{"id":19669,"date":"2012-03-14T15:34:00","date_gmt":"2012-03-14T15:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19669"},"modified":"2012-03-14T15:34:00","modified_gmt":"2012-03-14T15:34:00","slug":"murtosa-recria-ciclo-do-linho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/murtosa-recria-ciclo-do-linho\/","title":{"rendered":"Murtosa recria ciclo do linho"},"content":{"rendered":"<p>Depois do \u00eaxito do Ciclo do Milho, as associa\u00e7\u00f5es recriam as actividades do linho. Come\u00e7a no dia 25 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Depois do sucesso da recria\u00e7\u00e3o do ciclo do milho, em 2011, a Murtosa vai ser palco da recria\u00e7\u00e3o do ciclo do linho, numa iniciativa do Rancho Folcl\u00f3rico \u201cOs Camponeses da Beira-Ria\u201d, do Rancho Folcl\u00f3rico \u201cAs Andorinhas de S. Silvestre\u201d, da Confraria Gastron\u00f3mica \u201cO Moliceiro\u201d, da Associa\u00e7\u00e3o Desportiva e Recreativa das Quintas e do N\u00facleo da Murtosa da Fraternidade de Nuno \u00c1lvares.<\/p>\n<p>O calend\u00e1rio das a\u00e7\u00f5es foi planeado de modo que cada momento da recria\u00e7\u00e3o tenha correspond\u00eancia efetiva com os tempos reais do Ciclo do Linho, tal como era praticado nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado. O primeiro desses momentos ocorrer\u00e1 j\u00e1 no dia 25 de mar\u00e7o, a partir das 15h, na Casa-Museu Cust\u00f3dio Prato, no Bunheiro, com o lavrar e gradar do terreno, com vacas de ra\u00e7a marinhoa, seguida do semear do linho \u201ca lan\u00e7o\u201d por intervenientes vestidos com trajes da primeira metade do s\u00e9culo passado. Haver\u00e1, igualmente, anima\u00e7\u00e3o com cantares tradicionais, bem como a possibilidade de visitar a Casa-Museu. <\/p>\n<p>Em Junho ser\u00e1 o momento de arrancar, ripar e remolhar o linho, culminando o ciclo com a recria\u00e7\u00e3o, em Setembro, do secar, amassar, espadelar, assedar, fiar, barrelar, urdir e tecer do linho.<\/p>\n<p>O Ciclo do Linho, pelas suas caracter\u00edsticas, apresenta-se, no dizer dos organizadores do evento, \u201ccomo uma oportunidade para reviver, em v\u00e1rias etapas ao longo do ano, uma cultura outrora marcante, que urge resgatar da mem\u00f3ria, para conhecimento das gera\u00e7\u00f5es que nunca viram os momentos sucessivos da transforma\u00e7\u00e3o de uma planta em tecido\u201d.<\/p>\n<p>As coletividades organizadoras t\u00eam a pretens\u00e3o de registar em fotografia e v\u00eddeo, as atividades de cada um dos momentos do Ciclo do Linho, com vista \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de um livro e de um document\u00e1rio, que guarde, para mem\u00f3ria futura, a recria\u00e7\u00e3o. Cada uma das associa\u00e7\u00f5es ter\u00e1 a seu cargo um aspeto espec\u00edfico do programa, resultando dai um forte envolvimento de cada uma delas.<\/p>\n<p>Cultura do linho quase <\/p>\n<p>desapareceu da Murtosa<\/p>\n<p>A cultura do linho assumiu, at\u00e9 \u00e0 d\u00e9cada de 30 do s\u00e9culo XX, uma grande relev\u00e2ncia, na medida em que, dos materiais naturais usados para a confe\u00e7\u00e3o de vestu\u00e1rio, s\u00f3 o linho era end\u00f3geno da regi\u00e3o. Nem a l\u00e3 nem o algod\u00e3o eram produzidos na Murtosa. O linho era a mat\u00e9ria-prima mais barata e mais dispon\u00edvel localmente.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de constituir um valioso recurso, cuja utiliza\u00e7\u00e3o ia do vestu\u00e1rio \u00e0 medicina e culin\u00e1ria, a cultura do linho ocupava um lugar de destaque na vida social e cultural da comunidade, tanto mais que a sua produ\u00e7\u00e3o estava rodeada de ritos e lendas, que ainda hoje fazem parte da mem\u00f3ria coletiva das gentes murtoseiras.<\/p>\n<p>Na Murtosa, a mem\u00f3ria do linho encontra-se um pouco por toda a parte, das arcas de roupa das av\u00f3s at\u00e9 \u00e0 topon\u00edmia, de que \u00e9 exemplo o \u201cCaminho das Remolhas\u201d, no Bunheiro, que evoca um dos locais onde se remolhava o linho, uma das muitas etapas do ciclo do linho.<\/p>\n<p>Com a recria\u00e7\u00e3o do Ciclo do Linho, pretende-se reavivar, na mem\u00f3ria coletiva, uma atividade hoje praticamente desconhecida dos mais jovens, dando a conhecer os processos tradicionais da cultura do linho, desde a sua planta\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 tecelagem.<\/p>\n<p>Cust\u00f3dio Jos\u00e9 da Silva Sousa (Prato) (1889-1985), que foi um lavrador rico, legou grande parte das suas propriedades \u00e0 Par\u00f3quia do Bunheiro, entre as quais se inclu\u00eda a sua casa, situada no lugar de Passadouros, expressando a vontade de um dia esta ser transforma numa \u201cesp\u00e9cie de museu\u201d, que retratasse a vida social e agr\u00edcola da freguesia, o que se veio a concretizar em maio de 1996, quando abriu a \u201cCasa Museu Cust\u00f3dio Prato\u201d, para a qual contribuiu o trabalho desenvolvido pelo Rancho Folcl\u00f3rico \u201cOs Camponeses da Beira-Ria\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois do \u00eaxito do Ciclo do Milho, as associa\u00e7\u00f5es recriam as actividades do linho. 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