{"id":20049,"date":"2011-01-26T10:32:00","date_gmt":"2011-01-26T10:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20049"},"modified":"2011-01-26T10:32:00","modified_gmt":"2011-01-26T10:32:00","slug":"oportunidades-de-resposta-para-novas-situacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/oportunidades-de-resposta-para-novas-situacoes\/","title":{"rendered":"Oportunidades de resposta para novas situa\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Os problemas e as dificuldades, hoje verificadas a todos os n\u00edveis, pedem uma especial aten\u00e7\u00e3o aos respons\u00e1veis, em cada campo e situa\u00e7\u00e3o, para que aproveitem as oportunidades que ent\u00e3o surgem. A partir delas se responder\u00e1 melhor. Os problemas que aguardam resposta est\u00e3o na sociedade, na fam\u00edlia, na escola, na vida empresarial e, tamb\u00e9m, na comunidade crist\u00e3, em todo o lado onde h\u00e1 vida. \u00c9 sobre as comunidades, de que agora tanto se fala, ao repensar para renovar a ac\u00e7\u00e3o da Igreja, que oriento a minha reflex\u00e3o, na esperan\u00e7a de que se atenda mais e melhor \u00e0s oportunidades que, n\u00e3o raro, s\u00e3o pouco atendidas e mal aproveitadas. O dever de servir e a criatividade pastoral exigem esta aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas comunidades e na Igreja em geral h\u00e1 mais gente repetitiva que inovadora. Ora, as tradi\u00e7\u00f5es religiosas v\u00e3o perdendo for\u00e7a, o passado deixou de ser din\u00e2mico e de apego generalizado, as respostas repetidas e pouco reflectidas s\u00e3o normalmente est\u00e9reis. Deste modo, o \u00e2ngulo estreito de percep\u00e7\u00e3o da realidade empurra para as desilus\u00f5es e dificulta um empenhamento persistente, s\u00e9rio e que envolva as pessoas.<\/p>\n<p>D\u00e1-se, hoje, uma quebra not\u00f3ria na pr\u00e1tica dominical e na procura do Baptismo e do Matrim\u00f3nio; persiste o abandono de muitos jovens, ap\u00f3s a Confirma\u00e7\u00e3o; n\u00e3o se pode ignorar a escalada das uni\u00f5es de facto, do crescente n\u00famero de div\u00f3rcios, das fam\u00edlias desestruturadas e com valores alterados; h\u00e1 poucos crist\u00e3os esclarecidos na vida social e pol\u00edtica; a alergia de muitos \u00e0 vida associativa \u00e9 manifesta; os mais jovens, e n\u00e3o s\u00f3 eles, fogem a op\u00e7\u00f5es que implicam compromissos permanentes\u2026<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, as par\u00f3quias com gente apresentam uma nova fisionomia: para al\u00e9m do costumeiro, que persiste ainda em muitos casos, h\u00e1 muitos pais n\u00e3o praticantes que querem os filhos na catequese e acabam por pedir o seu baptismo na idade escolar, se o n\u00e3o fizeram antes; h\u00e1 jovens, e s\u00e3o milhares, que frequentam livremente a catequese dez e mais anos, em ordem ao Crisma, e, se muitos deles depois partem, tamb\u00e9m ficam sempre alguns, mais comprometidos e activos; tornou-se normal a pr\u00e1tica de reuni\u00f5es de prepara\u00e7\u00e3o para o casamento, mas n\u00e3o se consegue travar a sa\u00edda de muitos para um div\u00f3rcio f\u00e1cil; alguns casais, ao lado de outros indiferentes, formam grupos e equipas que re\u00fanem mensalmente para, em comum, esclarecerem e partilharem a sua f\u00e9, aprofundarem a riqueza da vida conjugal e familiar e se empenharem em ac\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas; h\u00e1 oper\u00e1rios e empres\u00e1rios, n\u00e3o muitos, \u00e9 certo, que procuram orientar a sua vida e ac\u00e7\u00e3o pela Doutrina Social da Igreja e por for\u00e7a de um cristianismo esclarecido; depara-se-nos um n\u00famero crescente de leigos volunt\u00e1rios nas actividades da par\u00f3quia e da comunidade civil, mas outros s\u00f3 pensam em si e no que lhes d\u00e1 prazer. Tudo isto, em comunidades com gente, porque j\u00e1 as h\u00e1 quase desertificadas, traduz problemas, mas tamb\u00e9m um mundo novo de oportunidades para uma ac\u00e7\u00e3o nova e realista.