{"id":19668,"date":"2012-03-01T10:22:00","date_gmt":"2012-03-01T10:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19668"},"modified":"2012-03-01T10:22:00","modified_gmt":"2012-03-01T10:22:00","slug":"outros-aspetos-da-vida-liturgica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/outros-aspetos-da-vida-liturgica\/","title":{"rendered":"Outros aspetos da vida lit\u00fargica"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sendo meu prop\u00f3sito ter comentado, ponto por ponto, a Constitui\u00e7\u00e3o da Liturgia, parece \u00fatil falar de outros temas importantes ligados \u00e0 reforma lit\u00fargica, tais como: o of\u00edcio divino, o ano lit\u00fargico, a m\u00fasica sacra, a arte e os objetos sagrados. <\/p>\n<p>O of\u00edcio divino, tamb\u00e9m nomeado \u201cliturgia das horas\u201d, \u00e9 entendido como ora\u00e7\u00e3o da Igreja, Corpo de Cristo, que consagra ao louvor do Pai as horas do dia e da noite. \u00c9 uma tradi\u00e7\u00e3o de s\u00e9culos dos mosteiros de monges que depois se estendeu, como dever di\u00e1rio, aos padres e aos consagrados. Esta a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica comporta o Of\u00edcio de Leituras, a ora\u00e7\u00e3o de Laudes e de uma Hora Interm\u00e9dia (T\u00e9rcia, Sexta ou Noa), V\u00e9speras e Completas. O Of\u00edcio \u00e9 mais simplificado do que o rezado pelos monges, da\u00ed chamar-se-lhe \u201cBrevi\u00e1rio\u201d, mas tem o mesmo sentido, como express\u00e3o viva da Igreja Orante. O p\u00e1roco reza-o pelo povo que lhe foi confiado. \u00c9 constitu\u00eddo por hinos, salmos, leituras b\u00edblicas e outras da tradi\u00e7\u00e3o ou da actualidade eclesial e preces, de car\u00e1cter universal. Trata-se de cuidar que a vida crist\u00e3, pessoal e comunit\u00e1ria, seja um orar permanente que d\u00ea sentido de louvor ao trabalho do dia, interrompido, de quando em quando, para a ora\u00e7\u00e3o expl\u00edcita. O Conc\u00edlio recomenda aos padres que levem os leigos a participar neste louvor da Igreja, individualmente, em fam\u00edlia e em comunidade crist\u00e3, de modo adaptado \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o laica. E o fa\u00e7am, sobretudo, com a recita\u00e7\u00e3o das V\u00e9speras dominicais. H\u00e1 padres com este cuidado e par\u00f3quias que j\u00e1 assim fazem.<\/p>\n<p>O Ano Lit\u00fargico \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o, ao longo do ano, dos mist\u00e9rios de Cristo. Inicia-se no I Domingo do Advento e prolonga-se at\u00e9 \u00e0 festa de Cristo Rei. Assim se vivem, em sequ\u00eancia, os tempos de prepara\u00e7\u00e3o e as festas do Natal, P\u00e1scoa e Pentecostes, as festas de Nossa Senhora e dos m\u00e1rtires e dos santos. Como caminho para a P\u00e1scoa de Cristo, a Quaresma mereceu sempre uma especial aten\u00e7\u00e3o. V\u00eam, depois, semanas longas do tempo comum, como tempo de uma prolongada catequese, que tem sempre, em cada domingo e na Eucaristia dominical, o seu momento rico e enriquecedor da f\u00e9 do povo crist\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 tempos mortos ao longo do Ano Lit\u00fargico. Muitos crist\u00e3os nunca foram informados sobre a sua riqueza, continuada e repartida, para facilitar uma maior viv\u00eancia do Mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o, centrado em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>A m\u00fasica que se canta ou executa nas celebra\u00e7\u00f5es \u00e9 objeto de um particular cuidado na Liturgia ao tempo do Conc\u00edlio. A Igreja estava consciente deste cuidado, avivado pela recupera\u00e7\u00e3o do canto gregoriano e reconhecimento do grande patrim\u00f3nio que \u00e9 a m\u00fasica sacra. Alguns exageros de s\u00e9culos passados, em que grandes coros de m\u00fasica polif\u00f3nica nem sempre \u201cse harmonizavam com o sentido da a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica\u201d, s\u00e3o vistos com especial aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se optando por formas musicais especiais, o Conc\u00edlio d\u00e1 crit\u00e9rios importantes: a m\u00fasica deve estar ligada \u00e0 a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, favorecer o clima de ora\u00e7\u00e3o, levar a assembleia a participar no canto. Os grupos corais n\u00e3o substituem, nem dispensam a assembleia. Devem estar em contacto com ela e n\u00e3o em lugares, distantes, separados ou de exibi\u00e7\u00e3o. Ao falar dos instrumentos, privilegia-se o \u00f3rg\u00e3o de tubos. Outros instrumentos podem ser autorizados se forem adequados ao uso sagrado. O canto religioso popular, em harmonia com o sentido religioso e lit\u00fargico, deve ser \u201cinteligentemente incentivado\u201d, para que os fi\u00e9is possam melhor participar.<\/p>\n<p>A Igreja foi, ao longo da sua hist\u00f3ria, promotora da arte e da beleza. O campo religioso \u00e9 especialmente prop\u00edcio para expressar a riqueza e a beleza da arte sacra. Da\u00ed, os edif\u00edcios e sua ordena\u00e7\u00e3o interna, imagens e alfaias lit\u00fargicas, tudo deve mostrar dignidade e favorecer a f\u00e9 e a piedade, eliminando-se tudo o que a estas \u00e9 contr\u00e1rio. Pela sua miss\u00e3o de educador da f\u00e9, o clero tem um especial papel em tudo isto. O Conc\u00edlio insiste na sua import\u00e2ncia e forma\u00e7\u00e3o. Muito se andou, mas ainda n\u00e3o tudo. <\/p>\n<p>Espero poder, ao refletir, futuramente, a aceita\u00e7\u00e3o do Vaticano II, em Portugal, tocar em alguns destes aspetos, pois que, dada a import\u00e2ncia do tema e o caminho positivo andado, h\u00e1 ainda desvios, velhos e novos, a merecer aten\u00e7\u00e3o e cuidado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sendo meu prop\u00f3sito ter comentado, ponto por ponto, a Constitui\u00e7\u00e3o da Liturgia, parece \u00fatil falar de outros temas importantes ligados \u00e0 reforma lit\u00fargica, tais como: o of\u00edcio divino, o ano lit\u00fargico, a m\u00fasica sacra, a arte e os objetos sagrados. 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