{"id":19969,"date":"2012-05-02T16:14:00","date_gmt":"2012-05-02T16:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19969"},"modified":"2012-05-02T16:14:00","modified_gmt":"2012-05-02T16:14:00","slug":"breves-razoes-para-acreditar-na-ressurreicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/breves-razoes-para-acreditar-na-ressurreicao\/","title":{"rendered":"Breves raz\u00f5es para acreditar na Ressurrei\u00e7\u00e3o (*)"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Se Cristo n\u00e3o ressuscitou, \u00e9 v\u00e3 a nossa f\u00e9&#8221; (1Cor 15,17) <!--more--> 1. Jesus morreu crucificado no dia da P\u00e1scoa judaica do ano 30, que, nesse ano, ocorreu numa sexta-feira. Depois de pedir o seu corpo a Pilatos, Jos\u00e9 de Arimateia enterrou-o num sepulcro da sua propriedade, que se encontrava junto do G\u00f3lgota, pouco antes de come\u00e7ar o descanso sab\u00e1tico com o p\u00f4r do sol. Mas a narra\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica n\u00e3o termina com a sepultura de Jesus. Logo os evangelistas informam um facto surpreendente sucedido ao amanhecer do dia de s\u00e1bado: umas mulheres foram ao sepulcro de Jesus, encontraram afastada a pedra que tapava a entrada e o t\u00famulo vazio. Pouco depois narram a apari\u00e7\u00e3o dum anjo portador da grande not\u00edcia: Jesus Nazareno, o crucificado, ressuscitou. Os dois principais ind\u00edcios da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus em que se ir\u00e1 centrar a nossa aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o o encontro do sepulcro vazio e as vis\u00f5es do ressuscitado que, segundo o seu testemunho, alguns dos seguidores de Jesus tiveram. <\/p>\n<p>2. Perguntas a serem feitas: Como \u00e9 poss\u00edvel que um grupo de judeus n\u00e3o aceitasse como definitivo o ju\u00edzo do sin\u00e9drio? Mais, como \u00e9 poss\u00edvel que aqueles homens, imediatamente depois da morte do seu Mestre, se atrevessem a pregar que a plenitude da vida humana era concedida ao seguidor de Jesus? Quer dizer, como se explica que propusessem publicamente este condenado como salvador dos homens, como aquele que obt\u00e9m o perd\u00e3o dos pecados e restabelece a amizade com Deus?<\/p>\n<p>3. A \u00fanica explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. O in\u00edcio da Igreja\u2026 \u00e9 precisamente este conjunto de disc\u00edpulos, este grupinho de amigos que depois da morte de Cristo ficam juntos na mesma. Porqu\u00ea? Porque o Cristo ressuscitado se torna presente no meio deles. Sem a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus tamb\u00e9m seria um enigma a celebra\u00e7\u00e3o do domingo desde a aurora do cristianismo. Recorde-se que os primeiros membros da Igreja s\u00e3o todos judeus. Estes celebravam o s\u00e1bado como dia santo, conforme estabelecido pela Lei mosaica. Se se prescinde do acontecimento da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o existe nenhum motivo para que este grupo judeu mudasse a celebra\u00e7\u00e3o do dia santo e, em vez do s\u00e1bado, preferissem o dia seguinte, denominado \u201cdomingo\u201d em honra do seu Senhor.<\/p>\n<p>4. Partindo do pressuposto que o relato do encontro do sepulcro vazio seja uma inven\u00e7\u00e3o crist\u00e3, tornam-se incompreens\u00edveis duas peculiaridades do mesmo. Em primeiro, a atribui\u00e7\u00e3o da descoberta a mulheres. No juda\u00edsmo da \u00e9poca de Jesus as mulheres n\u00e3o eram testemunhas v\u00e1lidas (cf. Lc 24,11). Se estamos perante um relato inventado, o mais l\u00f3gico teria sido identificar os seus protagonistas com homens. Esta peculiaridade s\u00f3 \u00e9 explic\u00e1vel na hip\u00f3tese de terem realmente sido mulheres que, ao visitar o sepulcro na manh\u00e3 daquele dia, o encontraram vazio. Em segundo, as indica\u00e7\u00f5es do tempo que servem para designar o momento em que teve lugar a surpreendente descoberta. Embora em formula\u00e7\u00f5es diferentes, chama a aten\u00e7\u00e3o a coincid\u00eancia dos evangelistas: no terceiro dia ap\u00f3s a sua morte na cruz. Para dizer a verdade, nenhum texto prof\u00e9tico do Antigo Testamento anuncia a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus ao terceiro dia. Os evangelistas repetem invariavelmente este dado cronol\u00f3gico por fidelidade ao acontecimento da descoberta do sepulcro vazio, que teve lugar ao terceiro dia da morte e sepultura de Jesus.<\/p>\n<p>5. Os relatos evang\u00e9licos descrevem os disc\u00edpulos abatidos, derrotados por causa da condena\u00e7\u00e3o e morte de Jesus; cheios de temor, fecham-se na sala superior onde celebram a \u00faltima ceia. S\u00f3 as apari\u00e7\u00f5es de Jesus ressuscitado fizeram brotar a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o. Contra a explica\u00e7\u00e3o \u201cpsicologista\u201d militam a dura\u00e7\u00e3o das apari\u00e7\u00f5es e a diversidade de pessoas que foram agraciadas com elas. Com efeito, os evangelhos n\u00e3o falam duma apari\u00e7\u00e3o somente ao grupo dos disc\u00edpulos, nem t\u00e3o-pouco de apari\u00e7\u00f5es concatenadas num mesmo dia, em cujo caso a hip\u00f3tese de alucina\u00e7\u00e3o contagiosa seria vi\u00e1vel. Os relatos evang\u00e9licos, por\u00e9m, informam acerca de apari\u00e7\u00f5es repetidas durante um longo per\u00edodo de tempo a muitas testemunhas diferentes; circunst\u00e2ncias que tornam invi\u00e1vel a explica\u00e7\u00e3o racionalista.<\/p>\n<p>6. Depois de estudar as raz\u00f5es s\u00f3lidas existentes a favor da historicidade da descoberta do sepulcro vazio e contra a interpreta\u00e7\u00e3o subjectivista ou alucinat\u00f3ria das vis\u00f5es de Jesus ressuscitado, podemos concluir que em boa cr\u00edtica hist\u00f3rica, a \u00fanica maneira de explicar a mensagem da Igreja primitiva sobre a ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 faze-la brotar duma experi\u00eancia real, n\u00e3o meramente subjectiva, de Jesus ressuscitado por parte das primeiras testemunhas, experi\u00eancia que temos descrita nos relatos evang\u00e9licos das apari\u00e7\u00f5es. Com isto n\u00e3o dizemos que a investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica nos introduz no mist\u00e9rio da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus: isso s\u00f3 a f\u00e9 o pode fazer.<\/p>\n<p>(*) FONTE: Resumo, estreitamente pessoal, dos argumentos principais (com modifica\u00e7\u00f5es e numera\u00e7\u00e3o da nossa autoria), desenvolvidos na obra, que recomendamos como leitura fundamental: GARC\u00cdA, Jos\u00e9 Miguel, As origens hist\u00f3ricas do cristianismo, Edi\u00e7\u00f5es Tenacitas, Coimbra, 2007, cap\u00edtulos XIII e XIV, pp.223-252.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Se Cristo n\u00e3o ressuscitou, \u00e9 v\u00e3 a nossa f\u00e9&#8221; (1Cor 15,17)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-19969","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19969"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19969\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}