{"id":19975,"date":"2012-05-09T15:16:00","date_gmt":"2012-05-09T15:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19975"},"modified":"2012-05-09T15:16:00","modified_gmt":"2012-05-09T15:16:00","slug":"o-pao-nosso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-pao-nosso\/","title":{"rendered":"O p\u00e3o nosso"},"content":{"rendered":"<p>A rotina das palavras esvazia de sentido as express\u00f5es. E encontramo-nos, por vezes, diante de p\u00e9rolas de sabedoria e de vida que ecoam sem vida, que se espalham sem conte\u00fado. Da lista dessas p\u00e9rolas estropiadas, seguramente que consta o Pai Nosso, a ora\u00e7\u00e3o que Jesus ensinou aos disc\u00edpulos como s\u00edntese da vida crist\u00e3.<\/p>\n<p>Nos tempos que correm, algumas das express\u00f5es que o comp\u00f5em podem tornar-se mola real para desencadear mudan\u00e7a de paradigma nas nossas mentalidades, g\u00e9nese de uma nova cultura de matriz crist\u00e3.<\/p>\n<p>Pensemos, por exemplo, no pedido: \u201cO p\u00e3o nosso de cada dia nos dai hoje\u201d. Uma invers\u00e3o surpreendente, face \u00e0s express\u00f5es anteriores. Aparece, no dizer de Mart\u00edn Descalzo (Ousamos dizer PAI NOSSO), como o grito desajustado de uma crian\u00e7a a dizer que tem fome, no meio de um serm\u00e3o de S.to Agostinho que nos estivesse a desdobrar a senten\u00e7a: N\u00e3o pe\u00e7ais nada a Deus sen\u00e3o Deus mesmo.<\/p>\n<p>A surpresa desta invers\u00e3o levou te\u00f3logos &#8211; e ainda hoje leva &#8211; a fazer interpreta\u00e7\u00f5es m\u00edsticas do p\u00e3o que se pede. H\u00e1 poucos dias mesmo recebi uma dessas interpreta\u00e7\u00f5es. Mas o certo \u00e9 que \u201ca ora\u00e7\u00e3o do Senhor fala mesmo de p\u00e3o, sem met\u00e1foras, sem sentidos m\u00edsticos\u201d, como refere o autor citado. Pois, como \u00e9 verdade que nem s\u00f3 de p\u00e3o vive o homem, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que n\u00e3o vive apenas da Palavra. E, por isso, Jesus, que se n\u00e3o cansa de pregar a Palavra, \u00e9 o mesmo que tem compaix\u00e3o das multid\u00f5es que o seguem e n\u00e3o as despede sem lhes aconchegar o est\u00f4mago.<\/p>\n<p>\u201cDesde que Cristo se fez homem, os interesses da terra s\u00e3o interesses do c\u00e9u.\u201d &#8211; s\u00e3o palavras de Mart\u00edn Descalzo. A Incarna\u00e7\u00e3o \u00e9 um tremendo desafio \u00e0 vida dos disc\u00edpulos, das comunidades de disc\u00edpulos. \u00c9 que o compromisso com as condi\u00e7\u00f5es de vida dignas, com o limiar de uma condi\u00e7\u00e3o humana respeitada, n\u00e3o pode continuar a ser uma ac\u00e7\u00e3o pastoral perif\u00e9rica e ocasional, suscitada por momentos de crise. Pelo contr\u00e1rio, tem de se tornar a express\u00e3o mais vis\u00edvel do carinho de Deus por cada pessoa, reclamando, de quem tem, uma vida de sobriedade e austeridade, cujos resultados revertam a favor de quem n\u00e3o tem o indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p>A credibilidade das primeiras comunidades resultava exatamente desta fraternidade volunt\u00e1ria, bebida e alimentada continuamente na Palavra, na Ora\u00e7\u00e3o, na Eucaristia. Essas mesmas as fontes que nos incutem a confian\u00e7a de pobres, que sabem pedir a Quem temos a certeza que tem o poder de dar. \u201cN\u00e3o se estende a m\u00e3o ao avarento, mas ao generoso. S\u00f3 se pede quando se ama e quando se sabe que se \u00e9 amado\u201d &#8211; continua Mart\u00edn. Esta \u00e9 a confian\u00e7a, que fundamenta a esperan\u00e7a de quem pede o p\u00e3o \u201choje\u201d, na certeza de que o pode pedir amanh\u00e3 com a mesma confian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEste p\u00e3o que pedimos tamb\u00e9m \u00e9 \u00abp\u00e3o nosso\u00bb. Ao \u00abPai nosso\u00bb \u00e9 imposs\u00edvel, absurdo, pedir-lhe o \u00abp\u00e3o meu\u00bb. Tudo \u00e9 plural nesta ora\u00e7\u00e3o\u201d &#8211; prossegue Mart\u00edn. Quanto de piedade individualista teremos que varrer das nossas pr\u00e1ticas e das nossas ora\u00e7\u00f5es! Como estar\u00e1 Deus agoniado com tanto ego\u00edsmo revestido de religi\u00e3o! Rela\u00e7\u00e3o filial e fraterna reclamam-se mutuamente no desenho da identidade crist\u00e3!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rotina das palavras esvazia de sentido as express\u00f5es. E encontramo-nos, por vezes, diante de p\u00e9rolas de sabedoria e de vida que ecoam sem vida, que se espalham sem conte\u00fado. 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