{"id":19949,"date":"2012-05-02T15:59:00","date_gmt":"2012-05-02T15:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19949"},"modified":"2012-05-02T15:59:00","modified_gmt":"2012-05-02T15:59:00","slug":"egas-salgueiro-da-epa-ao-teatro-aveirense-e-a-misericordia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/egas-salgueiro-da-epa-ao-teatro-aveirense-e-a-misericordia\/","title":{"rendered":"Egas Salgueiro Da EPA ao Teatro Aveirense e \u00e0 Miseric\u00f3rdia"},"content":{"rendered":"<p>Egas da Silva Salgueiro foi um empres\u00e1rio aveirense de grande prest\u00edgio no sector das pescas long\u00ednquas, em especial do bacalhau. Desempenhou tamb\u00e9m um papel relevante na Miseric\u00f3rdia de Aveiro e no Teatro Aveirense.<\/p>\n<p>No dia 16 de Mar\u00e7o de 1894, em Aveiro, nasceu Egas da Silva Salgueiro, filho de Jo\u00e3o da Silva Salgueiro e de Virg\u00ednia Rosa da Silva Salgueiro. Com apenas 14 anos de idade, Egas Salgueiro deixou os estudos no Liceu de Aveiro e emigrou para o Brasil, tendo residido durante tr\u00eas anos em Par\u00e1. Regressou a Aveiro no ano de 1913 para, dois anos mais tarde, voltar a tentar a sua sorte como emigrante, dessa vez em Angola, fixando-se na zona de Benguela, onde permaneceu cerca de dois anos.<\/p>\n<p>\u201cNestas suas perman\u00eancias por distantes terras, n\u00e3o fez fortuna, mas acumulou, apesar dos seus verdes anos, um avultado cabedal de experi\u00eancia e de conhecimentos pr\u00e1ticos que havia de ser de grande utilidade na sua vida futura\u201d, pode ler-se no n.\u00ba 6 (1964) da \u201cFl\u00e2mula\u201d, revista da Empresa de Pesca de Aveiro (EPA).<\/p>\n<p>Regressado a Aveiro, Egas Salgueiro entrou para a empresa Salgueiro &#038; Filhos, Lda, da qual era s\u00f3cio conjuntamente com o pai e irm\u00e3os. Em 1918, com a compra do seu primeiro lugre bacalhoeiro, iniciou a sua longa liga\u00e7\u00e3o ao sector da perca do bacalhau.<\/p>\n<p>Em 1922, Egas Salgueiro organizou a Empresa de Navega\u00e7\u00e3o e Explora\u00e7\u00e3o de Pesca, tendo adquirido tr\u00eas lugres para a pesca do bacalhau. Ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o dessa empresa, em 1927, foi um dos fundadores, no ano seguinte, da Empresa de Pesca de Aveiro, da qual passou a ser gerente delegado, gerindo \u201cos seus destinos com tal intelig\u00eancia, dinamismo e seguran\u00e7a, que, ao fim de 36 anos, esta empresa, com os seus 1.100 empregados e oper\u00e1rios, \u00e9 justamente apontada como um dos maiores valores econ\u00f3micos do distrito de Aveiro e um dos grandes pilares da Organiza\u00e7\u00e3o Corporativa da Pesca\u201d, pode ler-se no j\u00e1 referido n\u00famero da \u201cFl\u00e2mula\u201d.<\/p>\n<p>Em 1930, a EPA foi a primeira empresa portuguesa a enviar um navio (lugre \u201cSanta Mafalda\u201d) para pescar bacalhau nas \u00e1guas da Gronel\u00e2ndia. Foi tamb\u00e9m a primeira a dotar os seus navios com motores propulsores. At\u00e9 ent\u00e3o eram veleiros. Com a entrada em funcionamento dos arrast\u00f5es \u201cSanta Joana\u201d (1936) e \u201cSanta Princesa\u201d (1940), introduziu em Portugal a pesca de bacalhau por arrasto. A par das inova\u00e7\u00f5es nos navios e nos m\u00e9todos de pesca, a EPA inovou tamb\u00e9m nas instala\u00e7\u00f5es em terra, sendo a primeira empresa a construir grandes armaz\u00e9ns frigor\u00edficos e secagem artificial de bacalhau.<\/p>\n<p>Em 1952, com os navios atuneiros \u201cRio Vouga\u201d e \u201cRio \u00c1gueda\u201d, a EPA foi a primeira empresa portuguesa a enviar navios para a pesca long\u00ednqua do atum. Tr\u00eas anos mais tarde, iniciou tamb\u00e9m a pesca de arrasto costeiro.<\/p>\n<p>Em complemento \u00e0 pesca, a EPA interessou-se tamb\u00e9m pela ind\u00fastria conserveira. Em 1957, fundou, em Agadir (Marrocos), uma f\u00e1brica de conservas de peixe de farinha de peixe. Na d\u00e9cada de 1960, abriu tamb\u00e9m uma f\u00e1brica de conservas, na Gafanha da Nazar\u00e9. Por essa altura, foi autorizada a instalar um grande complexo industrial de pesca e de conservas na zona de Mo\u00e7amedes (Angola).