{"id":20490,"date":"2012-07-18T15:26:00","date_gmt":"2012-07-18T15:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20490"},"modified":"2012-07-18T15:26:00","modified_gmt":"2012-07-18T15:26:00","slug":"contradicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/contradicoes\/","title":{"rendered":"Contradi\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>1. O tema das festas religiosas \u00e9 recorrente nestes dias de ver\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 recanto do pa\u00eds onde n\u00e3o rebentem foguetes, onde n\u00e3o ecoem, noite fora, os ensurdecedores ru\u00eddos de percuss\u00f5es descontroladas. E, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, sob o nome de uma figura religiosa.<\/p>\n<p>Em muitas dessas festas t\u00eam pleno cabimento as palavras de Isa\u00edas: \u201cN\u00e3o suporto as luas novas, os s\u00e1bados, as assembleias, a impiedade das vossas festas\u201d. De facto, a Virgem Maria, os Santos, o pr\u00f3prio Senhor Jesus, h\u00e3o de sentir-se enjoados com aquilo que, em seu nome, se faz. Mais: ficar\u00e3o perplexos com o uso da sua pessoa para angariar fundos para todo esse estendal de paganismo.<\/p>\n<p>O que poderia ser uma ocasi\u00e3o de eleva\u00e7\u00e3o cultural, de conv\u00edvio sadio, de express\u00e3o art\u00edstica de qualidade, de manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9 genu\u00edna, n\u00e3o passa &#8211; quantas vezes! &#8211; de brejeirice, de maliciosa rela\u00e7\u00e3o, de vulgar\u00edssima mediocridade, de confusa mistura de fide\u00edsmo e supersti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A festa \u00e9 inerente \u00e0 natureza humana. Tem um papel preponderante para o equil\u00edbrio pessoal e social. Mas todos sabemos que se mistura em n\u00f3s a nobreza e a decad\u00eancia, a eleva\u00e7\u00e3o e o naturalismo selvagem\u2026 <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, que se cuide de preservar e promover o que nos dignifica e constr\u00f3i, moderando os instintos \u201crasteiros\u201d, que apenas degradam. E, nesse aspeto, o esfor\u00e7o das entidades religiosas tem de ser vis\u00edvel, desde os P\u00e1rocos \u00e0 C\u00faria diocesana. \u00c9 bem mais f\u00e1cil ignorar e passar ao lado, lavando as m\u00e3os de uma responsabilidade que, em primeiro lugar, \u00e9 de quem tem a miss\u00e3o de educar na f\u00e9. <\/p>\n<p>2. A confian\u00e7a conquista-se com decis\u00f5es que recuperem a transpar\u00eancia, que promovam a verdade, que fa\u00e7am brilhar a justi\u00e7a. Ao contr\u00e1rio disto mesmo, o nosso quotidiano permanece envolvido numa cortina de fumo que nos vai roubando a vontade de lutar por um futuro de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Em verdade, os truques de pol\u00edticos e homens de neg\u00f3cios, a inoper\u00e2ncia e as \u00e1guas turvas da justi\u00e7a, que deixam impunes os indiciados cujos factos &#8211; diz-se &#8211; acabam por n\u00e3o ser comprovados, que d\u00e3o penas suspensas, penas ligeiras ou liberdades condicionais a quem tem os meios para desencadear recursos, requerimentos\u2026, desmotivam os que lutam por um pa\u00eds verdadeiramente democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Um exemplo: N\u00e3o se sabe quanto gasta, por ano, cada escola estatal e qual o n\u00famero de alunos que a frequenta, para concluir quanto custa ao er\u00e1rio p\u00fablico cada aluno? Ou n\u00e3o h\u00e1 vontade de reconhecer como se desperdi\u00e7am ou como se poupam os dinheiros p\u00fablicos? Enquanto tudo continuar a ser uma \u201cfesta\u201d, sem rei nem roque, ser\u00e1 dif\u00edcil acreditar num futuro de esperan\u00e7a. Enquanto estas contradi\u00e7\u00f5es forem o prato do dia, na sociedade como na Igreja, estamos no caminho inverso da harmonia e da paz social. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. O tema das festas religiosas \u00e9 recorrente nestes dias de ver\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 recanto do pa\u00eds onde n\u00e3o rebentem foguetes, onde n\u00e3o ecoem, noite fora, os ensurdecedores ru\u00eddos de percuss\u00f5es descontroladas. E, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, sob o nome de uma figura religiosa. 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