{"id":20423,"date":"2012-06-21T10:22:00","date_gmt":"2012-06-21T10:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20423"},"modified":"2012-06-21T10:22:00","modified_gmt":"2012-06-21T10:22:00","slug":"diferentes-nos-ritos-e-tradicoes-caminhando-no-mesmo-sentido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/diferentes-nos-ritos-e-tradicoes-caminhando-no-mesmo-sentido\/","title":{"rendered":"Diferentes nos ritos e tradi\u00e7\u00f5es, caminhando no mesmo sentido"},"content":{"rendered":"<p>Os cat\u00f3licos da Europa ocidental nunca souberam muito dos seus irm\u00e3os das Igrejas do Oriente. Deles, por\u00e9m, temos exemplos esclarecedores de uma f\u00e9 militante, de uma riqueza teol\u00f3gica, de uma espiritualidade profunda, de uma capacidade de resist\u00eancia extraordin\u00e1ria. Dos pa\u00edses de Leste, dominados pelo comunismo, a que muitos crist\u00e3os separados, hierarcas e fi\u00e9is se acobertaram e aconchegaram, chegaram-nos exemplos maravilhosos de f\u00e9, vivida em regime de clandestinidade e de persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As Igrejas Cat\u00f3licas orientais em nada dissentiram da verdade revelada e da unidade com o Papa, mantendo fidelidade \u00e0 doutrina e \u00e0 comunh\u00e3o com a Igreja universal. Comunh\u00e3o e unidade foram realidade de ontem e de hoje. As diferen\u00e7as com a Igreja Latina existem nos ritos lit\u00fargicos, nas tradi\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas, na disciplina de vida crist\u00e3. Como o decreto conciliar anota, tudo isto foi sempre respeitado pelos Papas, dada a antiguidade das Igrejas orientais, muitas delas dos tempos apost\u00f3licos, e a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de que foram grandes testemunhas, tanto bispos e presb\u00edteros, como fi\u00e9is. O desejo do Vaticano II \u00e9 de que estas Igrejas particulares \u201cflores\u00e7am e cres\u00e7am\u201d com renovado vigor, e conservem \u00edntegro o seu valioso patrim\u00f3nio espiritual. Elas exprimem a universalidade da Igreja em contextos diferentes entre si e com os do ocidente. S\u00e3o regidas por um C\u00f3digo de Direito pr\u00f3prio, a sua vida pastoral est\u00e1 muito ligada aos s\u00ednodos, que n\u00e3o s\u00f3 prop\u00f5em ao Papa os bispos que escolheram para as servir, mas orientam a disciplina concreta que as governa.<\/p>\n<p>Na Igreja Oriental, os que v\u00e3o ser ordenados presb\u00edteros podem receber livremente o matrim\u00f3nio, preparado sobre a orienta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio bispo. Em caso de subsistirem no mesmo territ\u00f3rio igrejas cat\u00f3licas de rito oriental e de rito latino, os padres de um e de outro rito podem celebrar os sacramentos, nomeadamente a reconcilia\u00e7\u00e3o em favor de todos, sem limites especiais para os crentes de uma e de outra tradi\u00e7\u00e3o. O Conc\u00edlio indica normas de conviv\u00eancia da Igreja Cat\u00f3lica oriental com os crist\u00e3os das igrejas separadas, ditos ortodoxos. Trata-se de um problema nem sempre f\u00e1cil, que tem por detr\u00e1s muito sofrimento e fortes tens\u00f5es, sobretudo no per\u00edodo dos governos comunistas. Assim na R\u00fassia, na Ucr\u00e2nia e nas outras rep\u00fablicas da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, bem como na Rom\u00e9nia, Bulg\u00e1ria, Hungria, Checoslov\u00e1quia, Jugosl\u00e1via\u2026<\/p>\n<p>O governo comunista entregara muitos templos, expropriados aos cat\u00f3licos, \u00e0 Igreja ortodoxa separada de Roma, que n\u00e3o os necessitava nem usava. Muitos deles eram catedrais e igrejas paroquiais. Como os cat\u00f3licos, ent\u00e3o chamados \u201cuniatas\u201d, pela sua liga\u00e7\u00e3o a Pedro, eram rejeitados e perseguidos pelos ortodoxos, ao terem liberdade de culto, j\u00e1 n\u00e3o tinham os seus templos. Celebravam, ent\u00e3o, a Eucaristia, ao ar livre e em climas in\u00f3spitos, ou em velhos barrac\u00f5es, quando, ali ao lado, permaneciam fechadas as suas igrejas e catedrais, agora na posse dos ortodoxos. Na R\u00fassia, viveu-se uma situa\u00e7\u00e3o agravada, logo que se reconheceu a liberdade de culto. Muitos cat\u00f3licos, no tempo da persegui\u00e7\u00e3o participavam no culto das igrejas ortodoxas oficiais. Uma vez em liberdade e sa\u00eddos da clandestinidade, pediram ao Papa que criasse dioceses para os apoiar e para exprimirem a sua eclesialidade. A hierarquia ortodoxa n\u00e3o gostou e cortou todo o di\u00e1logo e rela\u00e7\u00e3o com Roma. O caso da Gr\u00e9cia \u00e9 outro exemplo grave, dado que a Igreja Ortodoxa, religi\u00e3o oficial do pa\u00eds, conseguiu leis que votavam ao ostracismo os cat\u00f3licos. Aceitavam, por\u00e9m, o apoio da Igreja de Roma aos seus estudantes nas universidades, os quais, ao regressarem ao pa\u00eds, atacavam, com maior virul\u00eancia, o Papa e a Igreja Cat\u00f3lica. Um apedrejamento a quem os socorrera\u2026<\/p>\n<p>Hoje, os crist\u00e3os ortodoxos est\u00e3o espalhados por Portugal, e \u00e9 normalmente a Igreja Cat\u00f3lica que os acolhe, os respeita, os apoia e lhes proporciona lugares de culto e de conv\u00edvio. \u00c9 o esp\u00edrito do Conc\u00edlio em a\u00e7\u00e3o. Os cat\u00f3licos orientais t\u00eam entre n\u00f3s os seus p\u00e1rocos apoiados pelas dioceses e lugares de culto cedidos para as suas celebra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica oriental \u00e9 muito rica, na sua doutrina e espiritualidade, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 teologia do Esp\u00edrito Santo e de Maria, M\u00e3e de Deus. Tamb\u00e9m, agora, se sente nela a influ\u00eancia da seculariza\u00e7\u00e3o. O Conc\u00edlio, consciente da riqueza das suas ra\u00edzes hist\u00f3ricas e da sua viv\u00eancia evang\u00e9lica, recomenda que, por um claro testemunho f\u00e9, ajude as iniciativas de unidade com os n\u00e3o cat\u00f3licos. <\/p>\n<p>Quando a dominante das rela\u00e7\u00f5es fraternas entre as Igrejas cat\u00f3licas do Oriente e do Ocidente for de \u201cpermuta de dons\u201d, como pediu Jo\u00e3o Paulo II no I S\u00ednodo dos Bispos da Europa, em 1991, tamb\u00e9m, na Igreja Latina, teremos algo a receber da Igreja Cat\u00f3lica do Oriente, rica pelos seus muitos ritos e express\u00f5es eclesiais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cat\u00f3licos da Europa ocidental nunca souberam muito dos seus irm\u00e3os das Igrejas do Oriente. Deles, por\u00e9m, temos exemplos esclarecedores de uma f\u00e9 militante, de uma riqueza teol\u00f3gica, de uma espiritualidade profunda, de uma capacidade de resist\u00eancia extraordin\u00e1ria. 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