{"id":19608,"date":"2012-03-21T17:45:00","date_gmt":"2012-03-21T17:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19608"},"modified":"2012-03-21T17:45:00","modified_gmt":"2012-03-21T17:45:00","slug":"tal-como-pai-e-mae-se-reveem-num-filho-deus-reve-se-numa-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/tal-como-pai-e-mae-se-reveem-num-filho-deus-reve-se-numa-familia\/","title":{"rendered":"&#8220;Tal como pai e m\u00e3e se reveem num filho, Deus rev\u00ea-se numa fam\u00edlia&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Tudo em Fam\u00edlia <!--more--> Por iniciativa da Escola de Pais da Par\u00f3quia da Vera Cruz, esteve em Aveiro, dia 10 de mar\u00e7o, o padre jesu\u00edta Carlos Carneiro, que falou da \u00abFam\u00edlia, um sonho no plano de Deus\u00bb. Pontos fortes da comunica\u00e7\u00e3o recolhidos e resumidos por Jo\u00e3o Manuel Querido.<\/p>\n<p>Fam\u00edlia, <\/p>\n<p>um sonho de Deus<\/p>\n<p>Deus ama e s\u00f3 quem ama sonha. Deus \u00e9 o amor em pessoa e assim a fam\u00edlia \u00e9 um lugar onde mais se pode experimentar o amor que \u00e9 Deus. Ela \u00e9 assim uma capela, um santu\u00e1rio onde Deus mora. Ou seja, tal como pai e m\u00e3e se reveem num filho, Deus rev\u00ea-se numa fam\u00edlia. No amor de uma fam\u00edlia h\u00e1 as mesmas caracter\u00edsticas do amor de Deus. \u00abQue na vossa fam\u00edlia se veja quem \u00e9 Deus\u00bb, exulta o jesu\u00edta quando preside a um matrim\u00f3nio.<\/p>\n<p>Os sonhos s\u00e3o fr\u00e1geis<\/p>\n<p>e necessitam <\/p>\n<p>da fidelidade<\/p>\n<p>S\u00f3 que os sonhos n\u00e3o t\u00eam uma garantia de seguran\u00e7a. Procuramos a fidelidade de um eletrodom\u00e9stico mas n\u00e3o exigimos isso \u00e0s pessoas. A fidelidade ficou na gaveta do dever, do tem de ser, quando deveria estar antes na gaveta da alegria, da festa, do gozo. Para que Deus possa sonhar, \u00e9 necess\u00e1ria a fidelidade, h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es que t\u00eam de ser satisfeitas, uma das quais \u00e9 a fidelidade.<\/p>\n<p>A fidelidade <\/p>\n<p>s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel <\/p>\n<p>com a ajuda de Deus<\/p>\n<p>S\u00f3 num matrim\u00f3nio cat\u00f3lico, cada uma das partes jura \u201cser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na sa\u00fade e na doen\u00e7a, por todos os dias da nossa vida, at\u00e9 que a morte nos separe\u201d porque temos a vontade de Deus por tr\u00e1s, doutro modo nunca poder\u00edamos jurar esta fidelidade. Jesus declara o seu amor \u00e0 humanidade quando cada casal se casa na Igreja. \u00c9 por isso que o matrim\u00f3nio \u00e9 um sacramento, \u00e9 um sinal do amor de Deus. \u00c9 como se cada um dissesse que assume a miss\u00e3o de mostrar Deus ao mundo atrav\u00e9s do amor que sinto pelo outro. \u00abN\u00e3o separe o que Deus, n\u00e3o o padre, uniu\u00bb.<\/p>\n<p>O Amor \u00e9 fruto <\/p>\n<p>de um projeto<\/p>\n<p>O amor n\u00e3o se improvisa, \u00e9 fruto de uma hist\u00f3ria e \u00e9 diferente de uma paix\u00e3o: Esta n\u00e3o dura muito tempo e \u00e9, apenas, a pr\u00e9-hist\u00f3ria de uma hist\u00f3ria de amor. \u00c9 necess\u00e1ria, sim, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente para manter uma rela\u00e7\u00e3o. Aqui o orador fez um par\u00eantese para assinalar a sua estranheza quanto \u00e0s despedidas de solteiro \u00abmas despedir de qu\u00ea? da liberdade? E faz\u00ea-la com pessoas que mostram o seu umbigo porqu\u00ea? Depois n\u00e3o ter\u00e3o um umbigo para comtemplar?