{"id":20489,"date":"2012-07-04T16:06:00","date_gmt":"2012-07-04T16:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20489"},"modified":"2012-07-04T16:06:00","modified_gmt":"2012-07-04T16:06:00","slug":"um-forte-sentido-de-pertenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-forte-sentido-de-pertenca\/","title":{"rendered":"Um forte sentido de perten\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Na vida de um bispo diocesano h\u00e1 gestos simples e de grande significado que enternecem pelo que significam. Muitas vezes, em F\u00e1tima, do meio da multid\u00e3o, ao passar o cortejo rumo ao altar, vi gente que sorria, saudava e comentava, a modo de se ouvir: \u201cAquele \u00e9 o nosso!\u201d<\/p>\n<p>Ao comentar o decreto no que se refere ao bispo diocesano, logo se diz que o bispo exerce o seu minist\u00e9rio de pastor e testemunha de Cristo, em favor dos crist\u00e3os que lhe foram confiados, os membros da sua diocese. Estes s\u00e3o gente concreta, situada, com a sua hist\u00f3ria, membros de uma comunidade crist\u00e3, tamb\u00e9m ela com hist\u00f3ria, no seio de uma comunidade humana. O pastor conhece as suas ovelhas e eles conhecem-no. Este elemento humano de uma rela\u00e7\u00e3o direta e pessoal \u00e9 que vai ajudar a perceber a teologia do bispo e a sua miss\u00e3o da diocese.<\/p>\n<p> O decreto conciliar (CD \u2013 \u201cCristo Senhor\u201d) diz que \u201ca diocese \u00e9 a por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus confiada a um bispo para a apascentar com a coopera\u00e7\u00e3o do presbit\u00e9rio, de forma que, unida ao seu pastor e por ele congregada no Esp\u00edrito Santo, pelo Evangelho e pela Eucaristia, constitua uma Igreja particular, em que esteja verdadeiramente presente operante a Igreja una, santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica de Cristo\u201d. Quando os crist\u00e3os de uma diocese exprimem, espontaneamente, a sua perten\u00e7a \u00e0 diocese, ao verem o seu bispo, \u00e9 sinal que o aceitam como seu ou para si. Pode dizer-se que n\u00e3o h\u00e1 diocese sem bispo, nem bispo sem diocese, ou seja, bispo sem irm\u00e3os, sem fi\u00e9is. <\/p>\n<p>H\u00e1, ainda hoje, na Igreja, fic\u00e7\u00f5es inexplic\u00e1veis, como dar aos bispos auxiliares, como antes do Conc\u00edlio aos que deixavam o governo diocesano, o t\u00edtulo de velhas dioceses extintas. Se s\u00e3o bispos ao servi\u00e7o de uma diocese concreta e para ela nomeados, porque h\u00e3o de estar atrelados a dioceses inexistentes, como se fossem bispos de ningu\u00e9m? A partir do Vaticano II, os bispos diocesanos, que por idade ou falta de sa\u00fade deixam o governo diocesano, agora chamados em\u00e9ritos, mant\u00eam, com toda a raz\u00e3o, o t\u00edtulo da diocese que serviram e continuam a servir. Os t\u00edtulos de dioceses mortas parece, ent\u00e3o, que apenas se explicam, eu n\u00e3o vejo outra raz\u00e3o, para os cl\u00e9rigos de carreira, como os n\u00fancios e os que servem em cargos da C\u00faria Romana e que prest\u00edgio do cargo, devem ser bispos ou arcebispos. Eles n\u00e3o t\u00eam, e alguns nunca ter\u00e3o, responsabilidades numa diocese. Podemos, com raz\u00e3o, perguntar por que se mant\u00eam, na Igreja, bispos sem diocese? O episcopado n\u00e3o \u00e9 pr\u00e9mio, nem ornamento. A teologia diz que \u00e9 miss\u00e3o de pastoreio concreto de uma por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante o que se diz no decreto conciliar, h\u00e1 ainda problemas, teologicamente n\u00e3o resolvidos ou mal resolvidos, em rela\u00e7\u00e3o aos em\u00e9ritos, aos auxiliares e aos bispos sem diocese. Aos auxiliares, algu\u00e9m chamava \u201c\u00e1rbitros sem apito\u201d. Acompanham e s\u00e3o protagonistas no jogo da vida pastoral, mas n\u00e3o podem apitar, a n\u00e3o ser que o bispo diocesano fa\u00e7a com eles uma unidade correspons\u00e1vel. Anos atr\u00e1s, e j\u00e1 depois do Conc\u00edlio, um servi\u00e7o mais l\u00facido da C\u00faria Romana recomendava aos bispos diocesanos que evitassem pedir bispos auxiliares e se fizessem ajudar por vig\u00e1rios gerais e episcopais. A recomenda\u00e7\u00e3o parece ter ca\u00eddo, sem deixar rasto. