{"id":20109,"date":"2012-05-16T15:55:00","date_gmt":"2012-05-16T15:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20109"},"modified":"2012-05-16T15:55:00","modified_gmt":"2012-05-16T15:55:00","slug":"uma-conversa-com-santa-joana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-conversa-com-santa-joana\/","title":{"rendered":"Uma conversa com Santa Joana"},"content":{"rendered":"<p>Comunidade <!--more--> No dia 12 de maio, vinha apressada, da S\u00e9, da Eucaristia festiva em honra de Santa Joana. Quando a vi a meu lado, sim, a pr\u00f3pria, a princesa Santa Joana, envergando o seu h\u00e1bito de novi\u00e7a, inici\u00e1mos uma animada conversa. <\/p>\n<p>Falou-me da sua inf\u00e2ncia, da saudade da m\u00e3e, do que \u00e9 crescer na corte, num ambiente palaciano, do desvelo e carinho das suas aias, mas tamb\u00e9m das intrigas e falsidades, dum ambiente, n\u00e3o diferente do nosso, onde o sucesso e o brilho justificam tudo!<\/p>\n<p>Contou-me de como o desejo de descobrir o sentido da vida lhe foi ajudando a fazer escolhas, a tomar posi\u00e7\u00f5es, da paix\u00e3o por Cristo que cedo foi conquistando o seu afeto! Da luta interior que viveu: por um lado, o desejo de se consagrar a Deus, a alegria da descoberta vocacional, mas, por outro lado, as preocupa\u00e7\u00f5es com o reino, o governo de sua casa, o pai, o irm\u00e3o\u2026 Os tumultos e confus\u00f5es que antecipava. <\/p>\n<p>Partilhou a alegria que sentiu quando a sua amiga e confidente, D. Brites, se decide a ingressar na Ordem de S. Domingos, em Aveiro. Assim, foi sabendo not\u00edcias da vida neste convento. Falou-me do seu amor e carinho pelo \u201cNosso Pai S. Domingos\u201d. No momento de entrar no Mosteiro de Jesus, Joana escolheu o dia 4 de Agosto, dia deste Santo, para a\u00ed ingressar.  <\/p>\n<p>Com o projeto tra\u00e7ado, ser irm\u00e3 dominicana, a Infanta D. Joana s\u00f3 tinha de conseguir o mais dif\u00edcil, convencer o pai. Como vencer a oposi\u00e7\u00e3o da corte? Do irm\u00e3o? Descreveu-me o cuidado com que escolheu o vestido verde, as joias, o tempo que esteve em ora\u00e7\u00e3o, antes de receber o pai, que regressava vitorioso da guerra contra os mouros, em Arzila. Ofereceu-se para ser o presente que o seu generoso pai daria a Deus, em agradecimento pela vit\u00f3ria. Conseguiu desta maneira arrancar o consentimento, apesar do desagrado geral.<\/p>\n<p>Mesmo com o sim do rei, D. Afonso V, s\u00f3 a f\u00e9 e a persist\u00eancia a trouxeram a Aveiro, ap\u00f3s passar aquele per\u00edodo em Odivelas, onde queriam que permanecesse. Entretanto, falou-me de Aveiro, fal\u00e1mos da tomada de h\u00e1bito\u201d, da emo\u00e7\u00e3o que sentiu, da radicalidade e ousadia dela, que humildemente pediu \u00e0 comunidade, \u201ca miseric\u00f3rdia de Deus e a vossa\u201d, e da coragem da comunidade que aceitou a sua vontade. <\/p>\n<p>Do significado do termo \u201cmiseric\u00f3rdia\u201d, a \u00fanica coisa que pedimos, quando entramos numa congrega\u00e7\u00e3o religiosa. Falou-me da caridade que a prioresa necessitou para manter a serenidade perante as diversas investidas contra a sua decis\u00e3o de a receber, a ela, princesa do reino, no noviciado. Relatou a conversa com o irm\u00e3o; o seu sofrimento, perante a press\u00e3o de tanta gente, que n\u00e3o queria que ela professasse; da doen\u00e7a que teve; do discernimento, em que encontrou a vontade de Deus na ced\u00eancia a n\u00e3o professar, mas como isso nunca a impediu de procurar em tudo, servir e amar a Deus, nas irm\u00e3s e nos pobres.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, perguntei-lhe como via o futuro, as festas? Sorriu, lembrou-me que foi educada em ambiente palaciano, nenhumas honras a envaideciam. Mas que continuava com esperan\u00e7a: Viu as altera\u00e7\u00f5es do Mosteiro, viu \u00e9pocas de grande fervor, assistiu a quando aquele edif\u00edcio foi fechado em 1874, com a morte da \u00faltima religiosa, em consequ\u00eancia da lei de 1834; reaberto por D. Leonor de Lemos, com outras antigas pupilas do Convento, para col\u00e9gio; os esfor\u00e7os que os aveirenses e a irmandade fizeram para que o edif\u00edcio se mantivesse. Depois chegou \u00e0 parte da hist\u00f3ria que eu mais aguardava, 1884. Falou-me da chegada da Madre In\u00eas Duff \u00e0 cidade, de como foi dif\u00edcil conservar aquele velho edificio, das dificuldades que as Irm\u00e3s passaram para tornar aquela casa num dos melhores Col\u00e9gios do reino, onde tanto pobres como ricos tinham acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o; da persist\u00eancia e caridade desta prioresa, apoiada pela fundadora da Congrega\u00e7\u00e3o, D. Teresa de Saldanha.  <\/p>\n<p>Eu referi as cartas que li, entre Teresa de Saldanha e o Bispo de Coimbra, D. Manuel de Bastos Pina [Aveiro pertencia \u00e0 diocese conimbricense], onde se v\u00ea o zelo desta pedagoga em dotar o Col\u00e9gio de condi\u00e7\u00f5es. St.\u00aa Joana manifestou alegria e simpatia pela fundadora das Irm\u00e3s Dominicanas de Santa Catarina de Sena. Tal como ela, Teresa tamb\u00e9m teve de mostrar o seu car\u00e1ter para poder viver a sua consagra\u00e7\u00e3o religiosa. Teve de lutar contra a vontade da fam\u00edlia, contra as correntes pol\u00edticas da sua \u00e9poca. Ainda partilhou a tristeza que sentiu em 1910, quando as Ordens religiosas foram extintas\u2026 <\/p>\n<p>E agora? Perguntei eu. Mas apenas o vento me respondeu\u2026 Olhei bem a est\u00e1tua e pareceu-me que sorria, como que a dizer: Continuo a acreditar na juventude, em gente que quer ser radical, que quer seguir Cristo, continuo a acreditar \u201cna minha pequena Lisboa\u201d, como Santa Joana  chamava Aveiro.<\/p>\n<p>Fl\u00e1via Louren\u00e7o, irm\u00e3 da comunidade das Dominicanas de Santa Catarina de Sena, Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-20109","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20109"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20109\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}