{"id":20332,"date":"2012-06-06T14:35:00","date_gmt":"2012-06-06T14:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20332"},"modified":"2012-06-06T14:35:00","modified_gmt":"2012-06-06T14:35:00","slug":"d-antonio-marcelino-nunca-tive-receio-de-escrever-o-que-penso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/d-antonio-marcelino-nunca-tive-receio-de-escrever-o-que-penso\/","title":{"rendered":"D. Ant\u00f3nio Marcelino: &#8220;Nunca tive receio de escrever o que penso&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA cr\u00edtica faz bem, espevita\u201d; \u201candamos todos a necessitar que venha ao de cimo a verdade\u201d, afirmou D. Ant\u00f3nio Marcelino no lan\u00e7amento do quarto volume de \u201cA vida tamb\u00e9m se l\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino j\u00e1 escreveu no Correio do Vouga mais de mil textos que deram origem a 1900 p\u00e1ginas em quatro volumes intitulados \u201cA vida tamb\u00e9m se l\u00ea\u201d. O \u00faltimo, o quarto, foi lan\u00e7ado na sexta-feira, 1 de junho, no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura (CUFC).<\/p>\n<p>O bispo em\u00e9rito de Aveiro, cujos textos s\u00e3o publicados em primeiro lugar neste jornal e depois reproduzidos um pouco por todo o pa\u00eds, incluindo ilhas, revelou que tem alguma facilidade na escrita, pois senta-se e \u201cmeia hora depois o texto est\u00e1 feito\u201d. Por isso mesmo considera que tem o dever de p\u00f4r esse talento a render. \u201c\u00c9 um dever de quem est\u00e1 no trabalho ao servi\u00e7o dos outros\u201d, afirmou. <\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino, atualmente com 81 anos, come\u00e7ou a escrever os artigos semanais neste jornal em meados de 1981, pouco depois de chegar \u00e0 Diocese de Aveiro. Ser\u00e1, tanto quanto \u00e9 poss\u00edvel averiguar, quem h\u00e1 mais tempo escreve semanalmente, sem interrup\u00e7\u00f5es, na imprensa portuguesa. F\u00e1-lo com um sentido de interpela\u00e7\u00e3o, porque, como afirmou \u201candamos todos a necessitar que venha ao de cimo a verdade\u201d, porque \u201ca Igreja n\u00e3o obriga ningu\u00e9m\u201d, mas este \u201c\u00e9 o tempo das propostas\u201d e tamb\u00e9m porque \u201ca cr\u00edtica faz bem, espevita\u201d. E escreve com total liberdade. \u201cDizem que agora escrevo com mais liberdade \u2013 at\u00e9 bispos j\u00e1 mo disseram -, mas as coisas n\u00e3o s\u00e3o como s\u00e3o s\u00f3 porque as pessoas o dizem. Nunca tive receio de escrever o que penso, mesmo em momentos pol\u00edticos mais delicados. O que acontece \u00e9 que agora tenho mais tempo para ler e refletir\u201d, disse, lembrando as permanentes ocupa\u00e7\u00f5es enquanto bispo residencial, at\u00e9 finais de 2006, e evocando ainda os tempos pr\u00e9-democr\u00e1ticos, quando escreveu sobre a reforma agr\u00e1ria no Alentejo e a descoloniza\u00e7\u00e3o, deixando descontente um latifundi\u00e1rio que era grande benfeitor do semin\u00e1rio da sua diocese, Portalegre-Castelo Branco.<\/p>\n<p>Interrogado pela assembleia se em algum momento foi confrontado por pessoas que n\u00e3o gostaram das suas afirma\u00e7\u00f5es, mormente respons\u00e1veis pol\u00edticos, como quando criticou a ma\u00e7onaria, num artigo de 2007, anos antes de vir a p\u00fablico a influ\u00eancia que de facto esta organiza\u00e7\u00e3o tem na vida pol\u00edtica nacional, D. Ant\u00f3nio Marcelino afirmou que sim. Uma vez uma organiza\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 fam\u00edlia, mas que tem assumido posi\u00e7\u00f5es claramente opostas ao pensar crist\u00e3o, amea\u00e7ou-o com o tribunal. O prelado prometeu insistir na den\u00fancia e revelar mais factos e a amea\u00e7a ficou por ali. Noutra ocasi\u00e3o, uma ministra da Educa\u00e7\u00e3o disse que o bispo mentia. D. Ant\u00f3nio retomou o tema, \u201cAfinal, senhora ministra, quem mente?