{"id":19706,"date":"2012-03-28T17:17:00","date_gmt":"2012-03-28T17:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19706"},"modified":"2012-03-28T17:17:00","modified_gmt":"2012-03-28T17:17:00","slug":"sem-museu-perde-se-a-memoria-da-ceramica-aveirense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sem-museu-perde-se-a-memoria-da-ceramica-aveirense\/","title":{"rendered":"Sem museu perde-se a mem\u00f3ria da cer\u00e2mica aveirense"},"content":{"rendered":"<p>Embora com grande tradi\u00e7\u00e3o na cer\u00e2mica, falta a Aveiro um museu que preserve lou\u00e7as, m\u00e1quinas e processos produtivos.<\/p>\n<p>Aveiro \u00e9 um dos munic\u00edpios fundadores da Rota Europeia da Cer\u00e2mica \/ Urban Network for Innovation in Ceramics (UNIC), liderada pelo munic\u00edpio franc\u00eas de Limoges, e que inclui tamb\u00e9m outras cidades europeias famosas pela cer\u00e2mica que produzem, nomeadamente Castellon e Sevilha (Espanha), Cluj Napoca (Rom\u00e9nia), Delft (Holanda), Faenza (It\u00e1lia), Selb (Alemanha), Pecs (Hungria) e Stoke-on-Trent (Reino Unido).<\/p>\n<p>A rede pretende alargar a sua a\u00e7\u00e3o a outros continentes, com especial destaque para a \u00c1sia, de modo a acolher cidades emblem\u00e1ticas da cer\u00e2mica mundial como Jingdezhen, considerada a capital da porcelana chinesa, bem como cong\u00e9neres da Coreia do Sul, do Jap\u00e3o e da Turquia.<\/p>\n<p>No entanto, a mem\u00f3ria da cer\u00e2mica aveirense vai-se diluindo no esquecimento com o desaparecimento dos ceramistas que deram alma a ind\u00fastrias, oficinas e ateli\u00eas cer\u00e2micos que existiram na cidade e arredores, porque n\u00e3o h\u00e1 um museu que preserve e divulgue o acervo dessas unidades produtivas que foram fechando, tanto no que se refere a lou\u00e7as (porcelanas e faian\u00e7as) e azulejaria, como \u00e0 ind\u00fastria do barro vermelho e \u00e0 olaria, o mesmo se passando com os equipamentos produtivos, desde os artesanais at\u00e9 aos industriais.<\/p>\n<p>Nas instala\u00e7\u00f5es do Centro de Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional ainda existe um dos antigos fornos da F\u00e1brica Jer\u00f3nimo Pereira Campos, forno que poderia ter um enquadramento museol\u00f3gico de modo a ter um papel formativo e informativo sobre a cozedura do barro vermelho e do gr\u00e9s praticada nessa antiga f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Das f\u00e1bricas que fecharam nos \u00faltimos anos, tal como das que encerraram ao longo do s\u00e9culo XX, praticamente nada resta que possa ser reutilizado num museu que tenha uma componente de arqueologia industrial, em que o visitante possa \u201cacompanhar\u201d a evolu\u00e7\u00e3o dos equipamentos usados na ind\u00fastria de cer\u00e2mica aveirense.<\/p>\n<p>Lou\u00e7as e azulejos<\/p>\n<p>Das lou\u00e7as produzidas em Aveiro h\u00e1 ainda pe\u00e7as suficientes e de boa qualidade em cole\u00e7\u00f5es particulares. Mesmo produ\u00e7\u00f5es mais antigas ainda est\u00e3o dispon\u00edveis para venda, n\u00e3o s\u00f3 em antiqu\u00e1rios e casas da especialidade, como tamb\u00e9m atrav\u00e9s da Internet, como facilmente se pode constatar.<\/p>\n<p>Azulejos antigos produzidos em Aveiro ainda v\u00e3o persistindo em fachadas, um pouco por toda a cidade. No entanto, muito se perdeu e se continua a perder com substitui\u00e7\u00e3o de antigas habita\u00e7\u00f5es por novos edif\u00edcios.<\/p>\n<p>O Banco do Azulejo, da C\u00e2mara Municipal de Aveiro, possui um bom acervo que poderia ser a base da sec\u00e7\u00e3o de azulejaria de um futuro Museu da Cer\u00e2mica Aveirense, cuja localiza\u00e7\u00e3o ideal seria o edif\u00edcio da antiga Esta\u00e7\u00e3o da CP, que apresenta quase meia centena de pain\u00e9is de azulejos nas suas fachadas exteriores.<\/p>\n<p>Com contributo de muitos<\/p>\n<p>Felizmente, algumas das empresas abaixo enunciadas ainda laboram. Das outras, que j\u00e1 encerraram a produ\u00e7\u00e3o, muitas est\u00e3o completamente esquecidas na mem\u00f3ria das novas gera\u00e7\u00f5es de aveirenses. <\/p>\n<p>Emuneramos as f\u00e1bricas: Argilart, Argitral, Artibus, Buraco, Cer\u00e2mica Aveirense, Duarte &#038; Gra\u00e7a, Duarte Tavares Lebre &#038; Companhia, Empresa de Cer\u00e2mica da Fonte Nova, Empresa de Cer\u00e2mica do Vouga, Empresa de Lou\u00e7as e Azulejos, Empresa Olarias Aveirenses, F\u00e1brica Aleluia, F\u00e1brica da Pinheira, F\u00e1brica de Lou\u00e7as da Fonte Nova, F\u00e1brica de Lou\u00e7as dos Santos M\u00e1rtires, F\u00e1brica do C\u00f4jo, F\u00e1brica Jer\u00f3nimo Pereira Campos, Faian\u00e7as da Capoa, Faian\u00e7as de S. Roque, Faian\u00e7as Primagera, Funceramics, Ibis, Neocl\u00e1ssica, NG, Olarte, Porcelanas das Leirinhas, Primus Vit\u00f3ria, Regipor, Vidrocer\u00e2mica, Vit\u00f3ria &#038; Irm\u00e3o.<\/p>\n<p>O patrim\u00f3nio cer\u00e2mico aveirense tamb\u00e9m deve muito a artistas e artes\u00e3os como Afonso Henrique, Alberta, Anibal, Evaristo Silva, Felica, Francisco Cunha, Jaime Borges, Jo\u00e3o Mateus, Jos\u00e9 Loura, Rui Campos, Vasco Branco, Z\u00e9 Augusto, entre outros que continuam a criar arte, a que se junta ainda Fernando Jos\u00e9 e o CEARTE.<\/p>\n<p>A. Menezes, Armando Andrade, C\u00e2ndido Teles, David Cristo, Francisco Pereira, Jo\u00e3o Calisto, Jo\u00e3o Marques Oliveira e Lic\u00ednio Pinto foram alguns dos artistas j\u00e1 falecidos que deixaram o seu nome ligado \u00e0 cer\u00e2mica aveirense.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora com grande tradi\u00e7\u00e3o na cer\u00e2mica, falta a Aveiro um museu que preserve lou\u00e7as, m\u00e1quinas e processos produtivos. 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