{"id":19763,"date":"2012-03-22T09:59:00","date_gmt":"2012-03-22T09:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19763"},"modified":"2012-03-22T09:59:00","modified_gmt":"2012-03-22T09:59:00","slug":"nove-meses-e-pouco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/nove-meses-e-pouco\/","title":{"rendered":"Nove meses \u00e9 pouco"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Muito pouco. Sendo n\u00f3s t\u00e3o \u00abimportantes\u00bb na escala animal, por que \u00e9 que nascemos t\u00e3o fr\u00e1geis e t\u00e3o fr\u00e1geis continuamos durante tantos anos?<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a vida depende, at\u00e9 ao fim, do carinho de quem nos rodeia. Em termos de qualidade de vida, e n\u00e3o apenas de sobreviv\u00eancia, \u00e9 falso dizer que alguns anos chegam para nos podermos desenvencilhar neste mundo. Na realidade, muita gente definha e morre at\u00e9, por n\u00e3o encontrar, ao longo das diferentes fases da vida, o \u201csegundo \u00fatero\u201d (ou \u201c\u00fatero social\u201d) que nos permite consolidar a personalidade e desenvolver as potencialidades; um \u201csegundo \u00fatero\u201d que estrutura e fortalece o nosso poder de interac\u00e7\u00e3o, ensinando-nos a dar aos outros um carinho criador. E n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o apenas do grupo da fam\u00edlia, dos amigos ou dos que trabalham \u00e0 nossa volta. \u00c9 o grande grupo da na\u00e7\u00e3o ou de uma uni\u00e3o europeia: ser\u00e1 que as leis, as directivas, os projectos\u2026 reflectem uma genu\u00edna preocupa\u00e7\u00e3o pela sa\u00fade total de cada ser humano?<\/p>\n<p>As leituras de hoje d\u00e3o a entender que nesse \u201c\u00fatero\u201d \u00e9 que se forma o sabor da vida e um cora\u00e7\u00e3o que, \u00e0 medida que vai pulsando, vai afirmando e transmitindo vida. Esta vontade colectiva \u00e9 fonte de prazer, mas tamb\u00e9m tem o seu pre\u00e7o: no empenho por criar condi\u00e7\u00f5es de interac\u00e7\u00e3o positiva, estamos a dar a pr\u00f3pria vida para que haja mais vida. S\u00e3o as pequeninas mortes do dia-a-dia. Todavia, porque cada uma dessas pequeninas (ou grandes!) mortes \u00e9 fonte de mais vida, o nosso dia-a-dia \u00e9 feito tamb\u00e9m de pequeninas (ou grandes!) ressurrei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O evangelho fala de \u00abdesprezar a vida\u00bb, para que a vida d\u00ea muito fruto. Essa express\u00e3o semita significa estar disposto a reconhecer que h\u00e1 valores sem os quais a pr\u00f3pria vida perderia sentido e at\u00e9 aquele sabor genu\u00edno que s\u00f3 os seres humanos t\u00eam o dom de descobrir. Valores que orientam e defendem a pessoa.<\/p>\n<p>Cristo escolheu orientar a vida pelo amor: amou, sem se envergonhar de o dar claramente a entender (\u00abAmor\u00bb \u00e9 de facto palavra gasta \u2013 sobretudo na publicidade e novelas de todos os tipos; mas tamb\u00e9m o \u00e9 na esfera religiosa, ao ser usada quando n\u00e3o se sabe o que h\u00e1 para dizer nem o que quer dizer, ou ainda para desculpar o que n\u00e3o passa de boas inten\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>Os seguidores de Jesus, desde o princ\u00edpio at\u00e9 aos nossos dias, defrontam-se com o pre\u00e7o a pagar para serem coerentes com os princ\u00edpios da justi\u00e7a. H\u00e1 cada vez mais ego\u00edsmo que mata, cada vez mais seres humanos rejeitados e perseguidos por um \u201c\u00fatero social\u201d que n\u00e3o aceita filhos avisados e honestos. Como tamb\u00e9m se imp\u00f5em ideais e princ\u00edpios morais mal fundamentados, cuja aplica\u00e7\u00e3o pode destruir a vida de quem quer viver a s\u00e9rio. <\/p>\n<p>A 2.\u00aa leitura \u00e9 tirada de uma carta demasiado dependente da tradi\u00e7\u00e3o sacerdotal da cultura hebraica, dif\u00edcil para a cultura actual e bastante discut\u00edvel. O que interessa sublinhar \u00e9 como Deus tornou sens\u00edvel a sua \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o maternal\u201d, suscitando um profeta que podia olhar os olhos de Deus (Actos dos Ap\u00f3stolos 3,13-26), consciente de que a gl\u00f3ria da justi\u00e7a n\u00e3o vem sem sofrimento. <\/p>\n<p>O evangelho refere a ang\u00fastia de Jesus perante a amea\u00e7a crescente contra a sua vida. Mas o evangelista apressa-se a acrescentar que foi ent\u00e3o que se sentiu a ac\u00e7\u00e3o ben\u00e9fica do \u201c\u00fatero de Deus\u201d \u2013 o Deus \u00abpai e m\u00e3e\u00bb, que tamb\u00e9m Jeremias (1.\u00aa leitura) percepcionou e que nos entusiasma para pensar e lutar pelo mundo novo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00abo gr\u00e3o de trigo\u00bb ainda tinha que estar muito tempo escondido, germinando lentamente, at\u00e9 que a for\u00e7a do Esp\u00edrito de Deus tornasse os seguidores do Cristo capazes de reconhecerem como ter a vida de Deus \u00e9 apostar numa vida cheia de alegria \u201capesar de tudo\u201d. Nesse tempo, como nos nossos dias, foi e \u00e9 necess\u00e1rio um prolongado \u201csegundo \u00fatero\u201d, tanto mais necess\u00e1rio quanto mais \u00f3rf\u00e3os nos sentimos. <\/p>\n<p>S\u00f3 ama \u201ca s\u00e9rio\u201d quem est\u00e1 disposto a dar a vida por quem ama (n\u00e3o fazem isso os pais, educadores e qualquer outro profissional \u201ca s\u00e9rio\u201d?) \u2013 e quem est\u00e1 empenhado na forma\u00e7\u00e3o de \u00absegundos \u00fateros\u00bb para al\u00e9m dos \u00abnove meses\u00bb\u2026<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-19763","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19763"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19763\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}