{"id":20171,"date":"2012-05-09T16:42:00","date_gmt":"2012-05-09T16:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20171"},"modified":"2012-05-09T16:42:00","modified_gmt":"2012-05-09T16:42:00","slug":"historias-de-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/historias-de-familia\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias de fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Tr\u00eas hist\u00f3rias: S. Pedro e a comunidade crist\u00e3 enfrentam novos tipos de ser e pensar; uma carta de S. Jo\u00e3o conta o que lhe vai na alma; e as mem\u00f3rias de um ser\u00e3o intensamente dram\u00e1tico.<\/p>\n<p>Recordar requer o dom de contar e s\u00f3 conta bem quem fez fam\u00edlia com quem \u00e9 recordado. E s\u00f3 recorda a s\u00e9rio quem guarda dentro de si a vida daquele que ama.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m s\u00f3 \u00e9 bom ouvinte quem se disp\u00f5e a partilhar dos sentimentos do contador; quem faz perguntas e \u00e9 curioso de ouvir hist\u00f3rias que falem de mundos novos.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s sabemos que h\u00e1 p\u00e9ssimos contadores de hist\u00f3rias. Por mau jeito de articula\u00e7\u00e3o seja das palavras seja das ideias. Os piores, por\u00e9m, ser\u00e3o aqueles que, justamente nas hist\u00f3rias importantes, se ficam por discursos \u00abmoralizantes\u00bb, demasiado \u00abang\u00e9licos\u00bb, revelando que n\u00e3o vibram a s\u00e9rio com aquilo de que est\u00e3o a falar. Caem numa linguagem quase incompreens\u00edvel e apresentam os valores como tesouros intoc\u00e1veis. Lembram certas leituras da liturgia \u2013 mon\u00f3tonas, demasiado \u00abet\u00e9reas\u00bb, sem liga\u00e7\u00e3o com a vida e, mais grave ainda, desvalorizando a alegria de viver (qual \u00e9 o crit\u00e9rio de escolha e de remodela\u00e7\u00e3o do texto original?).<\/p>\n<p>Ora um valor, por mais vener\u00e1vel e venerado que seja, precisa de ser continuamente avaliado e sujeito a novos modos de express\u00e3o. De outro modo, deixa de ser um valor compreendido e querido por cada ser humano, transformando-se num instrumento de opress\u00e3o \u2013 espiritual, pol\u00edtica e f\u00edsica. <\/p>\n<p>Aquilo a que damos mais valor deve ser o centro das nossas hist\u00f3rias. E \u00e0 medida que as contamos \u00e9 que a fam\u00edlia vai descobrindo \u00abo fio da hist\u00f3ria\u00bb. <\/p>\n<p>Os primeiros crist\u00e3os precisaram de contar e recontar como o Esp\u00edrito de Deus levou S. Pedro a reconhecer algumas falhas de intelig\u00eancia e vontade: a 1\u00aa leitura descreve a dificuldade do \u00abprimeiro papa\u00bb em aceitar a fam\u00edlia do centuri\u00e3o Corn\u00e9lio como igual, em dignidade e direitos, aos crist\u00e3os judeus. <\/p>\n<p>Os preconceitos humanos sempre nos impediram de aderir \u00e0 sabedoria divina: esta \u00e9 que v\u00ea em cada ser humano, sem excep\u00e7\u00e3o, a dignidade de representantes de Deus. N\u00e3o foi Jesus Cristo desprezado e maltratado? N\u00e3o disse ele que \u00abquem manda seja como quem serve\u00bb? N\u00e3o falou S. Paulo das diferentes fun\u00e7\u00f5es e estatutos sociais de quem faz o trabalho \u00abou das m\u00e3os ou dos p\u00e9s\u00bb? Uns e outros s\u00e3o a mesma fam\u00edlia, onde a alegria n\u00e3o depende de ser o \u00abhomem rico\u00bb ou o \u00abhomem pobre\u00bb. Quanto \u00e0queles intrusos que s\u00f3 fazem roda ao \u00abhomem rico\u00bb\u2026 n\u00e3o querem mesmo ser da fam\u00edlia. <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o esque\u00e7amos duas coisas: S. Pedro foi capaz de \u00abvirar as tripas do avesso\u00bb para aceitar os pag\u00e3os como \u00abfam\u00edlia\u00bb e mais tarde pagou com a vida a fidelidade ao novo compromisso. <\/p>\n<p>S. Jo\u00e3o continua a falar do amor. Conta-se que j\u00e1 os disc\u00edpulos dele se queixavam de estarem sempre a ouvir a mesma m\u00fasica\u2026 Mas S. Jo\u00e3o insistia. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que era algu\u00e9m super impressionado com \u00abas hist\u00f3rias de Cristo\u00bb!<\/p>\n<p>Numa fam\u00edlia equilibrada, gente velha e gente mo\u00e7a, gente letrada ou n\u00e3o, irm\u00e3o rico e irm\u00e3o pobre\u2026 todos andam no mesmo rodopio, entre o arrega\u00e7ar das mangas e a ternura dos beijos e abra\u00e7os. Todos contam hist\u00f3rias e s\u00e3o actores de hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Nessas fam\u00edlias, ningu\u00e9m nasceu para morrer: todos nasceram para serem ocasi\u00e3o de alegria e de se amarem e para ajudarem a alegria e o amor a vingar por todos os tempos.<\/p>\n<p>\u00c9 aceit\u00e1vel dizer que a dimens\u00e3o religiosa se deve \u00e0 saudade deste amor e alegria t\u00e3o sentidos e t\u00e3o desejados, e que sentimos nunca poderem acabar. A vit\u00f3ria da alegria n\u00e3o \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo e a nossa ressurrei\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Jesus precisou de partilhar ideais e ang\u00fastias, na intimidade com a \u00absua fam\u00edlia\u00bb. E f\u00ea-lo com tanto amor, t\u00e3o certo de dar a vida porque h\u00e1 mais vida, que os seus amigos, desde ent\u00e3o at\u00e9 hoje, se sentem cheios de for\u00e7a para viver e poder contar velhas e novas \u00abhist\u00f3rias de fam\u00edlia\u00bb.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-20171","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20171","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20171"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20171\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}