{"id":19977,"date":"2012-05-09T15:19:00","date_gmt":"2012-05-09T15:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19977"},"modified":"2012-05-09T15:19:00","modified_gmt":"2012-05-09T15:19:00","slug":"a-ressurreicao-nao-e-voltar-a-este-mundo-e-entrar-no-outro-completamente-diferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-ressurreicao-nao-e-voltar-a-este-mundo-e-entrar-no-outro-completamente-diferente\/","title":{"rendered":"&#8220;A ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 voltar a este mundo, \u00e9 entrar no outro completamente diferente&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O que diz&#8230; <!--more--> Vasco Pinto de Magalh\u00e3es foi o \u00faltimo convidado das tert\u00falias do ISCRA (Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas) neste ano letivo. Na sess\u00e3o que teve lugar no Centro Universit\u00e1rio, na noite de 2 de maio, moderada por Belmiro Fernandes Pereira, o padre jesu\u00edta defendeu que ressurrei\u00e7\u00e3o e reencarna\u00e7\u00e3o s\u00e3o \u201cdois conceitos globais que n\u00e3o se compatibilizam\u201d. \u201cA reencarna\u00e7\u00e3o sup\u00f5e irresponsabiliza\u00e7\u00e3o\u201d e apoia-se em \u201cconce\u00e7\u00f5es erradas de Deus, do universo e da hist\u00f3ria\u201d. Ideias principais recolhidas por Jorge Pires Ferreira.<\/p>\n<p>Contexto<\/p>\n<p>A reencarna\u00e7\u00e3o [n\u00e3o confundir com a Encarna\u00e7\u00e3o, s\u00f3 uma, a de Jesus Cristo; reencarna\u00e7\u00e3o \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o da alma a sucessivos corpos at\u00e9 atingir um estado de perfei\u00e7\u00e3o], na atualidade, parece ganhar terreno nas convic\u00e7\u00f5es das pessoas, segundo revelam alguns inqu\u00e9ritos. Perante uma vida t\u00e3o pequena, t\u00e3o curta, a reencarna\u00e7\u00e3o parece l\u00f3gica para resolver a injusti\u00e7a e o sofrimento, descartando o inferno e o purgat\u00f3rio. Para alguns parece cativante. O Dalai Lama chegou a dizer que a reencarna\u00e7\u00e3o reduz o racismo devido \u00e0 cren\u00e7a na passagem da alma por diversos corpos de pessoas de diferentes culturas.<\/p>\n<p>Caipirinha de conceitos<\/p>\n<p>A cren\u00e7a da reencarna\u00e7\u00e3o, tendo origem oriental, surge no Ocidente principalmente a partir do s\u00e9c. XIX, muito por influ\u00eancia espiritismo de Alain Kardec. Hoje, fomenta ou coabita com cren\u00e7as na astrologia, espiritismo, gnose, new age. As pessoas fazem uma caipirinha de conceitos. Cada um faz a sua religi\u00e3o tirando um bocado daqui e outro dacol\u00e1.<\/p>\n<p>Ressurrei\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>no Antigo Testamento?<\/p>\n<p>No Antigo Testamento h\u00e1 ambiguidade quando se fala de ressurrei\u00e7\u00e3o. A f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o era expl\u00edcita. Em alguns livros, como o de Ezequiel, parece come\u00e7ar a surgir a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o. S\u00f3 com a experi\u00eancia de Jesus Cristo (Novo Testamento) se torna claro o que \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o h\u00e1, na B\u00edblia, cren\u00e7a na reencarna\u00e7\u00e3o, ainda que alguns a defendam, apoiando-se na passagem em que Jesus diz que Jo\u00e3o Baptista \u00e9 o novo Elias. Tal interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 um abuso e revela desconhecimento da linguagem e simbologia b\u00edblicas. Por outro lado, o que aconteceu a L\u00e1zaro n\u00e3o foi uma ressurrei\u00e7\u00e3o. Foi uma reanima\u00e7\u00e3o ou ressuscita\u00e7\u00e3o. L\u00e1zaro voltou a morrer. Neste caso n\u00e3o se pode falar de ressurrei\u00e7\u00e3o com propriedade, embora tal tenha entrado na linguagem comum.<\/p>\n<p>Ressurrei\u00e7\u00e3o, o que \u00e9?<\/p>\n<p>A ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 voltar a este mundo; \u00e9 entrar no outro. \u00c9 a admiss\u00e3o noutra forma de vida completamente diferente. \u00c9 erro pensar que a alma vai para o c\u00e9u e que o corpo vai l\u00e1 ter mais tarde. A ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 uma transforma\u00e7\u00e3o completa em que finalmente seremos aquilo que somos e que queremos ser. \u00c9 a \u201cplenifica\u00e7\u00e3o\u201d transfigurada da nossa realidade.