\u00bb) e a sua revolta quanto ao dinheiro que se gasta com uma festa de casamento, que o orador qualificou de pecaminoso, concluindo que casar \u00e9 para quem pode e que a miss\u00e3o de um casal \u00e9 \u2026continuar casado!<\/p>\n<p>Nesse projeto as pessoas <\/p>\n<p>v\u00e3o-se casando<\/p>\n<p>O dia de casamento \u00e9 apenas o primeiro dia de uma hist\u00f3ria de amor. Ou seja, a partir da\u00ed, cada um vai-se casar o n\u00famero de vezes que forem precisas durante a sua vida. Numa compara\u00e7\u00e3o muito feliz, o casamento ser\u00e1 como um harm\u00f3nio que uns dias fecha, quando h\u00e1 uma zanga ou afastamento, noutros abre, quando h\u00e1 uma reconcilia\u00e7\u00e3o e a\u00ed, nessa reconcilia\u00e7\u00e3o, os dois casam-se de novo.<\/p>\n<p>Nesse projeto vamos <\/p>\n<p>melhorar a obra de Deus<\/p>\n<p>Quando se passa a vida a criticar o outro ou at\u00e9 o mundo n\u00e3o nos apercebermos que, com essa cr\u00edtica, estamos a dizer mal da obra de Deus. Tal como a Madre Teresa, que tinha como um seu lema \u00abnunca deixar que uma pessoa que se aproximasse dela partisse igual a como estava antes de a conhecer\u00bb, tamb\u00e9m as fam\u00edlias n\u00e3o podem deixar a realidade como ela estava. Deus quer que as pessoas se conjuguem e transformem o mundo \u00e0 imagem de Jesus.<\/p>\n<p>Como manter <\/p>\n<p>um matrim\u00f3nio?<\/p>\n<p>Passada a fase do \u00absufoco\u00bb, temos de passar \u00e0 fase da delicadeza, da ternura, porque sen\u00e3o os casais cansam-se da intensidade e vem a inseguran\u00e7a. Num telefonema, em vez de perguntarem ao outro \u00abComo est\u00e1s?\u00bb passam a perguntar \u00abOnde est\u00e1s?\u00bb. Come\u00e7a a ser a GNR casada com a PSP. Este policiamento revela a inseguran\u00e7a. Temos de ser criativos! Amar \u00e9 reconhecer que o objetivo de felicidade que eu tenho nunca seria atingido s\u00f3 por mim. E para o atingir temos de ter simultaneamente carinho e sacrif\u00edcio, delicadeza e ascese, prescindir e abnegar.<\/p>\n<p>Ter o outro dentro de mim<\/p>\n<p>E se um dia ficarmos fascinados por outra pessoa? A resposta ser\u00e1: \u00abMas o que \u00e9 que eu fa\u00e7o com isso?\u00bb Eu posso estar atra\u00eddo mas digo que n\u00e3o, n\u00e3o avan\u00e7o. Isto porque eu tenho a minha esposa, o meu marido, \u201cn\u00e3o como uma pessoa que est\u00e1 ao meu lado mas sobretudo que est\u00e1 dentro de mim\u201d. Tal como tenho os filhos dentro de mim, o outro tamb\u00e9m est\u00e1 dentro de mim. S\u00f3 assim se conseguir\u00e1 ultrapassar, p.e., o momento cr\u00edtico para tantos casais jovens que \u00e9 o nascimento do primeiro filho, em que a mulher passa a m\u00e3e a tempo inteiro. De repente, para o homem, o filho rouba a esposa e pode come\u00e7ar um afastamento. E v\u00e3o vivendo a sua vida como pais e s\u00f3 quando os filhos saem de casa \u00e9 que reparam um no outro, veem o outro na realidade \u00abtransformado\u00bb e divorciam-se. Primeiro casal, depois pais.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 um sonho <\/p>\n<p>inacabado de Deus<\/p>\n<p>Concluindo, o P.e Carlos acrescentou a palavra \u00abinacabado\u00bb ao tema desta palestra, porque a fam\u00edlia \u00e9 uma obra que n\u00e3o tem fim. \u00abCasados h\u00e1 50 anos e ainda n\u00e3o nos conhecemos mas conhecemo-nos tanto! E quando nos falta a paci\u00eancia, vamos busc\u00e1-la a Deus. E como? Rezando. Pois ao orar em conjunto, cada um de n\u00f3s at\u00e9 tem de olhar para o lado e ver quem \u00e9 que l\u00e1 est\u00e1\u00bb.<\/p>\n<p>Como acolher <\/p>\n<p>os casais recasados?