{"id":20325,"date":"2012-06-14T11:23:00","date_gmt":"2012-06-14T11:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20325"},"modified":"2012-06-14T11:23:00","modified_gmt":"2012-06-14T11:23:00","slug":"um-caminho-novo-com-fronteiras-alargadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-caminho-novo-com-fronteiras-alargadas\/","title":{"rendered":"Um caminho novo com fronteiras alargadas"},"content":{"rendered":"<p>No mesmo dia (21-11-1964), Paulo VI promulgou a Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Igreja e os decretos sobre o Ecumenismo e as Igrejas Orientais Cat\u00f3licas.<\/p>\n<p>O problema do ecumenismo vinha de longe e acompanhou as preocupa\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio, desde a sua prepara\u00e7\u00e3o. Jo\u00e3o XXIII declarara que o Conc\u00edlio tinha tamb\u00e9m como finalidade descobrir e abrir caminhos de unidade entre as diversas confiss\u00f5es crist\u00e3s. <\/p>\n<p>O Cisma do Oriente (s\u00e9c. XI) marca a primeira rutura com a Igreja de Roma. Depois foi a Reforma com a cis\u00e3o dos luteranos (s\u00e9c. XVI) e dos anglicanos (s\u00e9c. XVI). Tudo isto eram como que espinhos dolorosos no corpo eclesial. As preocupa\u00e7\u00f5es de unidade, volvidos s\u00e9culos, passaram a viver-se, inicialmente, por iniciativa dos anglicanos, traduzida em ora\u00e7\u00e3o pela unidade, a que outras Igreja se associaram no Oitav\u00e1rio de Ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos crist\u00e3os, de 18 a 25 de janeiro. Com o Conc\u00edlio deu-se a possibilidade de um di\u00e1logo teol\u00f3gico, nem sempre f\u00e1cil, mas sereno. Te\u00f3logos de grande prest\u00edgio, como o padre Congar, vinham-se j\u00e1 dedicando, \u00e0 data do Conc\u00edlio, a esta dif\u00edcil mas urgente tarefa de se procurarem caminhos aptos e de entendimento para a uni\u00e3o dos crentes em Jesus Cristo. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o XXIII, numa decis\u00e3o ao seu jeito, convidou, inesperadamente, observadores para as sess\u00f5es conciliares, membros de diversas confiss\u00f5es crist\u00e3s. O facto n\u00e3o agradou a alguns setores da Igreja Cat\u00f3lica, como, j\u00e1 antes, n\u00e3o agradaram iniciativas de outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas. Esta inova\u00e7\u00e3o continuou nos s\u00ednodos episcopais que se seguiram ao Conc\u00edlio, com uma evolu\u00e7\u00e3o significativa: os que come\u00e7aram por ser \u201cObservadores\u201d, pouco mais tarde j\u00e1 foram ditos \u201cIrm\u00e3os\u201d. <\/p>\n<p>O progresso feito de h\u00e1 cinquenta anos para c\u00e1 era impens\u00e1vel para muita gente. De facto, v\u00e1rios caminhos se abriram e se enfrentaram, corajosamente, muitos problemas dif\u00edceis. <\/p>\n<p>O decreto conciliar, ent\u00e3o promulgado, foi, em muitos aspetos, inovador. Nele est\u00e3o marcados pontos de partida, como a aceita\u00e7\u00e3o m\u00fatua de que h\u00e1 uma \u00fanica Igreja de Jesus Cristo, e esta deve expressar a sua comunh\u00e3o na unidade. N\u00e3o se trata de uma convers\u00e3o \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, mas de uma convers\u00e3o de todos, de modo a chegar-se, mutuamente, ao respeito, ao di\u00e1logo, \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas, a um esfor\u00e7o de purifica\u00e7\u00e3o e de aproxima\u00e7\u00e3o. O Conc\u00edlio sublinha ainda o valor da ora\u00e7\u00e3o. S\u00f3 o Esp\u00edrito \u00e9 verdadeiro obreiro da unidade e da forma\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica que leva ao conhecimento das diferen\u00e7as pela vontade de escutar, aprender e receber, como dom de Deus, o que de cada lado pode enriquecer a f\u00e9 comum.<\/p>\n<p>O tema do Ecumenismo, a partir de ent\u00e3o, nunca mais deixou de merecer a aten\u00e7\u00e3o especial dos Papas. Paulo VI criou um dicast\u00e9rio romano dedicado \u00e0 uni\u00e3o dos crist\u00e3os, a fim de fomentar a unidade nas suas diversas vertentes; constitu\u00edram-se grupos de te\u00f3logos das diferentes tradi\u00e7\u00f5es para aprofundar temas doutrin\u00e1rios e clarificar problemas hist\u00f3ricos; realizam-se, agora, a\u00e7\u00f5es em comum, como publica\u00e7\u00e3o da B\u00edblia Ecum\u00e9nica e encontros europeus sobre variados temas; publicou-se o Diret\u00f3rio Ecum\u00e9nico\u2026 Jo\u00e3o Paulo II, num gesto corajoso e prof\u00e9tico, pediu que se aprofundasse o sentido do Primado do Papa, Bispo de Roma, pois n\u00e3o queria que uma interpreta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica parcelar deste Primado pudesse dificultar a unidade desejada.<\/p>\n<p> O caminho continua com escolhos, mas a rela\u00e7\u00e3o fraterna \u00e9 crescente. Recordo, com emo\u00e7\u00e3o, como o arcebispo de Upsala, na Su\u00e9cia, primeira figura da hierarquia religiosa luterana no pa\u00eds, recebeu, em sua casa e na sua catedral, os bispos do Conselho das Confer\u00eancias Episcopais da Europa, de cujo grupo fiz parte. Conviveu, rezou, partilhou connosco a preocupa\u00e7\u00e3o das suas comunidades, tocadas pela seculariza\u00e7\u00e3o e acomodadas, no seu bem-estar, a um cristianismo f\u00e1cil e sem horizontes. O encontro decorreu numa casa da Igreja luterana, onde n\u00e3o faltou uma sala apta para a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio, no decreto referido, exorta, por fim, os fi\u00e9is a que, reconhecendo os sinais dos tempos, participem com solicitude do trabalho ecum\u00e9nico. Sabemos bem, que nas comunidades cat\u00f3licas, debeladas que foram as desconfian\u00e7as e ju\u00edzos negativos, resta muito caminho para andar, a que n\u00e3o \u00e9 estranha a pouca cultura que confunde Igreja e seitas, estas que nada querem com o ecumenismo a s\u00e9rio, que luta pelo encontro de todos os batizados na \u00fanica Igreja de Cristo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mesmo dia (21-11-1964), Paulo VI promulgou a Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Igreja e os decretos sobre o Ecumenismo e as Igrejas Orientais Cat\u00f3licas. O problema do ecumenismo vinha de longe e acompanhou as preocupa\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio, desde a sua prepara\u00e7\u00e3o. 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