{"id":19890,"date":"2012-04-18T16:40:00","date_gmt":"2012-04-18T16:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19890"},"modified":"2012-04-18T16:40:00","modified_gmt":"2012-04-18T16:40:00","slug":"depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/depressao\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Sa\u00fade <!--more--> Cerca de 20% das pessoas portuguesas ter\u00e3o uma depress\u00e3o forte num determinado per\u00edodo das suas vidas. A maioria dos suic\u00eddios cometidos todos os anos no nosso pa\u00eds est\u00e1 ligada \u00e0 depress\u00e3o. A depress\u00e3o causa incapacidades, perda de anos de vida e contribui para a redu\u00e7\u00e3o da qualidade de vida. Os custos pessoais e sociais da doen\u00e7a s\u00e3o muito elevados. Esta encontra-se reconhecida no Plano Nacional de Sa\u00fade como um problema primordial de sa\u00fade p\u00fablica. Texto de Jos\u00e9 Carlos A. Costa<\/p>\n<p>O que \u00e9 a depress\u00e3o?<\/p>\n<p>A depress\u00e3o \u00e9 um conjunto de sentimentos de tristeza, desalento, pessimismo e uma perda geral de interesse na vida, combinados com um sentimento de mal-estar f\u00edsico e de incapacidade generalizada. A maioria das pessoas experimenta ocasionalmente estes sentimentos como rea\u00e7\u00e3o normal a um dado acontecimento. Assim, por exemplo, \u00e9 natural sentirmo-nos deprimidos com a morte de um parente. Por\u00e9m, se a depress\u00e3o ocorre sem causa aparente, demasiado profunda e persistente, assume ent\u00e3o o car\u00e1ter de depress\u00e3o patol\u00f3gica. Em casos extremos, os pacientes podem ter ideias delirantes, concordantes com o humor deprimido, a autoestima muito baixa e pessimismo geral, sendo frequentes os del\u00edrios de ru\u00edna, sentimentos de culpa e de doen\u00e7a.<\/p>\n<p> A intensidade dos sintomas pode variar com a hora do dia. Com efeito, na sua maior parte, as pessoas deprimidas sentem-se ligeiramente melhor \u00e0 medida que o dia avan\u00e7a, mas algumas pessoas pioram \u00e0 noite. Se a doen\u00e7a depressiva evolui sem tratamento, os sintomas tornam-se cada vez mais evidentes. A pessoa pode retrair-se completamente e passar a maior parte do tempo na cama, isolada de tudo e de todos ou manifestar idea\u00e7\u00e3o suicid\u00e1ria, marcada por tentativas de suic\u00eddio repetidas ou mesmo concretizadas.<\/p>\n<p>Principais causas<\/p>\n<p>Em geral, uma doen\u00e7a depressiva n\u00e3o tem uma causa \u00fanica evidente. Pode ser desencadeada por certas doen\u00e7as f\u00edsicas (como uma infe\u00e7\u00e3o viral), por desordens hormonais (como hiper\/hipotiroidismo) ou pelas altera\u00e7\u00f5es hormonais que ocorrem depois do parto (depress\u00e3o p\u00f3s-parto). Alguns medicamentos s\u00e3o fatores contributivos. Se a crise depressiva se enquadrar na doen\u00e7a man\u00edaco-depressiva, a hereditariedade pode desempenhar o seu papel, pois esta doen\u00e7a tem uma n\u00edtida incid\u00eancia familiar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das causas biol\u00f3gicas, s\u00e3o fundamentais os fatores sociais e relacionais. A aus\u00eancia de uma rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-filho satisfat\u00f3ria pode conduzir \u00e0 depress\u00e3o infantil e prolongar-se em est\u00e1dios posteriores da vida, sobretudo quando agravada por circunst\u00e2ncias sociais dif\u00edceis. Por exemplo, uma mulher cuja m\u00e3e tenha morrido cedo ou sido uma crian\u00e7a abandonada ou mal cuidada pode ser particularmente vulner\u00e1vel e insuficiente quando ela pr\u00f3pria for m\u00e3e. As crises depressivas est\u00e3o diretamente relacionadas com acontecimentos perturbadores e com fases cr\u00edticas do ciclo vital da pessoa, sendo os per\u00edodos de maior risco a adolesc\u00eancia, a maternidade e a velhice.