{"id":19875,"date":"2012-03-28T17:39:00","date_gmt":"2012-03-28T17:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19875"},"modified":"2012-03-28T17:39:00","modified_gmt":"2012-03-28T17:39:00","slug":"em-que-consist-o-sacramento-do-matrimonio-quais-sao-os-seus-elementos-mais-importantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/em-que-consist-o-sacramento-do-matrimonio-quais-sao-os-seus-elementos-mais-importantes\/","title":{"rendered":"Em que consist o sacramento do matrim\u00f3nio? Quais s\u00e3o os seus elementos mais importantes?"},"content":{"rendered":"<p>Perguntas &#038; Respostas &#8211; Matrim\u00f3nio, um caminho a  dois <!--more--> Poderemos dividir a resposta em duas partes: numa perspetiva mais jur\u00eddica e noutra mais b\u00edblica. <\/p>\n<p>Na perspetiva jur\u00eddica, imp\u00f5e-se dois conceitos muito caros \u00e0 filosofia escol\u00e1stica: a mat\u00e9ria e a forma, que, ali\u00e1s, j\u00e1 vinham de Arist\u00f3teles. Ent\u00e3o, a mat\u00e9ria do sacramento ser\u00e3o as palavras do contrato enquanto expressam a m\u00fatua doa\u00e7\u00e3o dos direitos conjugais, e a forma ser\u00e3o as palavras de aceita\u00e7\u00e3o daqueles mesmos direitos. Quer dizer que o que est\u00e1 em causa, aqui, s\u00e3o as pessoas dos contraentes enquanto seres complementares que se entregam e se aceitam um ao outro por um ato de vontade, livre e irrevog\u00e1vel, aberto \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Noutra perspetiva, mais b\u00edblica, particularmente a partir do Vaticano II, o \u00eanfase p\u00f5e-se partindo de Jesus Cristo que, qual esposo da Igreja, sai ao encontro dos esposos e permanece com eles (GS 48). Dir\u00e1 S. Paulo, em texto que j\u00e1 cit\u00e1mos \u201cGrande mist\u00e9rio \u00e9 este\u2026. digo-o em rela\u00e7\u00e3o a Cristo e \u00e0 Igreja\u2026\u201d. Parte daqui todo um conjunto de exig\u00eancias de prepara\u00e7\u00e3o para celebrar este sacramento, as quais n\u00e3o poder\u00e3o limitar-se \u00e0 idade ou capacidade ou, apenas, vontade de casar, mas que p\u00f5em em jogo a capacidade de doa\u00e7\u00e3o de cada um \u00e0 semelhan\u00e7a do pr\u00f3prio Cristo, o seu grau de ades\u00e3o (ou n\u00e3o) a este mist\u00e9rio atrav\u00e9s da f\u00e9 e o seu grau de perten\u00e7a \u00e0 Igreja como esposa e m\u00e3e. Est\u00e1 aqui a base daquilo que o conc\u00edlio chamou \u00e0 fam\u00edlia, \u201cIgreja dom\u00e9stica\u201d, e que, hoje, poderemos chamar, tamb\u00e9m a \u201cfam\u00edlia mission\u00e1ria\u201d, no sentido de que Deus se serve dos esposos enquanto tais para serem anunciadores do Seu des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o vivido no amor conjugal. <\/p>\n<p>Mas, nos tempos de hoje, onde os sentimentos \u2013 que s\u00e3o cegos \u2013 determinam as decis\u00f5es e a palavra passa como o vento, permitam-me que chame a aten\u00e7\u00e3o para um aspeto que acho essencial para a celebra\u00e7\u00e3o dos matrim\u00f3nios,  que tem conduzido a um grande n\u00famero de nulidades matrimoniais \u2013 quase 80% de todas as nulidades \u2013 e que tem a ver com o consentimento matrimonial. Duma forma simples, poderemos dizer que \u00e9 o momento em que o noivo e a noiva se encontram, um diante do outro, e se comprometem com um projeto de vida que, a partir dali, conjugar\u00e1 a pessoa de um e de outro num \u201cn\u00f3s\u201d. \u00c9 ele que funda o matrim\u00f3nio e, de acordo com o c\u00e2none 1057,  consiste: \u201cNum ato de vontade pelo qual o homem e a mulher se entregam e recebem mutuamente por pacto irrevog\u00e1vel a fim de constitu\u00edrem o matrim\u00f3nio\u201d.