<\/p>\n<p>No debate, a primeira quest\u00e3o incidiu sobre os casais divorciados e recasados. A sua resposta foi que se deve acolher, acolher sempre, tratando cada situa\u00e7\u00e3o na sua diversidade, n\u00e3o tratando tudo da mesma maneira. Deus n\u00e3o exclui ningu\u00e9m da salva\u00e7\u00e3o e para isso tamb\u00e9m a Igreja n\u00e3o pode fechar portas. Tem de abri-las. Lembrou experi\u00eancias em Lisboa de casais nesta situa\u00e7\u00e3o que se re\u00fanem em grupos apoiados por um sacerdote. O colo da Igreja \u00e9 para todos, mas este colo tem de ser simultaneamente exigente e ternurento para que se possam evitar dois perigos: por um lado, cair na intransig\u00eancia e no fundamentalismo e, por outro lado, evitar a ingenuidade. Como exemplo do primeiro indicou os sacerdotes que ainda acham que uma esposa, por abandonar o lar, mesmo numa situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia conjugal, fica, a partir da\u00ed, em pecado. <\/p>\n<p>A pr\u00f3pria palavra \u00abcat\u00f3lico\u00bb significa \u00abuniversal\u00bb e, como tal, deve incluir e n\u00e3o excluir. Mas tamb\u00e9m alertou que um recasado n\u00e3o pode entender o facto de n\u00e3o poder comungar como um castigo pelo seu \u00abmau comportamento\u00bb, pois a comunh\u00e3o eucar\u00edstica n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma de comungar com Deus. Lembrou que h\u00e1 um s\u00e9culo as pessoas s\u00f3 comungavam uma vez por ano, na P\u00e1scoa, tendo-se passado para o outro extremo em que a comunh\u00e3o est\u00e1 banalizada: as pessoas v\u00e3o comungar porque sim, sem fazer qualquer discernimento pr\u00e9vio ou exame de consci\u00eancia. N\u00e3o comungar n\u00e3o \u00e9 ficar exclu\u00eddo da comunh\u00e3o com Deus, pois isso s\u00f3 Deus pode fazer.<\/p>\n<p>Concluindo, profetizou que mais cedo ou mais tarde a Igreja teria de fazer um S\u00ednodo sobre os divorciados. Talvez a\u00ed um canonista possa descobrir no Direito Can\u00f3nico uma cl\u00e1usula qualquer, porventura inspirada na experi\u00eancia das Igrejas orientais, de modo a ultrapassar a situa\u00e7\u00e3o atual, em que 80% dos recasados deixam de ir \u00e0 missa.<\/p>\n<p>A Igreja prepara bem <\/p>\n<p>os matrim\u00f3nios?<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o prepara, respondeu. \u00abOs cursos de CPM da Igreja s\u00e3o maus, pouco ousados, muito fracos\u00bb. A Igreja deve oferecer mais, at\u00e9 do ponto de vista afetivo. Exemplificou com uma par\u00f3quia em Fran\u00e7a, em que este curso leva tr\u00eas anos. No primeiro, d\u00e1-se informa\u00e7\u00e3o; no segundo, os casais ficam com uma miss\u00e3o na par\u00f3quia; e no terceiro, finalmente existe forma\u00e7\u00e3o concreta para a vida matrimonial. S\u00f3 assim a Igreja poder\u00e1 ser exigente na quest\u00e3o do casamento.<\/p>\n<p>Como v\u00ea o casamento entre pessoas do mesmo sexo?<\/p>\n<p>O P.e Carlos quis refor\u00e7ar que a Igreja n\u00e3o discrimina ningu\u00e9m, muito menos pela sua op\u00e7\u00e3o sexual embora alerte que uma uni\u00e3o desta natureza n\u00e3o \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de complementaridade, mas sim de igualdade e, como tal, defendeu, deveria ter-se chegado a uma outra express\u00e3o jur\u00eddica diferente do casamento, para evitar a confus\u00e3o e tratar de um modo diferente o que \u00e9, de facto, diferente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo em Fam\u00edlia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-19608","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19608"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19608\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}