{"id":20180,"date":"2012-05-16T15:47:00","date_gmt":"2012-05-16T15:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20180"},"modified":"2012-05-16T15:47:00","modified_gmt":"2012-05-16T15:47:00","slug":"custa-tanto-ir-para-o-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/custa-tanto-ir-para-o-ceu\/","title":{"rendered":"Custa tanto ir para o c\u00e9u&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Os \u00faltimos par\u00e1grafos do evangelho segundo S. Marcos (16,9-20), de que faz parte o texto de hoje, n\u00e3o pertencem \u00e0 redac\u00e7\u00e3o original (cerca do ano 70). Formam uma esp\u00e9cie de conclus\u00e3o, redigida provavelmente j\u00e1 no s\u00e9culo II, utilizando elementos dos outros evangelhos e dos Actos dos Ap\u00f3stolos. Sublinham que Jesus vive eternamente e continua a nosso lado, deixando entrever que tamb\u00e9m os seus disc\u00edpulos realizar\u00e3o \u00abactos espantosos\u00bb.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 Carta aos Ef\u00e9sios, comprovou-se ser da autoria de um disc\u00edpulo de S. Paulo, provavelmente escrita j\u00e1 na viragem do s\u00e9culo I para o II. <\/p>\n<p>Das \u00abhist\u00f3rias\u00bb de hoje, a dos Actos \u00e9 portanto a mais antiga, mas ela pr\u00f3pria \u00e9 uma reelabora\u00e7\u00e3o da primeira refer\u00eancia que faz S. Lucas \u00e0 \u00abascens\u00e3o\u00bb, no seu evangelho (24, 50-51), muito mais s\u00f3bria. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, tanto nos quatro evangelhos como nos Actos dos Ap\u00f3stolos, as \u00abhist\u00f3rias\u00bb sobre Jesus de modo nenhum se devem levar \u00e0 letra: n\u00e3o s\u00f3 porque divergem muito umas das outras, como tamb\u00e9m usam imagens e descri\u00e7\u00f5es cheias de simbolismo, de acordo com a perspectiva dos redactores, e ao estilo daquele tempo (participar em refei\u00e7\u00f5es, viagens ou no trabalho de todos dias\u2026 s\u00e3o exemplos de como era vividamente sentido o \u00abconv\u00edvio\u00bb com os disc\u00edpulos).<\/p>\n<p>Todas estas leituras focalizam um tema central: Jesus morreu, como qualquer ser humano. Por\u00e9m ele pr\u00f3prio, durante a sua miss\u00e3o, sublinhou a confian\u00e7a no Pai \u00abque \u00e9 um Deus n\u00e3o dos mortos mas dos vivos\u00bb (Lucas 20,38); e que ele, Jesus \u2013 o \u00abCristo de Deus\u00bb, deixaria o tipo de exist\u00eancia em que vivemos, para viver a \u00fanica exist\u00eancia plena, que \u00e9 a pr\u00f3pria de Deus, uma exist\u00eancia que se pode definir como plenitude da alegria (Mateus 25,21); e que s\u00f3 depois de viver glorificado junto de Deus \u00e9 que o seu Esp\u00edrito manifestaria a sua for\u00e7a em todas as pessoas que o quiserem receber.<\/p>\n<p>Tornou a sua ac\u00e7\u00e3o no mundo mais eficaz, mostrando que n\u00e3o receava entregar o projecto de um \u00abreino de justi\u00e7a\u00bb nas m\u00e3os dos \u00abHomens de boa vontade\u00bb. <\/p>\n<p>Inaugurou-se assim a era do \u00abbaptismo no Esp\u00edrito Santo\u00bb: s\u00f3 quem o aceita \u00e9 que se torna capaz de mudar uma vida mesquinha numa vida que valha a pena \u2013 capaz de \u00abdar o corpo ao manifesto\u00bb. A nossa \u00absalva\u00e7\u00e3o\u00bb s\u00f3 \u00e9 aut\u00eantica, se n\u00e3o ficarmos \u00aba olhar para o c\u00e9u\u00bb, \u00e0 espera de que \u00abo her\u00f3i\u00bb nos salve. Compete-nos lutar por tornar cada vez mais real \u00abo c\u00e9u na terra\u00bb, com programas de justi\u00e7a social e de bem-estar pessoal \u00abj\u00e1 nesta vida\u00bb. Felizmente, h\u00e1 gente que n\u00e3o arreda p\u00e9 nem se vende, para que as rela\u00e7\u00f5es humanas n\u00e3o sigam o crit\u00e9rio da explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o. Sem este testemunho, a esperan\u00e7a n\u00e3o ganha ra\u00edzes.<\/p>\n<p>Jesus Cristo n\u00e3o veio ao mundo para \u00absubir ao c\u00e9u\u00bb, como se estivesse farto desta vida (embora raz\u00f5es n\u00e3o lhe faltassem\u2026). Veio sim para marcar presen\u00e7a na terra. Durante a sua vida, chamou a aten\u00e7\u00e3o, de muitas maneiras, para a hipocrisia daqueles que s\u00f3 se preocupam por \u00abolhar para o c\u00e9u\u00bb \u2013 acabando muitas vezes por cair nos buracos da terra\u2026 e arrastar na queda a muitos outros.<\/p>\n<p>A palavra \u00abc\u00e9u\u00bb e sobretudo \u00abterceiro c\u00e9u\u00bb era uma maneira respeitosa de referir a dignidade inacess\u00edvel de Deus. \u00abSubir ao c\u00e9u\u00bb pode significar o estado supremo de experi\u00eancia divina e de intimidade com Deus (2.\u00aa Carta aos Cor\u00edntios 12, 2-4). A festa da Ascens\u00e3o \u00e9 o nosso modo de celebrar \u00abcomo Jesus Cristo vive\u00bb. <\/p>\n<p>Por\u00e9m\u2026 \u00abcusta tanto ir para o c\u00e9u!\u00bb \u2013 Foi o desabafo de uma pessoa no leito de morte. N\u00e3o vale a pena iludir este sofrimento, este espinho que a todos fere ao longo da vida. A nossa cultura ainda n\u00e3o conseguiu a partilha clarividente do sabor da vida a incluir o sabor da morte. De tal modo que a vida sofra a morte como um acto de confian\u00e7a no trabalho dos vindouros, uma confian\u00e7a que precisa de ser constru\u00edda enquanto nos sentimos \u00abbem vivos\u00bb. Confiantes de assim evitar a solid\u00e3o dos \u00faltimos dias e o medo dessa solid\u00e3o; e aumentar a coragem e alegria na vida de todos n\u00f3s. <\/p>\n<p>A qualidade da vida (na sua simbiose espiritual e material) s\u00f3 \u00e9 garantida se houver quem a viva a s\u00e9rio. Ora ligar-se \u00e0 vida \u00e9 ligar-se a Deus: \u00e9 um adentrar-se no mist\u00e9rio de Deus, que \u00e9 o mist\u00e9rio da exist\u00eancia de todas as coisas, da disparidade dos nossos sentimentos e de haver o bem e o mal. E ligar-se a Deus \u00e9 o verdadeiro \u00absubir ao c\u00e9u\u00bb. <\/p>\n<p>Afinal, bem de acordo com S. Marcos, foi-nos dado a todos o maior dos poderes miraculosos: fazer o c\u00e9u na terra.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-20180","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20180","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20180"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20180\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}