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil saber porqu\u00ea. H\u00e1 sempre raz\u00f5es para ouvir os grandes. H\u00e1 bispos, entre n\u00f3s, que continuam com trabalhos que tinham antes e que outros podem realizar. A miss\u00e3o exigente do bispo pastor n\u00e3o consegue justificar esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O problema das dioceses, prov\u00edncias eclesi\u00e1sticas e confer\u00eancias episcopais merece, com base no Vaticano II, uma reflex\u00e3o pr\u00f3pria.    <\/p>\n<p>O bispo que preside \u00e0 diocese tem o dever de exercer o magist\u00e9rio doutrinal, de propor a verdade revelada e a doutrina do magist\u00e9rio oficial, de atender aos desvios poss\u00edveis em mat\u00e9ria de f\u00e9 e de moral, de adequar a a\u00e7\u00e3o pastoral \u00e0 realidade humana e social, de promover a evangeliza\u00e7\u00e3o a favor de todos, de proporcionar meios de forma\u00e7\u00e3o e santifica\u00e7\u00e3o acess\u00edveis. Em esp\u00edrito de servi\u00e7o, estimular\u00e1 o leg\u00edtimo e indispens\u00e1vel apostolado laical, estimular\u00e1 e recorrer\u00e1 aos movimentos apost\u00f3licos, testados e aprovados, dando maior aten\u00e7\u00e3o aos que atuam junto dos mais afastados e marginais \u00e0 comunidade crist\u00e3. Dever\u00e1 abrir sempre aos horizontes da miss\u00e3o e da partilha, promovendo voca\u00e7\u00f5es para o servi\u00e7o da Igreja diocesana e das outras Igrejas irm\u00e3s. Recomenda o Conc\u00edlio que, mantendo o bispo uma autonomia em rela\u00e7\u00e3o ao poder civil, expressa em liberdade e em independ\u00eancia, esteja, no entanto, aberto \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o com todos, nas causas que possam servir as pessoas e o bem comum.<\/p>\n<p>Ao bispo compete organizar os servi\u00e7os da c\u00faria diocesana, de modo a melhor ajudar a diocese a caminhar em unidade e verdade. F\u00e1-lo com a coopera\u00e7\u00e3o alargada do clero, dos consagrados, religiosos e leigos, do laicado em geral e seus movimentos e associa\u00e7\u00f5es. A Igreja Diocesana n\u00e3o \u00e9 uma empresa de eventos. \u00c9 uma comunidade fraterna viva, com uma miss\u00e3o espiritual e humanizadora concreta, no seio da comunidade humana. Um mundo em mudan\u00e7a, e plural nas suas diversas express\u00f5es, tem exig\u00eancias pastorais novas que n\u00e3o se podem ignorar ou iludir, muito menos reduzir a a\u00e7\u00e3o a conservar o j\u00e1 existente. O bispo, com os seus colaboradores, \u00e9 uma sentinela vigilante que l\u00ea os sinais dos tempos, mas, acima de tudo, \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o sens\u00edvel \u00e0s in\u00fameras necessidades emergentes, que o levam, em comunh\u00e3o eclesial, \u00e0 promo\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de uma a\u00e7\u00e3o pastoral org\u00e2nica e adequada, em clima sinodal, ou seja, realizada por todos e com lugar para todos.    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na vida de um bispo diocesano h\u00e1 gestos simples e de grande significado que enternecem pelo que significam. 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