{"id":19810,"date":"2012-03-22T09:57:00","date_gmt":"2012-03-22T09:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19810"},"modified":"2012-03-22T09:57:00","modified_gmt":"2012-03-22T09:57:00","slug":"em-que-se-baseia-a-igreja-para-afirmar-que-o-matrimonio-e-um-sacramento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/em-que-se-baseia-a-igreja-para-afirmar-que-o-matrimonio-e-um-sacramento\/","title":{"rendered":"Em que se baseia a Igreja para afirmar que o matrim\u00f3nio \u00e9 um sacramento?"},"content":{"rendered":"<p>Perguntas &#038; Respostas<\/p>\n<p>Matrim\u00f3nio, um caminho a dois <!--more--> \u00c9 verdade que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma passagem b\u00edblica que, expressamente, relate a institui\u00e7\u00e3o do sacramento do matrim\u00f3nio por Jesus ou que recolha a unanimidade dos te\u00f3logos. Por isso, deixem-me fazer um pouco de hist\u00f3ria: No Antigo Testamento, particularmente nos Profetas Oseias, Jeremias, Ezequiel e Malaquias, Deus aparece como esposo do seu povo e, j\u00e1 no Novo Testamento, a vinda de Jesus \u00e9 tida como a vinda do esposo (Mt 9,15) e Jo\u00e3o Baptista \u00e9 o amigo do noivo (Jo 3,19). No entanto, \u00e9 o epis\u00f3dio das bodas de Can\u00e1 que aparece como ponto de refer\u00eancia, de interesse, de b\u00ean\u00e7\u00e3o e at\u00e9 de carinho para com esta realidade. Mas \u00e9, sobretudo, nas Cartas de Paulo que encontramos dados mais positivos sobre o sacramento do matrim\u00f3nio. Costumam citar-se dois textos de Paulo: <\/p>\n<p>&#8211; 1 Cor 7,39, onde Paulo recomenda aos crist\u00e3os contrair matrim\u00f3nio \u201cno Senhor\u201d, o que equivale a dizer que o matrim\u00f3nio entre crist\u00e3os, embora casassem como toda a gente, como j\u00e1 dissemos, \u00e9 uma realidade que n\u00e3o pertence, apenas, ao plano natural, mas adquire uma nova dimens\u00e3o, a dimens\u00e3o da gra\u00e7a, a ser assumida pelo homem novo \u00e0 imagem de Jesus Cristo conforme diz o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica (CIC), n.\u00ba 1615).<\/p>\n<p>&#8211; Ef 5,21-32: O matrim\u00f3nio, todo o matrim\u00f3nio, \u00e9 express\u00e3o do amor de Cristo pela Sua Igreja da\u00ed que se considere imerso na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e sinal dessa mesma salva\u00e7\u00e3o. Da\u00ed o inciso: \u201cMaridos amai as vossas esposas como Cristo amou a sua Igreja e se entregou por ela\u2026 Grande mist\u00e9rio \u00e9 este, refiro-me \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre Cristo e a Igreja\u2026\u201d <\/p>\n<p>\u00c9 a partir daqui que esta nova mentalidade sobre o matrim\u00f3nio vai provocando comportamentos novos por parte dos crist\u00e3os que t\u00eam de lutar contra um mundo greco-romano, bastante permissivo no aspeto sexual, e, ao mesmo tempo, t\u00eam de se opor a alguns movimentos her\u00e9ticos que viam no casamento uma realidade que tinha a sua origem no princ\u00edpio do mal. Por outro lado, e at\u00e9 para se poderem defender de uns e de outros, a Igreja come\u00e7a a ter legisla\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e a n\u00e3o aceitar o princ\u00edpio da dissolu\u00e7\u00e3o do casamento proposto pelo direito romano (embora n\u00e3o se saiba muito bem o que fazia com os crist\u00e3os que se separavam e casavam segunda vez\u2026). E tudo isto, segundo os padres da Igreja, tem o seu fundamento na bondade da cria\u00e7\u00e3o e na b\u00ean\u00e7\u00e3o dada por Cristo ao matrim\u00f3nio nas bodas de Can\u00e1.<\/p>\n<p> A partir do s\u00e9c. XII, j\u00e1 o matrim\u00f3nio come\u00e7a a fazer parte dos sete sacramentos e a Igreja assume-se com compet\u00eancia exclusiva para legislar sobre ele. Mas \u00e9, sobretudo, com o Conc\u00edlio de Trento que se produz uma importante reflex\u00e3o teol\u00f3gica sobre o matrim\u00f3nio a partir de uma dupla perspetiva: defini\u00e7\u00e3o das verdades dogm\u00e1ticas negadas ou contestadas pelos protestantes e a realiza\u00e7\u00e3o das reformas necess\u00e1rias para a vida da Igreja. Frente ao protestantismo e aos Estados, a Igreja Cat\u00f3lica afirmar\u00e1, mais uma vez, o seu poder exclusivo sobre o matrim\u00f3nio e o seu car\u00e1cter sacramental: \u201cSe algu\u00e9m disser que o matrim\u00f3nio n\u00e3o \u00e9 verdadeira e propriamente um dos sete sacramentos da lei evang\u00e9lica, institu\u00eddo por Cristo Senhor, mas que \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o dos homens na Igreja e que n\u00e3o confere a gra\u00e7a, seja an\u00e1tema\u201d (Conc. de Trento, sess\u00e3o XXIV, 11 de novembro de 1563, De matrim\u00f3nio, c.1).<\/p>\n<p>Ser\u00e1, finalmente, o Conc\u00edlio Vaticano II a sistematizar, na Igreja, uma pastoral familiar adequada atrav\u00e9s da recupera\u00e7\u00e3o dos textos b\u00edblicos e dos dados hist\u00f3ricos em que a perspetiva da f\u00e9 vai superar a vertente meramente jur\u00eddica: \u201c\u2026E assim como outrora Deus veio ao encontro do seu povo com uma alian\u00e7a de amor e fidelidade, assim agora o salvador dos homens e esposo da Igreja vem ao encontro dos esposos crist\u00e3os com o sacramento do matrim\u00f3nio\u2026\u201d (GS 48).<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima semana: Sendo assim, em que \u00e9 que consiste o sacramento do matrim\u00f3nio? Quais s\u00e3o os seus elementos mais importantes?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perguntas &#038; Respostas Matrim\u00f3nio, um caminho a dois<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-19810","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19810","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19810"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19810\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19810"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19810"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19810"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}