{"id":20486,"date":"2012-07-04T16:00:00","date_gmt":"2012-07-04T16:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20486"},"modified":"2012-07-04T16:00:00","modified_gmt":"2012-07-04T16:00:00","slug":"santos-de-casa-nao-fazem-milagres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/santos-de-casa-nao-fazem-milagres\/","title":{"rendered":"Santos de casa n\u00e3o fazem milagres"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> At\u00e9 parece que S. Paulo atira para cima do Diabo as culpas pelo mal que lhe acontece. Mas nem Job o fez \u2013 esse her\u00f3i dram\u00e1tico e lend\u00e1rio, cantado desde h\u00e1 mais de mil anos antes de Cristo (a redac\u00e7\u00e3o actual dos poemas que formam o Livro de Job \u00e9 provavelmente de cerca de 500 anos a. C.). Neste livro maravilhoso, Job invectiva a Deus directamente, pedindo-lhe um sentido para as desgra\u00e7as que ca\u00edram sobre ele e sobre as pessoas mais queridas e em geral para o sofrimento que se abate sobre os homens, independentemente da sua bondade ou do esfor\u00e7o por serem bons (reza a lenda que foi o Diabo quem desafiou Deus a p\u00f4r \u00e0 prova a rectid\u00e3o de Job). Job n\u00e3o fechou os ouvidos a Deus: e entendeu que \u00e9 pr\u00f3prio de Deus n\u00e3o poder ser entendido pela nossa intelig\u00eancia. <\/p>\n<p>Muito se tem especulado sobre o que faria sofrer S. Paulo \u2013 desde a mais vulgar doen\u00e7a at\u00e9 a tenta\u00e7\u00f5es de orgulho ou de desenfreados apetites sexuais. Afinal, nada que escape a um bom crist\u00e3o. \u00c9 cada vez maior o consenso dos peritos, que v\u00eaem nas queixas dele um estado de doen\u00e7a suficientemente desgastante para perturbar os arrojados planos de contactar todas as comunidades crist\u00e3s do s\u00e9culo I. S. Paulo sente-se profundamente afectado na capacidade de ac\u00e7\u00e3o. Mas v\u00ea, nessa experi\u00eancia de dor, que Deus n\u00e3o nos ama s\u00f3 quando irradiamos sa\u00fade ou somos socialmente not\u00e1veis. Quando a gente se encontra na m\u00f3 de baixo, \u00e9 ent\u00e3o que pode ver mais claramente como \u00e9 crucial a sabedoria de transformar em energia positiva tanto o prazer como a dor.<\/p>\n<p>Apresentar a Deus os nossos problemas \u00e9 um grande acto de f\u00e9: \u00e9 querer Deus como um amigo a toda a hora \u2013 mas Deus \u00abs\u00f3 ajuda a quem se ajuda\u00bb: se nos desse todas as respostas, ser\u00e1 que ter\u00edamos avan\u00e7ado no campo das artes e das ci\u00eancias, da filosofia ou da teologia, da medicina ou da ac\u00e7\u00e3o social e das pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es humanas? As nossas grandes inspira\u00e7\u00f5es, intui\u00e7\u00f5es e descobertas, o trabalho aturado (tantas vezes escondido)\u2026 devem muito ao est\u00edmulo do aguilh\u00e3o da dor, da tristeza, da desilus\u00e3o, e sobretudo de uma insaci\u00e1vel \u00abfome e sede de justi\u00e7a\u00bb.\t<\/p>\n<p> Ainda nos dias de hoje, a vida espiritual crist\u00e3 \u00e9 vista como um combate entre a \u00abBandeira de Jesus Cristo\u00bb e a \u00abBandeira de Satan\u00e1s\u00bb (para grandes te\u00f3logos e pensadores, foi sob esta bandeira enganadora que se t\u00eam praticado os grandes genoc\u00eddios da hist\u00f3ria). Temos que saber escolher. N\u00e3o se pode jogar nos dois campos.<\/p>\n<p>A Bandeira de Cristo s\u00f3 pode ser a do Bem para todos os homens: um bem-estar fortemente estruturado por aquela sabedoria que at\u00e9 suporta \u00abbofetadas\u00bb \u2013 porque possui a melhor estrat\u00e9gia de vit\u00f3ria.\t<\/p>\n<p>De bom grado atribu\u00edmos certas \u00abbofetadas\u00bb a Satan\u00e1s. Mas as mais insuport\u00e1veis s\u00e3o as que v\u00eam de algu\u00e9m que vive a nosso lado (tamb\u00e9m Jesus se queixou disso). Por\u00e9m, quantas vezes n\u00e3o se tratar\u00e1 de comedidas e justas bofetadas vindas dos nossos \u00absantos de casa\u00bb? \u00c9 preciso cultivar a sabedoria que deixa \u00abos santos de casa fazer milagres\u00bb.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s, como Job e S. Paulo, somos escolhidos para ajudar os outros a descobrir o sentido da vida. Desperdi\u00e7amos muitas palavras s\u00e1bias \u2013 porque n\u00e3o v\u00eam de algu\u00e9m com uma posi\u00e7\u00e3o social \u201caceit\u00e1vel\u201d, e sobretudo se s\u00e3o palavras que nos p\u00f5em em cheque! <\/p>\n<p>Mas o encanto pelo discurso vazio ou ineficaz de muitas \u00abaltas personalidades\u00bb (facilmente incapazes de ver e sentir a vida real) leva-nos a n\u00e3o reparar em muitos \u00abprofetas\u00bb, que passam pela nossa casa e pela nossa rua. Esquecemos que Deus se revela particularmente nos humildes e naqueles que sofrem (e que n\u00f3s at\u00e9 podemos julgar como castigados por Deus\u2026 ou por Satan\u00e1s!). Por\u00e9m, mais tarde ou mais cedo, \u00abtrope\u00e7amos neles\u00bb. Veremos neles a pedra de toque da sociedade justa? Reconheceremos, como lembra Ezequiel, que h\u00e1 sempre profetas entre n\u00f3s?<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-20486","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20486"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20486\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}