{"id":2005,"date":"2010-06-30T16:22:00","date_gmt":"2010-06-30T16:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2005"},"modified":"2010-06-30T16:22:00","modified_gmt":"2010-06-30T16:22:00","slug":"o-desmontar-da-festa-e-o-depois-dos-acontecimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-desmontar-da-festa-e-o-depois-dos-acontecimentos\/","title":{"rendered":"O desmontar da festa e o depois dos acontecimentos"},"content":{"rendered":"<p>Sobre o pano de fundo de uma crise que explodiu para continuar, acontecimentos importantes mexeram com o povo. Com intensidade variada, contagiando esperan\u00e7a, abafando desgostos, derrubando indiferen\u00e7as, provocando sonhos. Foi a vinda do Papa, a morte de Jos\u00e9 Saramago e, agora, o Mundial de Futebol. Este ainda com tenda armada.<\/p>\n<p>Os acontecimentos sociais ou deixam marcas nas pessoas ou depressa se desvanecem, como fumo levado pelo vento. O povo, para se consolar das suas amarguras e com o saber de experi\u00eancia adquirida l\u00e1 vai dizendo que \u201ctudo passa e tudo esquece\u201d. J\u00e1 assim dizia Teresa de \u00c1vila. Mas, por fim, acrescentava: \u201cS\u00f3 Deus basta!\u201d<\/p>\n<p>O desmontar da festa \u00e9 sempre mais r\u00e1pido que a sua montagem. Muitas vezes faz-se com pressa de mais e destroem-se, num \u00e1pice, as coisas mais belas que ainda restam, como as lindas e trabalhosas ornamenta\u00e7\u00f5es. Em alguns casos, h\u00e1 legados que se acolhem ou dos quais mais tarde se deu conta. H\u00e1 que tomar consci\u00eancia deles para se avaliarem e conservarem vivos.<\/p>\n<p>Neste caso est\u00e1 a visita de Bento XVI a Portugal, como peregrino de F\u00e1tima. O que ele disse est\u00e1 gravado na mem\u00f3ria do cora\u00e7\u00e3o de muitos e deixou-o escrito em letras acess\u00edveis a todos. Multid\u00f5es correram, livremente, ao seu encontro, em Lisboa, F\u00e1tima e Porto. Muitos confessaram-se conquistados \u00e0 sua pessoa, \u00e0 sua f\u00e9 serena, ao seu sorriso l\u00edmpido, mas discreto. N\u00e3o falou de generalidades. Sabia que estava em Portugal, recordou a sua hist\u00f3ria, apontou caminhos, comunicou \u00e2nimo e esperan\u00e7a, tocou em pontos de vida fundamentais, sem intromiss\u00f5es e sempre de modo respeitoso e objectivo. Prop\u00f4s, n\u00e3o imp\u00f4s. N\u00e3o foi turista, nem ca\u00e7ador de homenagens. Esteve entre os seus, e os que o n\u00e3o eram, mereceram, tamb\u00e9m, o seu apre\u00e7o e respeito. Foram os da sua visita, dias pac\u00edficos e pacificadores. O legado espiritual e cultural que nos deixou \u00e9, por demais, valioso. Perten\u00e7a dos cat\u00f3licos e n\u00e3o s\u00f3 deles. Um pa\u00eds que tem gente al\u00e9rgica \u00e0 hist\u00f3ria que nos identifica, n\u00e3o pode esquecer quem reconheceu e sublinhou o nosso valor pessoal e nacional.<\/p>\n<p>De Saramago, muita gente pensava o desenlace n\u00e3o anunciado, mas esperado para tempo n\u00e3o muito distante. Os discursos pareciam j\u00e1 redigidos, as entrevistas programadas, os artigos rabiscados, os adjectivos escalonados. Aos seus amigos e admiradores foi-se juntando gente ansiosa por ficar na fotografia. Todos o tinham lido ou iam ler, todos com opini\u00e3o clara, todos com mem\u00f3ria selectiva para afirmar e para calar. As editoras rejubilaram. Uma morte agradecida. Houve dele mais publicidade nos dias da sua morte, que em anos de sua vida. Ningu\u00e9m lhe podia negar o valor que tem, mas podiam sempre acrescentar-se uns \u201cpozinhos\u201d, que a hora era prop\u00edcia. Desde o momento que o levou ao Nobel, at\u00e9 \u00e0 prova final da sua conting\u00eancia, n\u00e3o faltou a Saramago uma retaguarda organizada, determinada a derrubar muros e a lev\u00e1-lo em ombros. A muitos parece ter faltado a lucidez de ver no quadro a luz e a sombra que o tornam real. Saramago n\u00e3o foi apenas o escritor que uns adoraram e outros criticaram. Foi, tamb\u00e9m, o homem e o cidad\u00e3o que edificou casa na pra\u00e7a. Nada, nem pessoas nem ideologias, o podem libertar de cr\u00edticas e ju\u00edzos, que louvores e apre\u00e7os abundaram. De momento, as revistas ainda falam. Precisam de quem, embalado no evento, as compre.<\/p>\n<p>H\u00e1 sempre um depois na hist\u00f3ria de cada um de n\u00f3s, que n\u00e3o se compadece com simpatias ou antipatias. Finalmente, sem apelo, a verdade do que fomos e somos.<\/p>\n<p>E o Mundial de Futebol? Vem vindo \u00e0s pinguinhas. De oito em oito dias, sem que dele se saiba ao certo o hoje e o amanh\u00e3. Para j\u00e1, o povo anda alegre e entretido \u00e0 procura de cromos. O poder pol\u00edtico agradece. No momento, tocar em coisas s\u00e9rias, que n\u00e3o faltam a prop\u00f3sito dos desvarios do futebol, \u00e9 sacril\u00e9gio. A este santo sobram devotos. O final ditar\u00e1 o que parece impor-se. Por agora, sorte no campo e alegria nas vit\u00f3rias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre o pano de fundo de uma crise que explodiu para continuar, acontecimentos importantes mexeram com o povo. Com intensidade variada, contagiando esperan\u00e7a, abafando desgostos, derrubando indiferen\u00e7as, provocando sonhos. Foi a vinda do Papa, a morte de Jos\u00e9 Saramago e, agora, o Mundial de Futebol. Este ainda com tenda armada. Os acontecimentos sociais ou deixam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-2005","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2005"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2005\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}