{"id":19998,"date":"2012-05-02T16:11:00","date_gmt":"2012-05-02T16:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=19998"},"modified":"2012-05-02T16:11:00","modified_gmt":"2012-05-02T16:11:00","slug":"uma-tareia-bem-dada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-tareia-bem-dada\/","title":{"rendered":"Uma tareia bem dada"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> N\u00e3o, \u00abn\u00e3o \u00e9 o que pensa\u00bb. A palavra \u00abtareia\u00bb n\u00e3o \u00e9 mais do que ligeira altera\u00e7\u00e3o de \u00abtarefa\u00bb, termo \u00e1rabe designando uma grande quantidade de trabalho a que se \u00e9 obrigado (veja-se o espanhol \u00abtarea\u00bb).<\/p>\n<p>Uma \u00abtareia bem dada\u00bb \u00e9 fazer com que algu\u00e9m \u00absinta no corpo\u00bb o esfor\u00e7o bem suado, pr\u00f3prio de um treino para vencer na vida.<\/p>\n<p>Neste caso, a palavra \u00abcorpo\u00bb tem uma dimens\u00e3o \u00abhol\u00edstica\u00bb (palavra grega que refere a totalidade): designa a pessoa integral. Como quando se diz \u00abdar o corpo ao manifesto\u00bb, o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel mobilizando tamb\u00e9m a energia espiritual. E por isso \u00e9 que um castigo f\u00edsico d\u00f3i na alma e o des\u00e2nimo nos p\u00f5e doentes.<\/p>\n<p>O segredo est\u00e1 em que seja um treino-tareia oportuno, a seu tempo, de acordo com as capacidades e o ritmo do sujeito. S\u00f3 assim \u00e9 que ser obrigado n\u00e3o \u00e9 ser escravizado. S\u00f3 assim \u00e9 que o esfor\u00e7o vale a pena e a gente se prepara para vencer na vida. \u00abDar bem\u00bb uma tareia \u00e9 preparar o outro para realizar bem a tarefa e compreender que o \u00eaxito tem que lhe \u00absair do corpo\u00bb.<\/p>\n<p>No evangelho, Jesus Cristo compara-se a uma videira. As imagens de vinha, videira e vinho marcam uma forte presen\u00e7a tanto no Antigo como no Novo Testamento. S\u00e3o imagens que falam da vida: da energia que \u00e9, do trabalho que d\u00e1, do prazer que a vida proporciona.<\/p>\n<p>Uma a uma, cada videira \u00e9 podada como \u00fanica e, com toda a for\u00e7a da express\u00e3o, leva um \u00abenxerto de tareia\u00bb. \u00c9 isso mesmo: \u00abenxertar\u00bb cuidadosamente a \u00abtarefa\u00bb de bem produzir. A cada golpe bem dado responder\u00e1 um cacho bem chorudo, benfeitor da boa mesa e mais tarde, ap\u00f3s outra tareia bem dura, surge o vinho, invenc\u00edvel animador do \u00abpessoa integral\u00bb.<\/p>\n<p>O \u00abhomem da poda\u00bb, senhor de toda a sabedoria, diz Jesus Cristo que \u00e9 Deus \u2013 o \u00abquerido pai\u00bb. Para Jesus dar tanto fruto como deu, sabemos sobejamente a \u00abtareia\u00bb que apanhou do \u00abpai querido\u00bb! \u00c9 caso para dizer: para grande \u00abtarefa\u00bb grande \u00abtareia\u00bb!<\/p>\n<p>E n\u00e3o conta a 1.\u00aa leitura como os primeiros crist\u00e3os desconfiavam da convers\u00e3o de Saulo? Precisavam de ver que, a seguir \u00e0 \u00abtareia bem dada\u00bb a caminho de Damasco, suportaria muitas \u00abtarefas\u00bb. Sabemos como o resultado foi bem positivo. <\/p>\n<p>Na linguagem da B\u00edblia, \u00abdar fruto\u00bb j\u00e1 tem o sentido de dar provas do pr\u00f3prio valor. E como diz a segunda leitura, esta prova tem de ser feita \u00abcom obras e em verdade\u00bb.<\/p>\n<p>A palavra \u00abverdade\u00bb, na cultura hebraica, designa a solidez do objecto ou da pessoa que permanece firme contra toda a adversidade. As obras n\u00e3o podem ter a fugaz consist\u00eancia de um fogo-de-artif\u00edcio. Por isso, Jesus se apresenta como \u00aba vide verdadeira\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode dizer que \u00abs\u00f3\u00bb em Jesus Cristo encontramos a Verdade. Gra\u00e7as ao \u00abSenhor da poda\u00bb, n\u00e3o faltam, em todas as \u00e9pocas, civiliza\u00e7\u00f5es e culturas, magn\u00edficos portadores e defensores da Verdade. Mas s\u00f3 \u00e9 \u00abverdadeiro\u00bb crist\u00e3o quem se esfor\u00e7a por conhecer o valor especial de Jesus Cristo, vivendo como sarmento em que corre a seiva do tronco principal.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as boas \u00abtareias\u00bb? E as boas \u00abtarefas\u00bb?<\/p>\n<p>Dotados que somos de vontade pr\u00f3pria, nem uma \u00abtareia bem dada\u00bb produz automaticamente em n\u00f3s bons frutos. E do bom desempenho da \u00abtarefa\u00bb s\u00f3 o tempo dir\u00e1. Contudo, por muito que doa a \u00abtareia\u00bb e seja dif\u00edcil a \u00abtarefa\u00bb, h\u00e1 um sinal que n\u00e3o engana: a alegria de \u00abdar o corpo ao manifesto\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o de nos empenharmos todos na forma mais justa do programa de vida que constitui o \u00abmanifesto\u00bb. Para o que conv\u00e9m ter a arte de transformar em boas \u00abtarefas\u00bb at\u00e9 as \u00abtareias\u00bb mal dadas. Mas sobretudo ter a arte de tamb\u00e9m n\u00f3s colaborarmos em \u00abtareias bem dadas\u00bb \u2013 como \u00abeducadores\u00bb n\u00e3o s\u00f3 dos nossos filhos como tamb\u00e9m dos nossos amigos e de todos os que desempenham cargos de responsabilidade. <\/p>\n<p>Tornamo-nos \u00abeducadores\u00bb na medida em que \u00abcrescemos e fazemos crescer\u00bb (mas s\u00f3 \u00abcrescemos\u00bb se vemos que at\u00e9 uma crian\u00e7a nos pode dar uma \u00abtareia bem dada\u00bb\u2026).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 assim que nos mostramos exigentes de \u00abvinho de boa cepa\u00bb? <\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-19998","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19998\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}