{"id":20217,"date":"2012-05-30T16:42:00","date_gmt":"2012-05-30T16:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20217"},"modified":"2012-05-30T16:42:00","modified_gmt":"2012-05-30T16:42:00","slug":"licoes-para-tempos-de-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/licoes-para-tempos-de-crise\/","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es para tempos de crise"},"content":{"rendered":"<p>Maio \u00e9 um m\u00eas cheio de sinais que desafiam a olhar para o essencial: \u00e9 o m\u00eas do cora\u00e7\u00e3o, o m\u00eas da M\u00e3e, o m\u00eas de F\u00e1tima, o m\u00eas da Vida. <\/p>\n<p>Este pretexto serve-me de mote para recuperar mem\u00f3rias de tempos em que outras crises desafiaram a encontrar rumos.<\/p>\n<p>Recuo a 1998. Nesse ano, Portugal efervescia, diante da imin\u00eancia do primeiro referendo nacional, a realizar em 28 de junho, dedicado ao tema \u00ababorto\u00bb. Nesse mesmo ano, Portugal voltaria a ser chamado para se pronunciar em referendo, mas j\u00e1 sobre a regionaliza\u00e7\u00e3o, em novembro. Sobre esta \u00faltima mat\u00e9ria, n\u00e3o voltaria a surgir novo momento para pronunciamento popular. J\u00e1 sobre o aborto, a insist\u00eancia em que esta seria mat\u00e9ria \u00abde progresso\u00bb fez com que se regressasse ao assunto em 11 de fevereiro de 2007.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 por todos conhecida, servindo, seguramente, no futuro, de pretexto para estudos sobre como se manipulam as consci\u00eancias no sentido de demonstrar que o inadmiss\u00edvel possa tornar-se aceit\u00e1vel. Mas n\u00e3o \u00e9, por agora, o n\u00facleo em que encontrarei um modelo de como proceder para superar uma crise.<\/p>\n<p>Regressemos a 1998. <\/p>\n<p>O pa\u00eds efervescia. De um lado, os que defendiam que a liberdade de abortar era um direito da mulher; de outro, os que sustentavam que nada podia legitimar a morte dos indefesos. Ent\u00e3o, como hoje, eu estava do segundo lado, certo de ser a posi\u00e7\u00e3o em que ningu\u00e9m perdia. Ent\u00e3o, como hoje, estava convicto de que o outro lado defendia um contra outro, a m\u00e3e contra o filho. <\/p>\n<p>Mas, nesses tempos, os que se encontravam do mesmo lado em que eu me situava, verificaram que a sua posi\u00e7\u00e3o apresentava uma aparente fragilidade. Era magra a resposta que se tinha para dar \u00e0s mulheres que se sentiam v\u00edtimas de press\u00f5es para abortar: n\u00e3o tinham, ou n\u00e3o sabiam, a quem recorrer para evitar o que n\u00e3o pretendiam.<\/p>\n<p>Apesar de o aborto, como qualquer morte provocada de um inocente, ser, antes de tudo, mat\u00e9ria de \u00e9tica e de moral, esta fragilidade n\u00e3o deixou de constituir um desafio e de provocar uma crise que exigia resposta a todos os que reconheciam que a vida vale todos os esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>O referendo realizou-se, vencendo, ent\u00e3o, o \u00abn\u00e3o\u00bb. <\/p>\n<p>Para muitos, para os que consideram que o mundo \u00e9 s\u00f3 aquilo de que falam os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, a partir dessa data n\u00e3o houve mais nada at\u00e9 2007. A realidade, por\u00e9m, foi outra. A partir dessa data, come\u00e7ou, em Portugal, toda uma onda de resposta ao drama do aborto, surgindo, um pouco por todo o pa\u00eds, associa\u00e7\u00f5es e outras institui\u00e7\u00f5es que v\u00eam assegurando, desde ent\u00e3o, respostas estruturadas para as mulheres e fam\u00edlias que necessitam de apoio para que os seus filhos possam nascer. <\/p>\n<p>Essa onda, que uniu esfor\u00e7os para que se encontrassem respostas que o Estado teimava em n\u00e3o dar, esteve na origem de um movimento de que nasceu a ADAV-Aveiro, fundada em 21 de julho de 2000, como fruto da uni\u00e3o de esfor\u00e7os de 30 pessoas, entre as quais eu pr\u00f3prio me contava, e a quem outras se associaram. Pessoas que entendiam que essa era a hora de responder a um desafio que o Estado fazia de conta que n\u00e3o existia. A associa\u00e7\u00e3o nasceu, cresceu, vendo reconhecido, a partir de 2004, o seu estatuto de IPSS. Hoje, em cada ano, a ADAV-Aveiro acompanha mais de 100 fam\u00edlias, e assegura condi\u00e7\u00f5es para que, por ano, v\u00e1rias dezenas de crian\u00e7as possam nascer, auxiliando-as nos primeiros anos de vida.<\/p>\n<p>Tendo sede em Aveiro, a ADAV acompanha fam\u00edlias de todo o distrito. Conta com pouco mais de 100 s\u00f3cios e alguns benfeitores, sendo uma associa\u00e7\u00e3o que presta todo o apoio com recurso a volunt\u00e1rios e gra\u00e7as \u00e0 generosidade de todos os que reconhecem nesta uma verdadeira causa nobre.<\/p>\n<p>Na origem desta associa\u00e7\u00e3o, reserva-se uma mensagem para todos os tempos de crise: quando o desafio est\u00e1 diante dos nossos olhos, n\u00e3o h\u00e1 que desviar o olhar, mas ver por onde \u00e9 o caminho que atravessa a crise. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, como hoje, n\u00e3o h\u00e1 que esperar que sejam os outros a responder, mas aceitar que a crise \u00e9 o crisol em que se purifica o ouro. Pode ser dura, mas se n\u00e3o nos acomodarmos, saberemos sair refor\u00e7ados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maio \u00e9 um m\u00eas cheio de sinais que desafiam a olhar para o essencial: \u00e9 o m\u00eas do cora\u00e7\u00e3o, o m\u00eas da M\u00e3e, o m\u00eas de F\u00e1tima, o m\u00eas da Vida. Este pretexto serve-me de mote para recuperar mem\u00f3rias de tempos em que outras crises desafiaram a encontrar rumos. Recuo a 1998. 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