{"id":19822,"date":"2012-05-02T15:14:00","date_gmt":"2012-05-02T15:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19822"},"modified":"2012-05-02T15:14:00","modified_gmt":"2012-05-02T15:14:00","slug":"paradoxos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/paradoxos-2\/","title":{"rendered":"Paradoxos"},"content":{"rendered":"<p>O pensamento n\u00e3o \u00e9 novo. Muitos o t\u00eam repetido insistentemente. A crise \u00e9 o momento oportuno para procurarmos um novo paradigma de vida, para nos convertermos a h\u00e1bitos de consumo mais s\u00f3brios, para sacudirmos a praga social da subsidiodepend\u00eancia enveredando por um esfor\u00e7o de criatividade e autonomia\u2026<\/p>\n<p>E muitos o t\u00eam vindo a fazer. Com substanciais cortes nos seus proveitos mensais, equacionaram atividades complementares, racionalizaram consumos, ensaiaram prioridades, passaram a abster-se de sup\u00e9rfluos que lhes pareciam necess\u00e1rios. E, no meio de tanta austeridade imposta, reequilibraram a sua vida, sem sobressaltos de maior.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, muitos de n\u00f3s resistimos a perceber que a vida n\u00e3o vai ser mais como at\u00e9 aqui, que o desenvolvimento sustentado e a vida digna nada t\u00eam a ver com luxos e desperd\u00edcios, muito menos com a permanente muleta do Estado a suportar a nossa neglig\u00eancia e mesmo pregui\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o se compreende, por exemplo, que os excessos das festas universit\u00e1rias levem milh\u00f5es, com reflexos nos custos da sa\u00fade, com ineg\u00e1vel inc\u00f3modo para quem precisa de descansar para trabalhar, enquanto estudantes abandonam as escolas por incapacidade de pagarem propinas ou se tornam \u201csem abrigo\u201d porque n\u00e3o conseguem pagar o alojamento. Tais gastos anunciados dariam para sustentar a escolaridade obrigat\u00f3ria de milhares de alunos durante um ano, em cada ano!&#8230; Ser\u00e1 que as Academias n\u00e3o poderiam tornar-se escolas de solidariedade, em vez de prosseguirem o rumo que levam?<\/p>\n<p>\u00c9 claro que os paradoxos mais graves n\u00e3o ser\u00e3o esses. Todos os dias os jornais noticiam o esc\u00e2ndalo de reformas milion\u00e1rias intoc\u00e1veis, ao lado de m\u00ednimos indignos que continuam a ser penalizados para salvar o pa\u00eds (ou este estado de coisas?!). Fica-nos a impress\u00e3o da exist\u00eancia de uma teia subtil, que amarra os movimentos do governo. E os privil\u00e9gios continuam, as situa\u00e7\u00f5es de exce\u00e7\u00e3o multiplicam-se, sobrando umas migalhas para atacar a fundo os problemas sociais graves, que acabam por n\u00e3o usufruir sen\u00e3o de p\u00e9ssimos cuidados paliativos.<\/p>\n<p>Sempre foi dif\u00edcil deitar m\u00e3o aos poderosos, faz\u00ea-los descer dos seus pedestais e perceberem que, por muito s\u00e1bios e importantes que sejam, s\u00e3o mortais como os demais. O poder econ\u00f3mico de h\u00e1 muito, desde sempre, condicionou e dominou o poder pol\u00edtico. Mas todos sabemos que os est\u00f4magos vazios, os sonhos frustrados, os futuros hipotecados podem gerar tsunamis sociais incontrol\u00e1veis. Talvez valha a pena tomar a peito as palavras do poeta popular: \u201cV\u00f3s, que l\u00e1 do vosso imp\u00e9rio prometeis um mundo novo\u2026 Cuidado! Que pode o povo querer um mundo novo a s\u00e9rio!\u201d <\/p>\n<p>Temos condi\u00e7\u00f5es para pensar serenamente e agir com firmeza, devolvendo \u00e0s pessoas a sua dignidade. Mas \u00e9 necess\u00e1ria, de facto, a firmeza. Alguns s\u00f3 aprendem mesmo com um murro na mesa!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pensamento n\u00e3o \u00e9 novo. Muitos o t\u00eam repetido insistentemente. A crise \u00e9 o momento oportuno para procurarmos um novo paradigma de vida, para nos convertermos a h\u00e1bitos de consumo mais s\u00f3brios, para sacudirmos a praga social da subsidiodepend\u00eancia enveredando por um esfor\u00e7o de criatividade e autonomia\u2026 E muitos o t\u00eam vindo a fazer. 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