{"id":20371,"date":"2012-06-21T10:18:00","date_gmt":"2012-06-21T10:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20371"},"modified":"2012-06-21T10:18:00","modified_gmt":"2012-06-21T10:18:00","slug":"quem-vira-a-ser-este-menino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quem-vira-a-ser-este-menino\/","title":{"rendered":"\u00abQuem vir\u00e1 a ser este menino?\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> A figura de Jo\u00e3o Baptista na liturgia e nas festas populares sempre me pareceram uma estranha alian\u00e7a. A sua vida pessoal foi extremamente austera, os textos lit\u00fargicos falam-nos de alegria e penit\u00eancia, e a festa do povo \u2013 a figura central em todas as festas crist\u00e3s, pois foi pelo povo que Jesus morreu e ressuscitou \u2013 junta a antiqu\u00edssima celebra\u00e7\u00e3o do Sol no m\u00e1ximo esplendor \u00e0 mem\u00f3ria do nascimento do maior entre todos os profetas antes de Cristo. Ligeiramente mais velho do que Jesus, viria a apont\u00e1-lo, com a sua m\u00e3o rude e forte, como imagem perfeita do Sol divino.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o deixou marcas t\u00e3o fortes nos seus disc\u00edpulos, que eles se organizaram numa comunidade espec\u00edfica e que at\u00e9 viria, pela corrup\u00e7\u00e3o de alguns, a entrar em conflito com a comunidade crist\u00e3 dos primeiros tempos, n\u00e3o aceitando que Jesus fosse considerado mais importante do que Jo\u00e3o. Este apresentador de Jesus quis enviar-lhe dois dos seus disc\u00edpulos com a pergunta: \u00ab\u00c9s Tu o que est\u00e1 para vir, ou devemos esperar outro?\u00bb (Lucas 7,19). Jo\u00e3o precisava de sentir e de dar a sentir aos outros que j\u00e1 estava presente aquele que viera anunciar. O profeta verdadeiro apenas ouve e transmite, com humildade e coragem, a palavra de Deus. Jesus mostrou, citando a B\u00edblia, que era bem ele o Cristo anunciado.<\/p>\n<p>Logo a seguir, foi a vez de Jesus perguntar \u00e0 multid\u00e3o que o cercava: \u00abQue fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Que fostes ver, ent\u00e3o? Um homem vestido com roupas finas? Os que usam trajes sumptuosos vivem regaladamente e est\u00e3o nos pal\u00e1cios dos reis. Que fostes ver, ent\u00e3o? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais do que um profeta. \u00c9 aquele de quem est\u00e1 escrito: Vou mandar \u00e0 tua frente o meu mensageiro, que preparar\u00e1 o caminho diante de ti\u00bb (Lucas 7,24-27).<\/p>\n<p>Jo\u00e3o remata com chave de oiro o Antigo Testamento, e surge a novidade absolutamente extraordin\u00e1ria do tempo de Jesus (que \u00e9 o sentido do vers\u00edculo 28).<\/p>\n<p>Novidade que Jo\u00e3o anunciou com a sua vida no deserto, a s\u00f3s com Deus e sem a polui\u00e7\u00e3o ruidosa da gan\u00e2ncia e do orgulho, e ao baptizar o pr\u00f3prio Jesus com o \u00abbaptismo de penit\u00eancia\u00bb. <\/p>\n<p>Vem o Sol na sua for\u00e7a \u2013 temos que abandonar roupagens e atitudes inadequadas. \u00c9 o que significa a palavra \u00abpenit\u00eancia\u00bb: em hebraico \u00e9 mudar de caminho, tornar atr\u00e1s e, na esfera religiosa, voltar-se para Deus. O termo grego entrou na moda: met\u00e1noia \u00e9 mudar de vida, de atitude; \u201cfazer penit\u00eancia\u201d n\u00e3o \u00e9 um ritual de sofrimento ou autopuni\u00e7\u00e3o, teoricamente discut\u00edvel e de resultados duvidosos. \u00c9 algo de muito mais dif\u00edcil: reconhecer que n\u00e3o estamos a seguir o caminho da justi\u00e7a e que n\u00e3o bastam boas inten\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>No s\u00e9culo III, Tertuliano chama \u00e0 penit\u00eancia um \u00abbaptismo trabalhoso\u00bb. Trabalhamos para conquistar a alegria de Cristo, que acusava a hipocrisia da elite religiosa dos \u00faltimos tempos do Velho Testamento: quando orardes, quando derdes esmola, quando jejuardes&#8230; n\u00e3o o fa\u00e7ais com ostenta\u00e7\u00e3o para que os outros admirem a vossa \u201csantidade\u201d(!); fazei algo muito mais dif\u00edcil: sede bons (Cfr. Mateus 6).     <\/p>\n<p>  O menino da festa de hoje viria a ser o estafeta entre a velha e a nova alian\u00e7a. Quando passou o testemunho, deixou-se apagar como o sol que vai perdendo import\u00e2ncia, at\u00e9 que outro menino nas\u00e7a no dia mais pequenino e cres\u00e7a como um  Sol sem ocaso, como se diz nas festas da P\u00e1scoa. <\/p>\n<p>Quem viria a ser o menino de 24 de Junho? Um exemplo insuper\u00e1vel do que \u00e9 voca\u00e7\u00e3o: n\u00e3o se prendendo com nada que fosse contra o esp\u00edrito de Deus. \u00c9 o menino que nos avisa como a alegria, as nossas festas, os nossos amores, o amor&#8230; s\u00e3o para levar \u201ca s\u00e9rio\u201d, como frutos que alimentam a humanidade sem o veneno do artificialismo, da superficialidade e dos jogos de poder que fazem apodrecer o melhor fruto. Vir\u00e1 a ser o adulto que morreu por denunciar os desvios dos poderosos. Ele vem brincar connosco, porque a pr\u00f3pria liturgia devia ser uma festa e porque brincar a s\u00e9rio \u00e9 sabermos as raz\u00f5es por que vale a pena brincar. Basta ler o \u201ctestemunho\u201d que ele nos passou&#8230;<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-20371","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20371","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20371"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20371\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}