{"id":19707,"date":"2011-01-12T15:08:00","date_gmt":"2011-01-12T15:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19707"},"modified":"2011-01-12T15:08:00","modified_gmt":"2011-01-12T15:08:00","slug":"aprender-a-agradecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/aprender-a-agradecer\/","title":{"rendered":"Aprender a agradecer"},"content":{"rendered":"<p>A gratid\u00e3o pelo dom da vida \u00e9 um tra\u00e7o caracter\u00edstico de todas as religi\u00f5es e marcante na f\u00e9 crist\u00e3. Mas devido ao ritmo e estilo de vida nas sociedades modernas, pode tornar-se uma atitude esquecida.<\/p>\n<p>Timothy Radcliffe, o.p, em \u201cIr \u00e0 Igreja porqu\u00ea?\u201d (livro recenseado na edi\u00e7\u00e3o de 22 de Dezembro), nota que \u201cas pessoas que contactam com a terra e com o milagre anual da fertilidade raramente s\u00e3o ateias. Contudo, num supermercado, os vegetais s\u00e3o revestidos de pl\u00e1stico e tornam-se mais produtos do que dons\u201d.<\/p>\n<p>No ambiente cada vez mais urbano em que vivemos (note-se, no entanto, que a expans\u00e3o dos cristianismo nascente foi essencialmente urbana), tudo \u00e9 constru\u00eddo pelas m\u00e3os humanas, h\u00e1 mais bul\u00edcio, menos sil\u00eancio, menos abertura \u00e0 gratid\u00e3o. Ant\u00f3nio Al\u00e7ada Baptista, salvaguardando que n\u00e3o tinha grandes sentimentos buc\u00f3licos, dizia que \u201c\u00e9 necess\u00e1rio saber deitar as coisas na terra e sentir que elas crescem e levam tempo a crescer\u201d, porque h\u00e1 toda uma \u201cabissal dist\u00e2ncia entre plantar uma couve e escrever um of\u00edcio numa reparti\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Radcliffe conta uma hist\u00f3ria elucidativa:<\/p>\n<p>Quando Oshida orientava um retiro aos bispos asi\u00e1ticos, mandava-os para aos arrozais, nos primeiros dias, para plantarem arroz, e recusava-se a deix\u00e1-los parar por causa das dores de costas e de joelhos. Escreveu ele: \u201cUm campon\u00eas que trabalha duramente, desde a aurora at\u00e9 ao crep\u00fasculo, sabe que um gr\u00e3o de arroz n\u00e3o \u00e9 um produto seu, uma coisa feita pelo seu pr\u00f3prio esfor\u00e7o, mas algo que lhe \u00e9 dado, por Deus. Deve oferecer o gr\u00e3o de arroz a Deus que est\u00e1 oculto, mas que tudo d\u00e1. Deve dizer: \u2018Isto \u00e9 vosso\u2019\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o admira, por isso, que em algumas cidades estejam a surgir hortas, ou que de vez em quando volte a moda dos bonsais, ou que alguns criem jardins nas varandas. Na realidade, mais do que da economia da horta e da est\u00e9tica das varandas, precisamos de escutar os crescimentos demorados e silenciosos, que s\u00e3o sempre dons que nos ultrapassam e sinais do autor da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gratid\u00e3o pelo dom da vida \u00e9 um tra\u00e7o caracter\u00edstico de todas as religi\u00f5es e marcante na f\u00e9 crist\u00e3. Mas devido ao ritmo e estilo de vida nas sociedades modernas, pode tornar-se uma atitude esquecida. Timothy Radcliffe, o.p, em \u201cIr \u00e0 Igreja porqu\u00ea?\u201d (livro recenseado na edi\u00e7\u00e3o de 22 de Dezembro), nota que \u201cas pessoas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-19707","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19707","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19707"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19707\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}