<\/p>\n<p>Conceitos incompat\u00edveis<\/p>\n<p>Ressurrei\u00e7\u00e3o e reencarna\u00e7\u00e3o s\u00e3o dois conceitos globais que n\u00e3o se compatibilizam. Por detr\u00e1s de cada um deles est\u00e3o diferentes conce\u00e7\u00f5es de Deus, do universo e da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Deus<\/p>\n<p>Para o cristianismo, Deus \u00e9 pessoa; \u00e9 poss\u00edvel estabelecer rela\u00e7\u00f5es interpessoais com Ele; \u00e9 Criador. H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o Eu-Tu. H\u00e1 amor e pode haver pecado. Na mentalidade da reencarna\u00e7\u00e3o, Deus \u00e9 uma energia, um estado, n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o interpessoal.<\/p>\n<p>Universo<\/p>\n<p>Segundo o cristianismo, o universo \u00e9 criado e \u00e9 bom. \u00c9 amado por Deus para ser transfigurado. Nas culturas da reencarna\u00e7\u00e3o, o universo \u00e9 mau, pelo que \u00e9 preciso libertar-se dele. <\/p>\n<p>Hist\u00f3ria<\/p>\n<p>Para a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria \u00e9 linear. Teve um princ\u00edpio, tem um meio, ter\u00e1 um fim. Para a reencarna\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria \u00e9 c\u00edclica. Tudo vai e vem. \u201cSou eu que me salvo\u201d, com as muitas voltas que o mundo d\u00e1; n\u00e3o \u00e9 Deus que salva.<\/p>\n<p>E no final <\/p>\n<p>das reencarna\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>A cren\u00e7a na reencarna\u00e7\u00e3o diz que no final das sucessivas reencarna\u00e7\u00f5es acontece uma \u00faltima e entra-se num novo estado. Uma esp\u00e9cie de ressurrei\u00e7\u00e3o no final de tudo? Ent\u00e3o, o divino parece brincar connosco, pois n\u00e3o valoriza o meu pecado e o meu amor. N\u00e3o h\u00e1 verdadeira op\u00e7\u00e3o de liberdade. Reencarna\u00e7\u00e3o sup\u00f5e irresponsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dificuldades de linguagem<\/p>\n<p>Falamos com uma antropologia que n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3 quando separamos corpo e alma. N\u00e3o h\u00e1 alma sem corpo nem corpo sem alma. Vamos morrendo aos poucos. Todos os dias perdemos c\u00e9lulas. O meu corpo nada tem do meu corpo de h\u00e1 anos, mas eu sou a mesma pessoa. J\u00e1 ningu\u00e9m tem o mesmo corpo que tinha quando aqui entrou. O corpo n\u00e3o \u00e9 uma quantidade bioqu\u00edmica. \u00c9 o meu modo de estar em rela\u00e7\u00e3o. Sou as minhas rela\u00e7\u00f5es. Corpo e alma n\u00e3o s\u00e3o separ\u00e1veis nem s\u00e3o duas coisas; s\u00e3o duas maneiras diferentes de falar da mesma coisa. Quando algu\u00e9m morre, o que fica n\u00e3o \u00e9 corpo. \u00c9 cad\u00e1ver, restos mortais. N\u00e3o se tem corpo e alma. \u00c9-se. Eu sou.<\/p>\n<p>Desvaloriza\u00e7\u00e3o do corpo<\/p>\n<p>Na reencarna\u00e7\u00e3o, falando-se de transmigra\u00e7\u00e3o da alma, a dimens\u00e3o corporal \u00e9 desvalorizada. A ressurrei\u00e7\u00e3o, afirmando-se corporal, real\u00e7a a totalidade da pessoa. A conce\u00e7\u00e3o que permite a reencarna\u00e7\u00e3o \u00e9 anticient\u00edfica e contrafilos\u00f3fica. A ideia da reencarna\u00e7\u00e3o pode resolver problemas emocionais se as pessoas n\u00e3o pensarem muito.<\/p>\n<p>C\u00e9u<\/p>\n<p>Ressurrei\u00e7\u00e3o, na morte e pela morte, \u00e9 ultrapassar o pecado e entrar em comunh\u00e3o com Deus. O que mata n\u00e3o \u00e9 a morte, \u00e9 o pecado. A morte apenas transfigura. Falamos de corpo espiritual porque sem corpo n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de rela\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o de amor ressuscita. O c\u00e9u \u00e9 onde seremos quem verdadeiramente somos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que diz&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-19977","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19977","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19977"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19977\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}