<\/p>\n<p>Sublinha-se hoje, mais do que antes, quando as pessoas se conheciam, a import\u00e2ncia de um acolhimento cordial e aberto a todos, que crie la\u00e7os e n\u00e3o feche portas, feito por gente preparada para escutar e dialogar, mais do que para afirmar normas secas e fechar caminhos abertos. Sem se acolher bem, n\u00e3o haver\u00e1 nem tempo, nem clima para escutar as raz\u00f5es de quem vem e procura. Quem acolhe, seja cl\u00e9rigo ou leigo, numa par\u00f3quia onde surgem cada dia caras novas, \u00e9 chamado a mostrar o rosto de um Deus que \u00e9 Pai, de uma Igreja aberta e serva, que sabe respeitar as pessoas, ser educadora da f\u00e9, promotora da comunh\u00e3o e porta e espa\u00e7o de uma inequ\u00edvoca fraternidade. \u00c9 no acolhimento que melhor se ilustra a miss\u00e3o da Igreja, num tempo e num lugar. Numa comunidade crist\u00e3 h\u00e1 que acolher sempre bem quem a\u00ed vive, quem passa ocasionalmente, quem nela procura alguma coisa. Uma comunidade adulta, respons\u00e1vel e aberta, esconjura o clericalismo e as ideias deturpadas da Igreja e da f\u00e9, que enchem ainda a cabe\u00e7a de muita gente.<\/p>\n<p>\u00c9 agora a oportunidade de um catecumenato a s\u00e9rio ou de uma catequese de pedagogia catecumenal para os adultos que pedem os sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o; de uma inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a realizar na fam\u00edlia e na catequese paroquial; da forma\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os adultos para que vivam e testemunhem a f\u00e9, num mundo plural e laico. Nada disto se faz com ac\u00e7\u00f5es de rotina ou com objectivos de mera conserva\u00e7\u00e3o. As oportunidades para ir mais longe est\u00e3o nestes casos \u00e0 vista: pelos filhos se vai aos pais; pela Confirma\u00e7\u00e3o, se formam e motivam jovens a ir mais longe; pelo pedido do Matrim\u00f3nio, hoje que as raz\u00f5es sociol\u00f3gicas pesam menos, se podem propor ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o com mais tempo e pedagogia mais activa; pelas experi\u00eancias negativas e dolorosas que afectam muitas fam\u00edlias, se faz apelo a formas de presen\u00e7a mais respeitadoras e fraternas; pela ac\u00e7\u00e3o nos meios urbanos, onde h\u00e1 colmeias cerradas que favorecem o individualismo, a massifica\u00e7\u00e3o, o esquecimento de quem delas n\u00e3o pode sair, se devem fazer propostas que personalizem e ven\u00e7am a solid\u00e3o, o isolamento, o desgaste di\u00e1rio, a desagrega\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n<p>As comunidades para serem evangelizadoras e mission\u00e1rias t\u00eam hoje de ser mais criativas ante as novas situa\u00e7\u00f5es sociais, culturais e religiosas O dever de servir pede inova\u00e7\u00e3o e abandono de velhos crit\u00e9rios e esquemas de uma ruralidade que j\u00e1 n\u00e3o existe. Os mais aptos n\u00e3o se podem gastar no servi\u00e7o do templo, mas t\u00eam de ser estimulados a ser ap\u00f3stolos fora de portas. <\/p>\n<p>Repensar a ac\u00e7\u00e3o pastoral e plane\u00e1-la, com realismo e esperan\u00e7a, \u00e9 procurar que cada crist\u00e3o e cada comunidade entrem num dinamismo de miss\u00e3o, onde todas as pessoas s\u00e3o caminho da Igreja, e todas as oportunidades, gra\u00e7as a aproveitar. Os de fora s\u00f3 ser\u00e3o tocados pela riqueza de dentro, quando virem os permanentes do templo, empurrados para fora dele, a testemunhar o que vivem e a construir o que prop\u00f5em.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os problemas e as dificuldades, hoje verificadas a todos os n\u00edveis, pedem uma especial aten\u00e7\u00e3o aos respons\u00e1veis, em cada campo e situa\u00e7\u00e3o, para que aproveitem as oportunidades que ent\u00e3o surgem. A partir delas se responder\u00e1 melhor. Os problemas que aguardam resposta est\u00e3o na sociedade, na fam\u00edlia, na escola, na vida empresarial e, tamb\u00e9m, na comunidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-20049","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20049"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20049\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}