{"id":20280,"date":"2012-06-06T15:34:00","date_gmt":"2012-06-06T15:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20280"},"modified":"2012-06-06T15:34:00","modified_gmt":"2012-06-06T15:34:00","slug":"ha-os-que-ficam-de-fora-e-os-que-estao-dentro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ha-os-que-ficam-de-fora-e-os-que-estao-dentro\/","title":{"rendered":"H\u00e1 os que ficam de fora e os que est\u00e3o dentro"},"content":{"rendered":"<p>Jesus continua a percorrer o espa\u00e7o geogr\u00e1fico da Galileia e a cumprir a sua miss\u00e3o de anunciar o \u201cReino\u201d. Come\u00e7a, no entanto, a crescer a onda de contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 sua prega\u00e7\u00e3o. Tomando como pretexto alguns casos particulares cada vez mais insignificantes, os l\u00edderes judaicos manifestam a sua firme oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 novidade do \u201cReino\u201d. As pol\u00e9micas e controv\u00e9rsias marcam esta fase da caminhada de Jesus.<\/p>\n<p>De uma forma geral, Marcos narra as controv\u00e9rsias seguindo um esquema fixo e sempre igual: come\u00e7a com a apresenta\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o, continua com a discuss\u00e3o e termina com um \u201cdito\u201d final de Jesus. Este \u201cdito\u201d n\u00e3o oferece a mera solu\u00e7\u00e3o do \u201ccaso\u201d em quest\u00e3o, mas \u00e9 sempre uma autorrevela\u00e7\u00e3o de Jesus, de import\u00e2ncia decisiva para a comunidade crist\u00e3 do tempo de Marcos e de todos os tempos.<\/p>\n<p>Toda a cena se passa numa \u201ccasa\u201d. Que casa \u00e9 essa? \u00c9 uma casa onde Jesus est\u00e1 a pregar a Palavra e \u00e9 uma casa onde \u00abde novo acorreu tanta gente, de modo que nem sequer podiam comer\u00bb. \u00c9 tamb\u00e9m uma casa onde est\u00e3o sentados\/instalados alguns especialistas da Lei (escribas). A \u201ccasa\u201d onde Jesus prega, onde se congrega a comunidade judaica e onde h\u00e1 escribas instalados, poderia ser uma figura da sinagoga, entendida como assembleia do Povo de Deus. O facto de se referir que a \u201ccasa\u201d em quest\u00e3o estava situada na cidade de Cafarnaum (o centro a partir do qual irradia a atividade de Jesus na Galileia) poderia indicar que Marcos est\u00e1 a falar da comunidade judaica da Galileia, em cujas sinagogas Jesus acabou de passar (cf. Mc 1,39), anunciando a Boa Nova do Reino. Em qualquer caso, a \u201ccasa\u201d representa essa comunidade judaica a quem Jesus dirige a prega\u00e7\u00e3o do \u201cReino\u201d.<\/p>\n<p>A mensagem evang\u00e9lica de hoje apresenta tr\u00eas di\u00e1logos de Jesus: dois com os seus familiares, no princ\u00edpio e no fim, outro com os escribas, no meio.<\/p>\n<p>Fiquemo-nos pelos familiares de Jesus. Diz-se que v\u00e3o a Cafarnaum para levar Jesus desta casa onde est\u00e1 para a sua casa em Nazar\u00e9. Muitas s\u00e3o as raz\u00f5es: muito tempo fora da fam\u00edlia, not\u00edcias contradit\u00f3rias sobre a sua atividade, mensagem em contraste com a doutrina oficial dos escribas e fariseus, contacto com os pecadores de quem \u00e9 amigo, n\u00e3o seguimento da tradi\u00e7\u00e3o dos antigos nem respeito pelo s\u00e1bado; enfim, Jesus \u00e9 considerado louco e her\u00e9tico. A inten\u00e7\u00e3o principal \u00e9 reconduzi-lo ao caminho reto de um aut\u00eantico judeu.<\/p>\n<p>H\u00e1 os que ficam de fora e os que est\u00e3o dentro. Imagem atual\u00edssima para n\u00f3s hoje. Podemos andar por fora, arredios, ficar \u00e0 porta, at\u00e9 nos chamarmos \u201ccat\u00f3licos n\u00e3o praticantes\u201d. Que significa isso? Faz sentido? Ou se \u00e9 ou n\u00e3o se \u00e9. A\u00ed est\u00e1 de novo a radicalidade da op\u00e7\u00e3o por Jesus. Ou ficamos fora, ou estamos dentro da casa, unidos a Jesus, a escut\u00e1-lo e a segui-lo com todo o nosso ser, com todo o nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em outubro pr\u00f3ximo inicia-se a celebra\u00e7\u00e3o do Ano F\u00e9, anunciado h\u00e1 meses por Bento XVI atrav\u00e9s de um breve mas bel\u00edssimo documento. A\u00ed est\u00e1: ou entramos na porta da casa, na Porta da F\u00e9, e continuamos o caminho apenas com Jesus como \u00fanico nas nossas vidas, ou ficamos \u00e0 porta ou a espreitar pelas janelas, continuando a apanhar ou a soprar outros ventos que n\u00e3o nos centram em Jesus.