{"id":19602,"date":"2012-03-14T16:15:00","date_gmt":"2012-03-14T16:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19602"},"modified":"2012-03-14T16:15:00","modified_gmt":"2012-03-14T16:15:00","slug":"nova-linguagem-nova-maneira-de-comunicar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/nova-linguagem-nova-maneira-de-comunicar\/","title":{"rendered":"Nova linguagem, nova maneira de comunicar"},"content":{"rendered":"<p>O primeiro decreto conciliar a ser promulgado, juntamente com a Constitui\u00e7\u00e3o da Liturgia, foi sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, conhecido por \u201cInter mirifica\u201d, dadas as palavras de abertura, que colocam a comunica\u00e7\u00e3o social \u201cEntre os maravilhosas inven\u00e7\u00f5es da t\u00e9cnica\u2026\u201d<\/p>\n<p>Muitos dos padres conciliares n\u00e3o estavam preparados para discutir este tema, ainda bastante alheio ao seu dia a dia. O debate, feito antes da Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Igreja, tinha de ser pobre de horizontes. Demorou apenas quatro dias, e a vota\u00e7\u00e3o final foi muito variada: apenas 2131 votantes: 1960 que aprovaram, 164 a quem n\u00e3o agradava, e 7 votos nulos. A vota\u00e7\u00e3o foi considerada precipitada e o tema pouco amadurecido. O decreto, por\u00e9m, deu ocasi\u00e3o a desenvolvimentos posteriores de muito valor. Pouco depois foi enriquecido pela Instru\u00e7\u00e3o Pastoral \u201cComunh\u00e3o e Progresso\u201d, publicada em maio de 1971, a mandato do Conc\u00edlio e com a aprova\u00e7\u00e3o de Paulo VI. At\u00e9 hoje, outros documentos se publicaram sobre as novas tecnologias e suas possibilidades pastorais.<\/p>\n<p>Nos servi\u00e7os centrais da Igreja n\u00e3o se partia do zero. A R\u00e1dio Vaticana, criada por Pio XI em 1931, emite hoje em 45 idiomas. O \u201cOsservatore Romano\u201d vem de 1861. Hoje publica-se em muitas l\u00ednguas e tamb\u00e9m em portugu\u00eas numa edi\u00e7\u00e3o semanal. Roma e os seus servi\u00e7os sabiam da import\u00e2ncia dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Noutros pa\u00edses a Igreja tinha j\u00e1 r\u00e1dios e jornais, sobretudo a n\u00edvel diocesano e nacional. Jo\u00e3o XXIII conhecia o valor destes meios para a evangeliza\u00e7\u00e3o dos povos e para levar o pensamento crist\u00e3o, sobre os problemas sociais, at\u00e9 onde fosse poss\u00edvel. A sua insist\u00eancia para que este tema fosse refletido no Conc\u00edlio, parecendo fora do contexto habitual dos conc\u00edlios ecum\u00e9nicos, teve, pois, muito sentido. O que ent\u00e3o parecia uma aventura, hoje \u00e9 um novo mundo, no qual abundam mais os meios dispon\u00edveis do que a capacidade de os rentabilizar pastoralmente.<\/p>\n<p>No campo cinematogr\u00e1fico, j\u00e1 antes do Conc\u00edlio havia experi\u00eancias curiosas, relacionadas com as salas paroquiais. Muitas centenas na It\u00e1lia j\u00e1 na d\u00e9cada de 50. Constitu\u00edam um est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de bons filmes, pois, de outro modo, n\u00e3o passariam nas salas das par\u00f3quias, o que significava um forte preju\u00edzo para as empresas produtoras. Recordemos que um homem da Igreja, hoje beatificado, o Padre Alberione, fundou uma congrega\u00e7\u00e3o, os Paulistas, assim se chamavam, toda dedicada \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social. Em Portugal houve tentativas de cinemas paroquiais, n\u00e3o para influenciar a produ\u00e7\u00e3o, como \u00e9 l\u00f3gico, mas, principalmente, para proporcionar um ambiente de visionamento sadio \u00e0s fam\u00edlias.<\/p>\n<p>O decreto conciliar, depois de uma introdu\u00e7\u00e3o motivadora, real\u00e7a a import\u00e2ncia dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, para logo a seguir, em dois cap\u00edtulos longos, numa linguagem ainda mais romana que conciliar, apresentar normas para o seu uso. De real\u00e7ar a import\u00e2ncia da opini\u00e3o p\u00fablica, a correta informa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is em ordem a um uso enriquecedor e a forma\u00e7\u00e3o dos agentes para que o que fazem respeite as pessoas e seja um contributo v\u00e1lido para o bem comum. O segundo cap\u00edtulo orienta no sentido do contributo destes meios no campo pastoral e apost\u00f3lico, na necessidade de produ\u00e7\u00f5es tecnicamente bem feitas e v\u00e1lidas para o efeito pretendido. A Instru\u00e7\u00e3o Pastoral \u201cComunh\u00e3o e Progresso\u201d alarga os horizontes e \u00e9 um documento que ainda hoje se l\u00ea com proveito.<\/p>\n<p>O facto de o Conc\u00edlio se ter debru\u00e7ado sobre este tema, ainda que com limita\u00e7\u00f5es explic\u00e1veis, d\u00e1 ensejo a sublinhar n\u00e3o apenas a import\u00e2ncia destes meios, agora mais evidente, mas tamb\u00e9m o valor da linguagem na miss\u00e3o da Igreja, entendida no sentido mais amplo do termo. Insiste-se hoje, num mundo em que as novas gera\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o s\u00f3, d\u00e3o maior apre\u00e7o \u00e0 imagem apresentada do que \u00e0 palavra proferida, na necessidade de encontrar formas de comunica\u00e7\u00e3o, que o sejam de facto. A palavra e a escrita nunca perdem o seu valor, mas \u00e9 \u00e0s pessoas que tem de se atender. Toda a comunica\u00e7\u00e3o que perde do seu horizonte os recetores e a cultura emergente arrisca-se a ser trabalho em v\u00e3o.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 bom que os jornais de entidades ligadas \u00e0 Igreja, n\u00e3o excluindo as pequenas folhas que por a\u00ed se distribuem aos domingos, vejam se s\u00e3o ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o ou maneira de desfear o rosto da Igreja, pelo dizem e pelo modo como o dizem. N\u00e3o obstante o muito que de bom se faz, h\u00e1 sempre campo para rever e melhorar. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro decreto conciliar a ser promulgado, juntamente com a Constitui\u00e7\u00e3o da Liturgia, foi sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, conhecido por \u201cInter mirifica\u201d, dadas as palavras de abertura, que colocam a comunica\u00e7\u00e3o social \u201cEntre os maravilhosas inven\u00e7\u00f5es da t\u00e9cnica\u2026\u201d Muitos dos padres conciliares n\u00e3o estavam preparados para discutir este tema, ainda bastante alheio ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-19602","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19602","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19602"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19602\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19602"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19602"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19602"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}