{"id":20110,"date":"2012-05-16T15:56:00","date_gmt":"2012-05-16T15:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20110"},"modified":"2012-05-16T15:56:00","modified_gmt":"2012-05-16T15:56:00","slug":"reverencia-nao-e-subserviencia-nem-demagogia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/reverencia-nao-e-subserviencia-nem-demagogia\/","title":{"rendered":"Rever\u00eancia n\u00e3o \u00e9 subservi\u00eancia nem demagogia"},"content":{"rendered":"<p>As rela\u00e7\u00f5es dos leigos com a hierarquia n\u00e3o d\u00e3o lugar a atitudes de altern\u00e2ncia de poderes. Dada a natureza da hierarquia, por vontade de Cristo um servi\u00e7o permanente ao Povo de Deus, as rela\u00e7\u00f5es m\u00fatuas est\u00e3o marcadas por um sentido de comunh\u00e3o e de fraternidade. S\u00e3o rela\u00e7\u00f5es de prontid\u00e3o e obedi\u00eancia crist\u00e3, em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 estabelecido pelos pastores da Igreja, n\u00e3o arbitrariamente, mas como representantes de Cristo, no seu papel de mestres da f\u00e9 e respons\u00e1veis pela comunh\u00e3o e unidade na Igreja.<\/p>\n<p>Esta rela\u00e7\u00e3o, diz o Conc\u00edlio (LG 37), se marca um dever, n\u00e3o pode esquecer, por\u00e9m, o direito de \u201cos leigos receberem, em abund\u00e2ncia, os bens espirituais, sobretudo os aux\u00edlios da Palavra de Deus e dos sacramentos; de manifestarem as suas necessidades e os seus desejos com liberdade e confian\u00e7a\u201d. \u201cT\u00eam a faculdade e at\u00e9,  por vezes, o dever, de manifestar o seu parecer no que se refere ao bem da Igreja\u201d. Para isso existem os \u00f3rg\u00e3os de corresponsabilidade e participa\u00e7\u00e3o, como os conselhos pastorais e econ\u00f3micos, as assembleias e outros modos de participa\u00e7\u00e3o, segundo os locais e as circunst\u00e2ncias. Mas nada disto impede de que o fa\u00e7am pessoalmente, se for caso, sempre \u201ccom verdade, fortaleza e prud\u00eancia, mostrando respeito e caridade para com aqueles que, por motivo do seu of\u00edcio sagrado, fazem as vezes de Cristo\u201d.<\/p>\n<p>Estes deveres e direitos dos leigos, obrigam os pastores, como os mais respons\u00e1veis das comunidades, diocesanas ou paroquiais, a que \u201creconhe\u00e7am e tornem efetivas a dignidade e corresponsabilidade dos leigos na Igreja; aproveitem, de bom grado, o seu conselho prudente; lhes confiem servi\u00e7os para o bem da comunidade crist\u00e3, e lhes deixem liberdade e campo de a\u00e7\u00e3o; os animem a empreender outras obras por iniciativa pr\u00f3pria; e considerem, diante de Deus e com paternal afeto, as iniciativas, as propostas e os desejos manifestados pelos leigos. H\u00e3o de ainda reconhecer e respeitar a justa liberdade que aos leigos compete na sociedade civil\u201d. Um campo dif\u00edcil, mas que n\u00e3o admite subterf\u00fagios.<\/p>\n<p>Todos reconhecemos que um longo caminho resta para andar. O clericalismo persiste um pouco por todo o lado, e a atitude de muitos leigos, cansados de esperar ou com deficiente forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3, torna-se, por vezes, agressiva e intolerante. Quando se vive em clima de mando e de reivindica\u00e7\u00e3o, sempre a evitar, as rela\u00e7\u00f5es m\u00fatuas tornam-se imposs\u00edveis, e desaparecem as vantagens para a Igreja, um povo de irm\u00e3os, sinal novo de uma presen\u00e7a e de uma a\u00e7\u00e3o indispens\u00e1veis. Quando n\u00e3o s\u00e3o respeitados, assim recorda o Conc\u00edlio, os leigos perdem o sentido de responsabilidade pr\u00f3pria, desaparece o seu entusiasmo, esfuma-se o prop\u00f3sito de unir for\u00e7as que poderiam tornar mais operoso o trabalho dos que presidem \u00e0 comunidade.<\/p>\n<p>Ao lermos os resultados da recente amostragem sobre a Igreja e a sua presen\u00e7a na sociedade portuguesa, n\u00e3o podemos deixar de considerar o estilo das rela\u00e7\u00f5es, hierarquia-leigos, que persiste e leva, por vezes, alguns a abandonar a par\u00f3quia e at\u00e9 mesmo a Igreja. Sem o acolhimento capaz, a dignidade reconhecida e o respeito devido, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel o di\u00e1logo construtivo, hoje necess\u00e1rio, para que se manifeste a verdade do Evangelho, a originalidade da comunh\u00e3o no seio da Igreja e a presen\u00e7a significante desta na sociedade, que n\u00e3o se opera sem os leigos crist\u00e3os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As rela\u00e7\u00f5es dos leigos com a hierarquia n\u00e3o d\u00e3o lugar a atitudes de altern\u00e2ncia de poderes. Dada a natureza da hierarquia, por vontade de Cristo um servi\u00e7o permanente ao Povo de Deus, as rela\u00e7\u00f5es m\u00fatuas est\u00e3o marcadas por um sentido de comunh\u00e3o e de fraternidade. 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