\u201d. O sequente sil\u00eancio da ministra foi revelador. Quanto \u00e0 ma\u00e7onaria, houve pol\u00edticos portugueses que se sentiram incomodados. E mostraram esse descontentamento. Por\u00e9m, o bispo em\u00e9rito deixou perceber que at\u00e9 gostaria que houvesse mais di\u00e1logo entre esta organiza\u00e7\u00e3o secreta e a Igreja cat\u00f3lica. Neste sentido, por um lado, contou algumas dilig\u00eancias pessoais para o di\u00e1logo, em Portugal; por outro, relatou como o di\u00e1logo terminou, ao n\u00edvel de Roma, quando a ma\u00e7onaria n\u00e3o deixou que Igreja lesse os livros dos ritos de inicia\u00e7\u00e3o. Assinadas pelo cardeal Ratzinger (agora Bento XVI), sa\u00edram ent\u00e3o determina\u00e7\u00f5es que afastam claramente cat\u00f3licos e ma\u00e7ons.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino olha para a vida na sua totalidade, mas reconhece que h\u00e1 temas que lhe s\u00e3o especialmente caros, o que possibilitou agrupar os textos nos livros em sec\u00e7\u00f5es como fam\u00edlia, educa\u00e7\u00e3o, jovens ou a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Claro que para escrever sobre tudo isto \u00e9 preciso estar tanto \u00e0 vida e ao mesmo tempo estar informado. \u201cProcuro ler o mais que posso. Ando sempre uma revista ou o \u00faltimo jornal. O tempo que se perde \u00e0 espera de algo ou de algu\u00e9m \u00e9 para ler\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Este quarto volume encerra um ciclo, como disse o autor, que agora est\u00e1 empenhado na reflex\u00e3o sobre os 50 anos do Conc\u00edlio.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Francisco, falando no final da sess\u00e3o, que contou com a leitura de textos retirados dos quatro volumes, considerou que \u201cos ciclos n\u00e3o se fecham mas s\u00e3o como elos ligados\u201d, incentivando a leitura da \u201cvida que nos espalha o dom de Deus\u201d. Agradeceu, por isso, ao seu antecessor e congratulou-se por os textos de jornal, habitualmente \u201clidos com o sentido da pressa\u201d, se encontrarem agora em livro. \u201cAbre-se o livro, saboreia-se, digere-se melhor o que se l\u00ea e isso alimenta mais\u201d, afirmou o Bispo de Aveiro.<\/p>\n<p>O quarto volume de \u201cA vida tamb\u00e9m se l\u00ea\u201d, como os tr\u00eas primeiros, foi publicado pela Gr\u00e1fica de Coimbra. Est\u00e1 \u00e0 venda na Livraria Santa Joana por 12 euros.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>Duas preocupa\u00e7\u00f5es na escrita<\/p>\n<p>Quando escreve, tem sempre duas preocupa\u00e7\u00f5es. Primeira, procurar que o texto seja intelig\u00edvel, compreendido por todos. Para conseguir este objetivo, em tempos contou com a ajuda da sua m\u00e3e, a \u201cprimeira cr\u00edtica\u201d, que por vezes lhe sugeria a mudan\u00e7a de uma ou outra palavra. A segunda preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cn\u00e3o ferir ningu\u00e9m\u201d, o que n\u00e3o quer dizer que os textos sejam inofensivos. Pelo contr\u00e1rio. Quer dizer que n\u00e3o h\u00e1 visados diretos, mas qualquer um, no seu pensar e agir, pode sentir-se tocado e criticado pelas situa\u00e7\u00f5es descritas, pelos erros denunciados, pelos valores apontados, pelos princ\u00edpios sublinhados. Isto quer dizer ainda que a escrita de D. Ant\u00f3nio Marcelino, nas p\u00e1ginas dos jornais, \u00e9 um exerc\u00edcio da atividade prof\u00e9tica do pastor. A escrita \u00e9 leitura e interpreta\u00e7\u00e3o da vida, n\u00e3o \u00e9 um fim em si, mas um meio para melhor viver em perspetiva crist\u00e3 \u2013 da\u00ed o feliz t\u00edtulo dos quatro volumes: \u201cA vida tamb\u00e9m se l\u00ea\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA cr\u00edtica faz bem, espevita\u201d; \u201candamos todos a necessitar que venha ao de cimo a verdade\u201d, afirmou D. Ant\u00f3nio Marcelino no lan\u00e7amento do quarto volume de \u201cA vida tamb\u00e9m se l\u00ea\u201d. D. Ant\u00f3nio Marcelino j\u00e1 escreveu no Correio do Vouga mais de mil textos que deram origem a 1900 p\u00e1ginas em quatro volumes intitulados \u201cA [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-20332","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20332","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20332"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20332\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}