\u00e1gil, mas a \u00fanica que nos permite tocar as margens de uma exist\u00eancia aut\u00eantica.<\/p>\n<p>Todos somos habitados por perguntas e elas cartografam zonas silenciosas, territ\u00f3rios de fronteira do nosso ser. Estes dias reencontrei a pergunta de Pilatos (ainda no Evangelho de Jo\u00e3o): \u201cO que \u00e9 a verdade?\u201d (Jo18,38). E dei comigo a aproximar esta pergunta de uma das frases emblem\u00e1ticas de Jesus: \u201cEu sou o caminho, a verdade e a vida\u201d(Jo 14,2). Sem querer relativizar a natureza densamente dogm\u00e1tica do enunciado, dei comigo, por\u00e9m, a revisit\u00e1-lo em chave existencial. E era como se Jesus, mestre da vida que incessantemente se reformula em n\u00f3s, nos desafiasse a uma apropria\u00e7\u00e3o. Sim, a uma apropria\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio que perante a multid\u00e3o dos caminhos percorridos e a percorrer cada um de n\u00f3s diga: \u201ceu sou o caminho que percorro\u201d. \u00c9 decisivo que as verdades que acordamos n\u00e3o sejam uma sobreposi\u00e7\u00e3o, mas uma express\u00e3o profunda do que somos: \u201ceu sou a verdade\u201d. \u00c9 urgente que a vida n\u00e3o seja s\u00f3 a acumula\u00e7\u00e3o do tempo e do seu cavalgar son\u00e2mbulo, mas que cada um, pelo menos uma vez, possa dizer plenamente: \u201ceu sou a vida\u201d. Acho que \u00e9 disto que o mist\u00e9rio pascal fala.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gosto, mas gosto muito, que a primeira palavra de Jesus no Evangelho de Jo\u00e3o seja uma pergunta (e seja aquela pergunta): \u201cQue procurais?\u201d (Jo 1,38). Consola-me ir percebendo que o que sustenta a arquitetura dos encontros e dos desencontros que os Evangelhos relatam \u00e9 uma esp\u00e9cie de coreografia de perguntas, um intenso tr\u00e1fico interrogativo, constru\u00eddo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-19577","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19577","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19577"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19577\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}