<\/p>\n<p>Na caminhada da f\u00e9, cada um \u00e9 livre de optar pela fam\u00edlia que quiser: ou ficar pelas fam\u00edlias que dispersam do sentido da vida, ou permanecer na \u00fanica fam\u00edlia de Jesus, de \u00abquem quiser fazer a vontade de Deus\u00bb.<\/p>\n<p>A segunda Carta de Paulo aos Cor\u00edntios apareceu num momento particularmente tenso da rela\u00e7\u00e3o entre o ap\u00f3stolo e essa comunidade crist\u00e3 da Gr\u00e9cia. Algumas duras cr\u00edticas de Paulo (na primeira Carta aos Cor\u00edntios) a certos membros da comunidade que viviam de forma pouco coerente com a f\u00e9 crist\u00e3 provocaram um certo desconforto na comunidade, que foi aproveitado pelos opositores de Paulo, que criaram um clima de hostilidade contra o ap\u00f3stolo. Paulo foi acusado de estar a cuidar apenas dos seus pr\u00f3prios interesses e de pregar uma doutrina que n\u00e3o estava em conson\u00e2ncia com o Evangelho anunciado pelos outros ap\u00f3stolos. Na opini\u00e3o dos seus detratores, o facto de Paulo n\u00e3o ter apresentado qualquer \u201ccarta de recomenda\u00e7\u00e3o\u201d que comprovasse a sua autoridade para anunciar o Evangelho significava que a doutrina por ele pregada n\u00e3o era digna de f\u00e9.<\/p>\n<p>Ao saber do que se passava, Paulo foi a Corinto; mas essa ida n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o resolveu o problema como at\u00e9 o radicalizou. Deve ter havido uma troca violenta de argumentos e de palavras e Paulo foi gravemente ofendido por um membro da comunidade. Algum tempo depois, Tito, amigo e colaborador de Paulo, partiu para Corinto com a miss\u00e3o de acalmar os \u00e2nimos e de tentar a reconcilia\u00e7\u00e3o. Quando voltou, Tito trazia not\u00edcias animadoras: o diferendo fora ultrapassado e os Cor\u00edntios estavam, outra vez, em comunh\u00e3o com Paulo. Foi ent\u00e3o que Paulo escreveu a nossa segunda Carta aos Cor\u00edntios. Nela, o ap\u00f3stolo explicava tranquilamente aos Cor\u00edntios os princ\u00edpios que sempre orientaram o seu trabalho apost\u00f3lico (cf. 2 Cor 1,3-7,16) e desmontava os argumentos dos advers\u00e1rios (cf. 2 Cor 10,1-13,10). Est\u00e1vamos nos anos 56\/57.<\/p>\n<p>Neste contexto, o texto de hoje situa-nos na op\u00e7\u00e3o pelo sentido da nossa vida em Cristo. Paulo apresenta duas fortes convic\u00e7\u00f5es de f\u00e9: \u00abcom este mesmo esp\u00edrito de f\u00e9, tamb\u00e9m acreditamos, e falamos\u00bb, que Deus h\u00e1 de ressuscitar-nos com Jesus e vai levar-nos para ficarmos eternamente em comunh\u00e3o com Ele; o homem interior renova-se em cada dia na medida em que intensifica o seu olhar nas coisas invis\u00edveis que s\u00e3o eternas. Em consequ\u00eancia, h\u00e1 que renovar constantemente, sem desanimar, esta op\u00e7\u00e3o pela habita\u00e7\u00e3o eterna, em comunh\u00e3o plena com Deus. Coisas essenciais, ditas de modo claro, a exigir coer\u00eancia \u00e0queles que querem continuar a viver como aut\u00eanticos disc\u00edpulos de Cristo.<\/p>\n<p>Coment\u00e1rio retirado de www.dehonianos.org. Esta semana n\u00e3o foi poss\u00edvel publicar o habitual coment\u00e1rio do professor Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus continua a percorrer o espa\u00e7o geogr\u00e1fico da Galileia e a cumprir a sua miss\u00e3o de anunciar o \u201cReino\u201d. Come\u00e7a, no entanto, a crescer a onda de contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 sua prega\u00e7\u00e3o. Tomando como pretexto alguns casos particulares cada vez mais insignificantes, os l\u00edderes judaicos manifestam a sua firme oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 novidade do \u201cReino\u201d. 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