<\/p>\n<p>Este consentimento exige um conhecimento te\u00f3rico do que \u00e9 o matrim\u00f3nio e um conhecimento pr\u00e1tico dos direitos e deveres que o futuro matrim\u00f3nio comporta e da pessoa com quem me vou casar. Por outro lado, exige uma delibera\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, um pesar dos \u2018pr\u00f3s\u2019 e dos \u2018contras\u2019 em rela\u00e7\u00e3o ao sacramento que pretendo realizar e que este sacramento seja como a Igreja o prop\u00f5e e n\u00e3o como eu imagino ou penso que deve ser. Podemos chamar a isto uma decis\u00e3o amadurecida. Por fim, \u00e9 necess\u00e1ria a liberdade interior e a capacidade para cumprir aquilo com que me vou comprometer: \u201c\u2026Amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na sa\u00fade e na doen\u00e7a, todos os dias da nossa vida\u2026\u201d<\/p>\n<p>Podemos dizer, em conclus\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil casar? N\u00e3o. Embora, ao olharmos para a forma como o nosso Estado trata os casamentos num casa e descasa cada vez mais f\u00e1cil e mais r\u00e1pido, tudo nos pare\u00e7a algo de somenos import\u00e2ncia, tal a facilidade com que se fazem e desfazem. Talvez por isso, estarmos onde estamos no n\u00famero de casamentos, de div\u00f3rcios, \u00edndices de natalidade, problemas educacionais, etc. \u00c9 ali, no ber\u00e7o daquele casamento, que tudo brota (ou n\u00e3o)\u2026 <\/p>\n<p>Ao falar do casamento como o temos hoje, lembro-me do exemplo da tropa de antigamente: quem podia escolher ia para a For\u00e7a A\u00e9rea, outros para a Marinha e o resto para o Ex\u00e9rcito. Isto sem desprimor por qualquer dos tr\u00eas ramos. Neste tema do estado civil de cada um, tamb\u00e9m pode acontecer algo parecido: uns v\u00e3o para padres ou freiras, outros ficam solteiros e o resto\u2026 casamento. Esquecemos, muitas vezes, que, para casar, embora o casar seja um direito natural,  \u00e9 preciso ter voca\u00e7\u00e3o e nem todos a t\u00eam para casar. Assim, por ex.: quem \u00e9 ego\u00edsta, quem n\u00e3o sabe perdoar, quem n\u00e3o aceita o di\u00e1logo, quem n\u00e3o aceita perder hoje para ganhar amanh\u00e3, quem n\u00e3o tem esp\u00edrito de sacrif\u00edcio, etc., etc., n\u00e3o serve, nem devia casar. \u00c9 uma coisa s\u00e9ria e comprometedora, n\u00e3o s\u00f3 para toda a vida dos dois, mas tamb\u00e9m para terceiros, os filhos e que, por isso, n\u00e3o pode estar apenas dependente de um amor de ver\u00e3o ou de um dia por mais bonito que seja ou de um \u00e1lbum por mais original que se apresente. O matrim\u00f3nio compromete a vida toda e toda a vida.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima semana: E o que \u00e9 que acontece quando algu\u00e9m casou e o seu casamento fracassou? Qual \u00e9 a sua situa\u00e7\u00e3o perante a Igreja? Pode voltar a refazer a sua vida?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perguntas &#038; Respostas &#8211; Matrim\u00f3nio, um caminho a dois<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-19875","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19875","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19875"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19875\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}