<\/p>\n<p>Outros interesses econ\u00f3micos<\/p>\n<p>Ainda que a pesca fosse o sector privilegiado da sua a\u00e7\u00e3o empresarial, Egas Salgueiro alargou os seus interesses a outros econ\u00f3micos.<\/p>\n<p>Em 1939, entrou para o conselho de administra\u00e7\u00e3o da Companhia Aveirense de Moagens, ao qual passou a presidir no ano seguinte, onde se manteve por mais de duas d\u00e9cadas. Nesse per\u00edodo, a empresa montou novo equipamento de descasque de arroz e construiu a nova f\u00e1brica, junto da antiga (onde hoje est\u00e1 a F\u00e1brica \u2013 Centro de Ci\u00eancia Viva de Aveiro).<\/p>\n<p>Em 1928, Egas Salgueiro assumiu o cargo de diretor do Banco Regional de Aveiro. De real\u00e7ar que este empres\u00e1rio aveirense foi um dos financiadores da constru\u00e7\u00e3o da ponte da Arr\u00e1bida, projetada por Edgar Cardoso e constru\u00edda pelo aveirense Jos\u00e9 Pereira Zagalo.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>Agraciado com o t\u00edtulo de Comendador<\/p>\n<p>Egas da Silva Salgueiro foi agraciado com o t\u00edtulo de \u201ccomendador\u201d, ao receber a comenda da Ordem do M\u00e9rito Industrial. A entrega das ins\u00edgnias teve lugar no Teatro Aveirense, numa cerim\u00f3nia realizada no dia 10 de janeiro de 1966, organizada por uma comiss\u00e3o constitu\u00edda por Ant\u00f3nio Dias Leite, Firmino da Silva, Carlos Aleluia, Jos\u00e9 Pereira Tavares e Pompeu Cardoso, a que se associaram as duas corpora\u00e7\u00f5es de bombeiros de Aveiro, o Beira-Mar, a Sociedade Recreio Art\u00edstico e o Rotary Clube de Aveiro.<\/p>\n<p>A sess\u00e3o foi presidida por Manuel Louzada (governador civil). A mesa contou com as presen\u00e7as do Almirante Henrique Tenreiro, dos presidentes das c\u00e2maras municipais de Aveiro e de \u00cdlhavo e do presidente da Junta Distrital, entre outras personalidades. O Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade esteve sentado em lugar especial.<\/p>\n<p>Teatro, C\u00e2mara e Miseric\u00f3rdia<\/p>\n<p>Apesar da sua intensa atividade empresarial, Egas Salgueiro desempenhou fun\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas, nomeadamente as de vereador na C\u00e2mara Municipal de Aveiro.<\/p>\n<p>Presidiu ainda \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do Teatro Aveirense no tri\u00e9nio 1947-1949, per\u00edodo em que o im\u00f3vel beneficiou de profundas obras de amplia\u00e7\u00e3o e remodela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De 1949 a1954 e de 1964 a 1974, Egas Salgueiro foi provedor da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Aveiro. De real\u00e7ar que foi durante este segundo per\u00edodo que a Igreja da Miseric\u00f3rdia passou por importantes obras de restauro e beneficia\u00e7\u00e3o, reabrindo ao p\u00fablico em 1969, numa cerim\u00f3nia eucar\u00edstica presidida pelo bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade.<\/p>\n<p>Egas Salgueiro deixou o seu nome tamb\u00e9m ligado a diversas institui\u00e7\u00f5es aveirenses, entre as quais as corpora\u00e7\u00f5es locais de bombeiros e o Rotary Clube de Aveiro.<\/p>\n<p>Colecionador de arte<\/p>\n<p>No livro \u201cInvent\u00e1rio Art\u00edstico de Portugal \u2013 Distrito de Aveiro \u2013 Zona Sul\u201d, editado em 1959, A. Nogueira Gon\u00e7alves escreve sobre as cole\u00e7\u00f5es que pode observar na cidade de Aveiro. \u201cA mais not\u00e1vel \u00e9 a do Senhor Egas Salgueiro, diretor da Empresa de Pesca de Aveiro, a qual \u00e9 fundamentalmente constitu\u00edda por marfins, de diversos centros de fabrico e da melhor categoria, em n\u00famero de bastantes dezenas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Egas da Silva Salgueiro foi um empres\u00e1rio aveirense de grande prest\u00edgio no sector das pescas long\u00ednquas, em especial do bacalhau. Desempenhou tamb\u00e9m um papel relevante na Miseric\u00f3rdia de Aveiro e no Teatro Aveirense. 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