<\/p>\n<p>Incid\u00eancia<\/p>\n<p>A depress\u00e3o \u00e9 a doen\u00e7a psiqui\u00e1trica mais comum. Cerca de 20% das pessoas sofrem de depress\u00e3o num dado momento da vida, especialmente nas formas mais ligeiras. A doen\u00e7a man\u00edaco-depressiva, mais grave, afeta apenas 1 ou 2% das pessoas deprimidas, mas a incid\u00eancia de todas as formas de depress\u00e3o aumenta com a idade, o que pode dever-se a isolamento, enfraquecimento das capacidades mentais e doen\u00e7a cong\u00e9nita. <\/p>\n<p>A depress\u00e3o parece ser mais comum entre as mulheres, cifrando-se em cerca de um em seis o n\u00famero daquelas que, num dado momento da sua vida, procuram ajuda especializada para a depress\u00e3o (em contraste com a propor\u00e7\u00e3o de um em nove homens). Esta diferen\u00e7a pode resultar de uma maior incid\u00eancia feminina ou apenas do facto de as mulheres estarem mais recetivas a consultar o m\u00e9dico, enquanto os homens recorrer\u00e3o com mais frequ\u00eancia ao \u00e1lcool, \u00e0 viol\u00eancia ou a outros equivalentes depressivos.<\/p>\n<p>Progn\u00f3stico<\/p>\n<p>Embora a doen\u00e7a depressiva seja uma causa vulgar de dificuldades e de problemas sociais, o progn\u00f3stico \u00e9 bom em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maior parte dos doentes que tenham tratamento e vigil\u00e2ncia adequados. O principal risco \u00e9 o suic\u00eddio. Nas sociedades ocidentais, a taxa de suic\u00eddios \u00e9 de cerca de 20 por 100 000 habitantes, e pelo menos 80% destas mortes est\u00e3o relacionadas com a depress\u00e3o. A taxa \u00e9 mais elevada entre os homens idosos socialmente isolados e fisicamente doentes, mas est\u00e1 a aumentar entre as camadas mais jovens. <\/p>\n<p>As pessoas com depress\u00e3o grave e prolongada (especialmente os idosos) podem precisar de tratamento cont\u00ednuo. Em contrapartida, muitas pessoas que sofrem de depress\u00e3o n\u00e3o precisam de internamento hospitalar e recuperam bem.   <\/p>\n<p>Alguns sintomas <\/p>\n<p>da depress\u00e3o<\/p>\n<p>Estes variam com a gravidade da doen\u00e7a. Numa pessoa com depress\u00e3o ligeira, os principais sintomas s\u00e3o a ansiedade e um humor inst\u00e1vel, e, por vezes, crises de choro sem raz\u00e3o aparente. A v\u00edtima de uma depress\u00e3o mais s\u00e9ria pode sofrer de falta de apetite, dificuldade em dormir, falta de interesse e de prazer nas atividades sociais, sensa\u00e7\u00e3o de cansa\u00e7o e falta de concentra\u00e7\u00e3o. Os movimentos e o racioc\u00ednio podem tornar-se mais lentos, em alguns casos, por\u00e9m, acontece o contr\u00e1rio e a pessoa torna-se extremamente ansiosa e agitada. As pessoas gravemente deprimidas podem ter ideias de morte e\/ou de suic\u00eddio e alimentar sentimentos de culpa ou de inutilidade.   <\/p>\n<p>Tr\u00eas caracter\u00edsticas t\u00edpicas da depress\u00e3o: <\/p>\n<p>\u2022 Altera\u00e7\u00e3o inexplic\u00e1vel do humor, por mais de um dia;<\/p>\n<p>\u2022 Perda do interesse pela vida e do prazer;<\/p>\n<p>\u2022 Diminui\u00e7\u00e3o acentuada da energia f\u00edsica ou surgimento s\u00fabito da fatigabilidade.<\/p>\n<p>Quatro dos principais sintomas:<\/p>\n<p>\u2022 Perda da confian\u00e7a ou da autoestima;<\/p>\n<p>\u2022 Sentimentos de autorreprova\u00e7\u00e3o ou de culpabilidade;<\/p>\n<p>\u2022 Pensamentos recorrentes de morte ou suic\u00eddio;<\/p>\n<p>\u2022 Dist\u00farbio do sono sem causa aparente.<\/p>\n<p>Como se previne <\/p>\n<p>a depress\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2022 Estar ocupado e ter objetivos definidos;<\/p>\n<p>\u2022 Ser soci\u00e1vel e estar integrado no projeto de vida familiar e comunit\u00e1rio; <\/p>\n<p>\u2022 Ter uma vida mental saud\u00e1vel, ultrapassando os medos e cultivando o otimismo;<\/p>\n<p>\u2022 Ser r\u00e1pido e determinado na procura de apoio.<\/p>\n<p>Teste: Tem propens\u00e3o para a depress\u00e3o?<\/p>\n<p>Esta t\u00e9cnica de diagn\u00f3stico consiste em trinta perguntas que s\u00e3o dirigidas \u00e0 pessoa suspeita de depress\u00e3o.  Responde-se com um sim ou n\u00e3o. Na pr\u00f3xima semana, daremos a chave para conhecer os resultados deste question\u00e1rio.<\/p>\n<p>1. Est\u00e1 satisfeito(a) com a sua vida?<\/p>\n<p>2. Colocou de lado muitas das suas atividades e interesses?<\/p>\n<p>3. Sente a sua vida vazia? <\/p>\n<p>4. Fica muitas vezes aborrecido(a)?<\/p>\n<p>5. Tem esperan\u00e7a no futuro?<\/p>\n<p>6. Anda incomodado(a) com pensamentos que n\u00e3o consegue afastar?<\/p>\n<p>7. Est\u00e1 bem-disposto(a) a maior parte do tempo?<\/p>\n<p>8. Tem medo que lhe v\u00e1 acontecer algo de mal?<\/p>\n<p>9. Sente-se feliz a maior parte do tempo?<\/p>\n<p>10. Sente-se muitas vezes sem aux\u00edlio\/desamparado(a)?<\/p>\n<p>11. Fica muitas vezes inquieto(a) e nervoso(a)?<\/p>\n<p>12. Prefere ficar em casa a sair e fazer coisas novas?<\/p>\n<p>13. Preocupa-se muitas vezes com o futuro?<\/p>\n<p>14. Pensa que tem mais problemas de mem\u00f3ria do que os outros?<\/p>\n<p>15. Pensa que \u00e9 bom estar vivo(a)?<\/p>\n<p>16. Sente-se muitas vezes desanimado(a) e abatido(a)?<\/p>\n<p>17. Sente-se in\u00fatil?<\/p>\n<p>18. Preocupa-se muito com o passado?<\/p>\n<p>19. Considera a vida interessante?<\/p>\n<p>20. \u00c9 dif\u00edcil come\u00e7ar novas atividades?<\/p>\n<p>21. Sente-se cheio(a) de energia?<\/p>\n<p>22. Sente que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 desesperada?<\/p>\n<p>23. Pensa que a situa\u00e7\u00e3o da maioria das pessoas \u00e9 melhor do que a sua?<\/p>\n<p>24. Aflige-se muitas vezes com pequenas coisas?<\/p>\n<p>25. Tem dificuldades em se concentrar?<\/p>\n<p>26. Gosta de se levantar pela manh\u00e3?<\/p>\n<p>27. Prefere evitar encontrar-se com muitas pessoas?<\/p>\n<p>28. Tem dificuldade em tomar decis\u00f5es?<\/p>\n<p>29. O seu pensamento \u00e9 t\u00e3o claro como era antes?<\/p>\n<p>30. Houve perda de qualidade do sono?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sa\u00fade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-19890","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19890","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19890"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19890\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}