{"id":20153,"date":"2012-05-23T16:00:00","date_gmt":"2012-05-23T16:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20153"},"modified":"2012-05-23T16:00:00","modified_gmt":"2012-05-23T16:00:00","slug":"brincaram-com-o-fogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/brincaram-com-o-fogo\/","title":{"rendered":"Brincaram com o fogo&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> &#8230;E queimaram-se.<\/p>\n<p>Fogo e vento sempre foram s\u00edmbolos do poder do esp\u00edrito de Deus. O \u00absopro\u00bb ou \u00abesp\u00edrito\u00bb de Deus, revelado em Jesus Cristo, s\u00f3 \u00e9 claramente reconhecido depois de Jesus viver na alegria de Deus (como vimos na festa da \u00abAscens\u00e3o\u00bb). \u00c9 o mesmo \u00absopro\u00bb (em hebraico ruah e em grego pneuma) da cria\u00e7\u00e3o do mundo e da cria\u00e7\u00e3o do Homem. \u00c9 o vento e a respira\u00e7\u00e3o. Ambos est\u00e3o ligados \u00e0 morte e \u00e0 vida, mas particularmente \u00e0 for\u00e7a vital.<\/p>\n<p> Os disc\u00edpulos de Jesus tanto se deixaram entusiasmar pela experi\u00eancia de um \u00abmundo novo\u00bb, que desataram a falar em p\u00fablico sem peias, com um poder extraordin\u00e1rio de comunica\u00e7\u00e3o e de percep\u00e7\u00e3o do essencial. Os Actos dos Ap\u00f3stolos d\u00e3o o colorido das \u00abl\u00ednguas de fogo\u00bb e do \u00abdom das l\u00ednguas\u00bb: a nova mensagem \u00e9 facilmente intelig\u00edvel, se a queremos escutar, e promove a uni\u00e3o e o apre\u00e7o dos seres humanos entre si. \u00c9 interessante contrastar com o desentendimento provocado pela vaidade e ambi\u00e7\u00e3o dos construtores da Torre de \u00abBabel\u00bb (\u00abconfus\u00e3o\u00bb, em hebraico), como conta a lenda do Livro do G\u00e9nesis (11,1-9). <\/p>\n<p>No Pentecostes (o \u00abquinquag\u00e9simo dia\u00bb depois da P\u00e1scoa, ou seja, o dia seguinte a 7 vezes 7 dias), um punhado de homens e mulheres juntou-se em nome do Deus da uni\u00e3o, da verdade, da coopera\u00e7\u00e3o, da sabedoria. Entusiasmaram-se tanto e meteram tanto fogo na actua\u00e7\u00e3o, que os poderes institu\u00eddos se incomodaram: foram reduzidos ao sil\u00eancio, n\u00e3o faltando persegui\u00e7\u00f5es cru\u00e9is. Queimaram-se e bem. <\/p>\n<p>Espantosamente, desde h\u00e1 dois mil anos para c\u00e1, muitos outros disc\u00edpulos ousaram brincar com o mesmo fogo e incorrer nas queimadelas. \u00c9 claro, os piores \u00abqueimadores\u00bb (outros \u00absantos inquisidores\u00bb\u2026) s\u00e3o aqueles que se chamam disc\u00edpulos de Jesus mas para mais \u00e0 vontade constru\u00edrem as \u00abtorres\u00bb do poder interesseiro, da desuni\u00e3o e do mercenarismo. <\/p>\n<p>Para os crist\u00e3os, esta festa significa o in\u00edcio da aventura da humanidade na constru\u00e7\u00e3o do \u00abreino de Deus\u00bb e no an\u00fancio da \u00abboa nova\u00bb. As barreiras \u00e9tnicas e lingu\u00edsticas s\u00e3o cada vez mais vencidas, como \u00e9 simbolizado pelo \u00abdom de falar outras l\u00ednguas\u00bb. Disso s\u00e3o exemplo os primeiros mission\u00e1rios da Idade M\u00e9dia, que se tornaram protagonistas do desenvolvimento da cultura local; ou os primeiros mission\u00e1rios portugueses na Am\u00e9rica do Sul, no Jap\u00e3o e na China, que trabalharam para comunicar o mais perfeitamente poss\u00edvel com esses povos, inserindo-se na cultura deles e defendendo os direitos humanos com a for\u00e7a do \u00absopro de Deus\u00bb. E tamb\u00e9m estes se queimaram\u2026<\/p>\n<p>O respeito de Deus pela nossa liberdade pertence \u00e0 ess\u00eancia da festa de hoje. Cabe a cada homem desejar ou n\u00e3o o esp\u00edrito de Deus; e quem quer que o aceite recebe-o \u00e0 maneira da sua personalidade, e s\u00f3 assim poder\u00e1 fazer render ao m\u00e1ximo os talentos que lhe cabem. Nesta concep\u00e7\u00e3o de \u00abesp\u00edrito santo\u00bb, assentam as v\u00e1rias confiss\u00f5es religiosas de raiz crist\u00e3. \u00c9 dif\u00edcil para o Homem conciliar diversidade e unidade. Mas em Deus une-se a riqueza de todos os contr\u00e1rios, na feliz express\u00e3o do grande humanista Nicolau de Cusa (s. XV).<\/p>\n<p>Hoje, lembramos que uma pequena comunidade se disp\u00f4s a aprofundar um plano sobre o que \u00e9 o que vale mais a pena para os homens, \u00abem sociedade\u00bb com Deus. O aprofundamento do projecto, por\u00e9m, e a discuss\u00e3o dos processos de ac\u00e7\u00e3o exigem que assiduamente essa comunidade se re\u00fana e se mostre receptiva ao esp\u00edrito da Sabedoria. Depois de reunida em \u00abgrupo perfeito\u00bb (em que as pessoas mais diferentes partilham as suas opini\u00f5es), pode apresentar-se sem medo perante a multid\u00e3o.<\/p>\n<p>Na nossa vida, tudo toma a forma de um projecto: \u00abfazer fam\u00edlia\u00bb, e com essa base de uni\u00e3o fazer render o trabalho \u2013 no campo, na empresa, nos v\u00e1rios tipos de escola\u2026 E porque Deus \u00e9 por ess\u00eancia criativo, cada um de n\u00f3s \u00e9 chamado a \u00abmostrar a sua gra\u00e7a\u00bb no esfor\u00e7o de procurar o bem e de o promover em toda a terra.  <\/p>\n<p>Vale a pena brincar com este fogo. E at\u00e9 arriscar umas queimadelas\u2026<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-20153","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20153","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20153"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20153\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20153"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20153"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20153"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}