{"id":19687,"date":"2012-03-22T10:04:00","date_gmt":"2012-03-22T10:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19687"},"modified":"2012-03-22T10:04:00","modified_gmt":"2012-03-22T10:04:00","slug":"necessidade-de-um-novo-rosto-e-uma-consciencia-eclesial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/necessidade-de-um-novo-rosto-e-uma-consciencia-eclesial\/","title":{"rendered":"Necessidade de um novo rosto e uma consci\u00eancia eclesial"},"content":{"rendered":"<p>Depois de um longo e animado debate, que terminou com uma vota\u00e7\u00e3o convincente, 2134 votos a favor, 10 contr\u00e1rios e um nulo, Paulo VI promulgou a Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica sobre a Igreja. Trata-se do documento mais desejado e esperado e, por muitos, considerado a Carta Magna do Conc\u00edlio Vaticano II. A sua hist\u00f3ria e conte\u00fado v\u00e3o ocupar-nos algumas semanas. Deste modo, pode voltar a ser apreciada e a agradecida por aqueles que por esta Constitui\u00e7\u00e3o se v\u00eam orientando, recordada e avivada a mem\u00f3ria dos que, por rotina, a foram esquecendo e tomarem consci\u00eancia do seu valor e import\u00e2ncia os que vieram depois e porventura a n\u00e3o saborearam, como um dom inestim\u00e1vel e um caminho pastoral novo, que n\u00e3o \u00e9 uma mera op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o XXIII convocara o Conc\u00edlio com o intuito de renova\u00e7\u00e3o da Igreja, da sua miss\u00e3o e leis, da sua presen\u00e7a no mundo com capacidade de di\u00e1logo com a sociedade e as outras confiss\u00f5es religiosas. Como j\u00e1 foi dito, em artigos anteriores, n\u00e3o faltaram ent\u00e3o, cardeais e bispos a insistir que um conc\u00edlio era in\u00fatil: a Igreja, com o fim da guerra, estava a viver uma fase boa da sua hist\u00f3ria e o prest\u00edgio do Papa assegurado. Um conc\u00edlio, por desnecess\u00e1rio, s\u00f3 viria a perturbar o clima pac\u00edfico reinante.<\/p>\n<p> A verdade, por\u00e9m, logo se viu na prepara\u00e7\u00e3o do texto a debater sobre a Igreja. S\u00f3 a sexta vers\u00e3o apresentada, e depois de muitas tens\u00f5es e di\u00e1logo, encontrou consenso para se iniciar o debate na sala conciliar. A situa\u00e7\u00e3o, portanto, n\u00e3o era assim t\u00e3o calma, nem t\u00e3o clara. De facto, ao tempo debatiam-se na Igreja duas tend\u00eancias diferentes. Uma conservadora, ligada \u00e0 hist\u00f3ria de uns tantos s\u00e9culos atr\u00e1s, com forte influ\u00eancia profana e como resposta apolog\u00e9tica \u00e0 Reforma Protestante. Centrava, nesta l\u00f3gica, a vida e a a\u00e7\u00e3o da Igreja na hierarquia do poder. O modelo da Igreja era o da sociedade perfeita, a que nada faltava para se impor ao mundo. A outra, uma tend\u00eancia aberta, inspirada na vida das primitivas comunidades crist\u00e3s. Uma corrente que foi crescendo a partir de 1920, de forte sentido comunit\u00e1rio, com regresso obrigat\u00f3rio \u00e0s fontes b\u00edblicas e patr\u00edsticas, animada por um espirito lit\u00fargico que ia fazendo caminho de participa\u00e7\u00e3o ativa do povo crente, acompanhada pelo despertar progressivo do laicado, com dimens\u00e3o mission\u00e1ria e preocupa\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica. N\u00e3o podia deixar de ir nesta linha o longo debate conciliar, que terminou, por fim, com a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Igreja, por Paulo VI, com o t\u00edtulo latino \u201cLumen Gentium\u201d, ou \u201cCristo, luz dos povos\u201d. Assim se encontrou um texto de grande valor teol\u00f3gico e apurado sentido pastoral, que permitiria uma melhor resposta da Igreja e da sua miss\u00e3o a um mundo que se ia afastando de Deus, batido por muitos e novos problemas de uma sociedade em mudan\u00e7a, atingida em todas as suas vertentes religiosas e culturais.<\/p>\n<p>Estava cumprido o prop\u00f3sito de Jo\u00e3o XXIII que falecera meses antes e que ele mesmo expressara na necessidade de introduzir na Igreja \u201coportunas corre\u00e7\u00f5es\u201d, de acordo com \u201cas exig\u00eancias atuais e as necessidades dos diferentes povos\u201d. Paulo VI, entretanto eleito, ao decidir a continua\u00e7\u00e3o dos trabalhos conciliares interrompidos com a morte do Papa, tornou expresso o seu desejo da \u201cnecessidade da Igreja encontrar, finalmente, uma mais clara defini\u00e7\u00e3o de si mesma\u201d. P\u00f4de verificar este bom resultado ao promulgar a Constitui\u00e7\u00e3o. O mist\u00e9rio da Igreja, concretizado no Povo de Deus, punha a nova eclesiologia como centro inspirador e orientador de todo o Vaticano II. Quem estudou, em semin\u00e1rios ou universidades, antes do Conc\u00edlio, d\u00e1 bem pela diferen\u00e7a e pelo alcance pastoral da mesma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de um longo e animado debate, que terminou com uma vota\u00e7\u00e3o convincente, 2134 votos a favor, 10 contr\u00e1rios e um nulo, Paulo VI promulgou a Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica sobre a Igreja. Trata-se do documento mais desejado e esperado e, por muitos, considerado a Carta Magna do Conc\u00edlio Vaticano II. 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