{"id":2004,"date":"2010-06-30T16:19:00","date_gmt":"2010-06-30T16:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2004"},"modified":"2010-06-30T16:19:00","modified_gmt":"2010-06-30T16:19:00","slug":"dialogo-em-tempo-de-escombros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/dialogo-em-tempo-de-escombros\/","title":{"rendered":"Di\u00e1logo em tempo de escombros"},"content":{"rendered":"<p>Dialogamos pouco sobre o nosso viver colectivo e damos escasso tempo \u00e0 audi\u00e7\u00e3o daquilo que se recorta mais profundamente, sem a opacidade s\u00f4frega dos agendamentos. Por isso \u00e9 um texto obrigat\u00f3rio este que acaba de ser editado: \u00abDi\u00e1logo em tempo de escombros. Uma conversa sobre Portugal, o Mundo e a Igreja Cat\u00f3lica\u00bb. Um jornalista com a dimens\u00e3o profissional, cultural e humana de Jos\u00e9 Manuel Fernandes, desafia D. Manuel Clemente para um encontro constru\u00eddo em tr\u00eas andamentos: na primeira parte, o jornalista enuncia um n\u00facleo pertinente de quest\u00f5es que gostaria de ver abordadas, quase \u00e0 maneira de um diagn\u00f3stico interrogado do presente. D. Manuel Clemente ensaia uma resposta na segunda parte. E no terceiro round, chamemos-lhe assim, uma conversa epistolar entre entrevistador e entrevistado vem precisar e ampliar alguns aspectos do di\u00e1logo. O tempo \u00e9 de escombros, mas n\u00e3o esta conversa, como o leitor rapidamente ver\u00e1.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o do cristianismo com o espa\u00e7o p\u00fablico \u00e9-lhe gen\u00e9tica, pois foi a\u00ed que ele primeiro se formulou. Um dos espantos na fractura que Jesus e os seus seguidores introduzem face aos sistemas religiosos do tempo (primeiro o judeu e depois o helen\u00edstico-romano) \u00e9 tamb\u00e9m o da produ\u00e7\u00e3o e inscri\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia crente fora do espa\u00e7o sagrado. Quem l\u00ea os quatro relatos evang\u00e9licos rapidamente se apercebe que Jesus desenvolve o seu percurso de modo ex-c\u00eantrico em rela\u00e7\u00e3o ao Templo (e claramente essa escolha revela a pretens\u00e3o de superar o pr\u00f3prio Templo), elegendo espa\u00e7os religiosamente neutrais, como a pra\u00e7a, a margem, o caminho, a casa, que s\u00e3o o lugar, por excel\u00eancia, da coreografia humana com a qual o cristianismo dialoga. Na mesma linha, havemos de acompanhar Paulo de Tarso que prega tanto numa sinagoga, como numa escola de filosofia ou num teatro. Nesse sentido, \u00e9 interessante olhar para o termo grego \u201cpoliteuma\u201d que no Novo Testamento crist\u00e3o aparece com o sentido comum de p\u00e1tria e de cidadania. Algumas tradu\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas do texto sagrado preferem verter aquele termo por \u201cconversa\u201d. E, de facto, a experi\u00eancia crist\u00e3 (tamb\u00e9m) \u00e9 isso: o fazer e o refazer de uma conversa infinita.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a Modernidade determinou uma recomposi\u00e7\u00e3o do lugar p\u00fablico concedido ao religioso. Mas a Igreja n\u00e3o desiste de estar presente e de dialogar com a cultura. O regresso \u00e0 concha (que o cristianismo nunca teve, nem nunca foi) determinaria o empobrecimento da reflex\u00e3o e da pr\u00f3pria vitalidade crist\u00e3. O mandato evang\u00e9lico que institui a Igreja \u00e9 um imperativo de construir uma presen\u00e7a cordial de esperan\u00e7a na itiner\u00e2ncia do mundo. E neste livro temos um excelente exemplo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dialogamos pouco sobre o nosso viver colectivo e damos escasso tempo \u00e0 audi\u00e7\u00e3o daquilo que se recorta mais profundamente, sem a opacidade s\u00f4frega dos agendamentos. Por isso \u00e9 um texto obrigat\u00f3rio este que acaba de ser editado: \u00abDi\u00e1logo em tempo de escombros. Uma conversa sobre Portugal, o Mundo e a Igreja Cat\u00f3lica\u00bb. Um jornalista com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-2004","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2004","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2004"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2004\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2004"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2004"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2004"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}