{"id":19970,"date":"2012-05-02T16:15:00","date_gmt":"2012-05-02T16:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19970"},"modified":"2012-05-02T16:15:00","modified_gmt":"2012-05-02T16:15:00","slug":"o-orgao-da-se-um-ponto-de-vista-conclusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-orgao-da-se-um-ponto-de-vista-conclusao\/","title":{"rendered":"O \u00f3rg\u00e3o da S\u00e9. Um ponto de vista (Conclus\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>DOMINGOS PEIXOTO<\/p>\n<p>Organista e professor, aposentado<\/p>\n<p>5. H\u00e1 ainda um outro aspeto a considerar. O \u00f3rg\u00e3o de tubos n\u00e3o \u00e9 apenas um instrumento lit\u00fargico, mas, igualmente, um instrumento de cultura. A qualidade da sua constru\u00e7\u00e3o e potencialidades sonoras atraem geralmente \u00e0 igreja, n\u00e3o apenas os paroquianos, mas tamb\u00e9m um p\u00fablico diversificado, apreciador do vast\u00edssimo repert\u00f3rio que muitos dos g\u00e9nios criadores da hist\u00f3ria da m\u00fasica lhe dedicaram; por isso, a sua constru\u00e7\u00e3o costuma despertar a aten\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pela cultura. Noutras aquisi\u00e7\u00f5es semelhantes, nomeadamente no Porto (S\u00e9 e Igrejas da Concei\u00e7\u00e3o e da Lapa), Leiria e Beja (S\u00e9) e Vagos (Igreja Matriz), diversas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas deram a sua contribui\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma obra que demora mais de um ano, o que permite a sensibiliza\u00e7\u00e3o desses organismos, para que os custos n\u00e3o recaiam exclusivamente sobre a comunidade paroquial.<\/p>\n<p>6. Reparar o \u00f3rg\u00e3o hist\u00f3rico? Trata-se, efetivamente, de um restauro, tamb\u00e9m ele com encargos muito significativos, raz\u00e3o pela qual foi inscrito no projeto \u201cRota das Catedrais\u201d. Quanto a este ponto, h\u00e1 duas observa\u00e7\u00f5es a ter em conta. Em primeiro lugar, o contexto religioso para que foram constru\u00eddos este e muitos outros instrumentos, habitualmente designados \u201cib\u00e9ricos\u201d, \u00e9 bem diferente do p\u00f3s-conciliar; eles foram concebidos para tocar a solo ou acompanhar pequenos grupos de cantores, n\u00e3o propriamente uma assembleia. N\u00e3o quer isto dizer que eles n\u00e3o possam continuar a servir a liturgia, como, ali\u00e1s, acontece com a sua maioria; temos um exemplo em Aveiro, na Igreja da Miseric\u00f3rdia. Por\u00e9m, o caso da Igreja da Gl\u00f3ria \u00e9 diferente, pelo facto do espa\u00e7o do templo ter sido substancialmente aumentado nas obras de 1976, tornando o volume deste instrumento \u2013 concebido para a igreja conventual dos Padres Dominicanos &#8211; insuficiente para o espa\u00e7o atual.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, no que diz respeito ao repert\u00f3rio organ\u00edstico, a sua estrutura &#8211; sem pedaleira e com timbres muito pr\u00f3prios &#8211; n\u00e3o permite a interpreta\u00e7\u00e3o de um n\u00famero important\u00edssima de obras da \u00e9poca barroca, rom\u00e2ntica e moderna. Reveste-se de grande import\u00e2ncia a presen\u00e7a, no cora\u00e7\u00e3o da cidade e da diocese, de um \u00f3rg\u00e3o moderno que possa servir a liturgia e, ao mesmo tempo, a cultura da comunidade, possibilitando a apresenta\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio \u201cpara grande \u00f3rg\u00e3o\u201d. <\/p>\n<p>7. Adaptar o \u00f3rg\u00e3o hist\u00f3rico \u00e0s necessidades atuais? Isso significaria destruir as suas caracter\u00edsticas, o que n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel em termos de tratamento de uma obra de arte com esta import\u00e2ncia e antiguidade. Mas o seu restauro, logo que estejam reunidas as condi\u00e7\u00f5es para o fazer, permitir-lhe-\u00e1 que desempenhe um relevante papel, tanto na liturgia &#8211; como eventual \u00f3rg\u00e3o de coro -, como na parte cultural, atrav\u00e9s da apresenta\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio adequado \u00e0 sua constitui\u00e7\u00e3o, ou em di\u00e1logo com o novo, na apresenta\u00e7\u00e3o de um vasto repert\u00f3rio concebido para dois \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>8. Um \u00f3rg\u00e3o usado, em 2.\u00aa m\u00e3o? \u00c9 verdade que t\u00eam entrado em Portugal diversos instrumentos usados, provenientes de igrejas de outros pa\u00edses. H\u00e1 alguns casos em que se conseguiu um razo\u00e1vel enquadramento arquitet\u00f3nico e uma sonoridade adaptada \u00e0s dimens\u00f5es e caracter\u00edsticas do templo. No entanto, trata-se de um implante arriscado, cujos resultados nem sempre s\u00e3o satisfat\u00f3rios. Por isso, as catedrais portuguesas (Lisboa &#8211; 1964, Porto &#8211; 1985, Beja &#8211; 1996 e Leiria &#8211; 1997) optaram pela constru\u00e7\u00e3o de um instrumento novo, enquadrado, sob o ponto de vista arquitet\u00f3nico e ac\u00fastico, na obra de arte que \u00e9 a sede de uma diocese. E foi tamb\u00e9m essa a escolha de diversas igrejas paroquiais, algumas bem perto de n\u00f3s: Vagos (2005), Aradas (1993) e Oliveira do Bairro (1988).<\/p>\n<p>Sem ignorar as dificuldades econ\u00f3micas, outras igrejas paroquiais e sedes de diocese foram capazes de olhar para o futuro e desencadear um amplo movimento de colabora\u00e7\u00e3o, que permitiu dotar os templos de um not\u00e1vel instrumento para a liturgia e para a cultura. Os 75 anos do restauro da Diocese de Aveiro s\u00e3o uma boa oportunidade para colocarmos o desafio: se outros conseguiram, por que n\u00e3o havemos tamb\u00e9m de conseguir?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOMINGOS PEIXOTO Organista e professor, aposentado 5. H\u00e1 ainda um outro aspeto a considerar. O \u00f3rg\u00e3o de tubos n\u00e3o \u00e9 apenas um instrumento lit\u00fargico, mas, igualmente, um instrumento de cultura. 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