{"id":20518,"date":"2012-07-18T16:46:00","date_gmt":"2012-07-18T16:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20518"},"modified":"2012-07-18T16:46:00","modified_gmt":"2012-07-18T16:46:00","slug":"formacao-dos-novos-padres-e-promocao-vocacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/formacao-dos-novos-padres-e-promocao-vocacional\/","title":{"rendered":"Forma\u00e7\u00e3o dos novos padres e promo\u00e7\u00e3o vocacional"},"content":{"rendered":"<p>Ao tempo do Conc\u00edlio j\u00e1 havia boas experi\u00eancias em andamento e v\u00e1rios caminhos abertos em ordem \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos novos padres. Requeriam-se, por\u00e9m, orienta\u00e7\u00f5es gerais e concretas que pudessem sublinhar o rumo a dar em todas as dioceses, uma vez que esta forma\u00e7\u00e3o constitui um aspeto da maior import\u00e2ncia para a vida e para a a\u00e7\u00e3o da Igreja, em si mesma e no mundo.<\/p>\n<p>O decreto conciliar em causa assinala os seguintes pontos: elabora\u00e7\u00e3o de normas pelas confer\u00eancias episcopais, promo\u00e7\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es para o minist\u00e9rio ordenado, organiza\u00e7\u00e3o dos semin\u00e1rios maiores, maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o espiritual, revis\u00e3o dos programas dos estudos eclesi\u00e1sticos, maior preocupa\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o estritamente pastoral, continua\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o dos padres ao longo da vida.<\/p>\n<p>Em Portugal, se o cuidado nestes pontos era j\u00e1 comum, os caminhos ainda divergiam, dadas as experi\u00eancias vividas e as possibilidades de cada diocese. Se havia passos em frente, tamb\u00e9m havia hesita\u00e7\u00f5es e at\u00e9 medos exagerados.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos anos da monarquia foram, neste aspeto, calamitosos. Os padres, de modo geral, tinham pouca forma\u00e7\u00e3o e at\u00e9 duvidosa voca\u00e7\u00e3o. As dioceses depararam-se, ent\u00e3o, com problemas dif\u00edceis, com a agravante de terem perdido os seus semin\u00e1rios e de escassearem formadores em que pudessem confiar. Iniciaram-se, onde foi poss\u00edvel, esfor\u00e7os para edificar as casas e proporcionar prepara\u00e7\u00e3o aos novos professores e educadores. Lisboa recorreu a respons\u00e1veis vindos de fora, acolheu alunos de outras dioceses e fez, a partir da d\u00e9cada de cinquenta, um cuidadoso investimento, em Roma, na prepara\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica de padres destinados aos semin\u00e1rios. Outros bispos seguiram igual caminho, ao mesmo tempo que empenhavam as suas dioceses na constru\u00e7\u00e3o de um novo semin\u00e1rio. At\u00e9 ao fim da d\u00e9cada de sessenta, constru\u00edram mais de uma dezena de semin\u00e1rios diocesanos e formaram-se muitos padres para os gerirem, sobretudo na Pontif\u00edcia Universidade Gregoriana.<\/p>\n<p>O trabalho vocacional foi estimulado a n\u00edvel nacional por um secretariado pr\u00f3prio. Promoveram-se encontros com mestres de outros pa\u00edses, prepararam-se respons\u00e1veis diocesanos, interessaram-se as comunidades crist\u00e3s por esta tarefa. Criou-se a Obra das Voca\u00e7\u00f5es Sacerdotais (OVS) e viram-se resultados positivos. <\/p>\n<p> Na forma\u00e7\u00e3o notou-se uma melhor qualidade do clero, maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o espiritual e pastoral nos semin\u00e1rios, m\u00faltiplas iniciativas, nacionais e diocesanas, inspiradas no Vaticano II, promo\u00e7\u00e3o de equipas sacerdotais de vida e de a\u00e7\u00e3o, experi\u00eancias v\u00e1lidas de pastoral org\u00e2nica ou de conjunto. Sentia-se bem o efeito das orienta\u00e7\u00f5es conciliares.  <\/p>\n<p>E qual a situa\u00e7\u00e3o hoje? Os alunos de teologia passaram a frequentar a Universidade Cat\u00f3lica e institutos teol\u00f3gicos superiores, restando apenas um semin\u00e1rio maior diocesano, em Angra do Hero\u00edsmo. As escolas superiores, em geral, privilegiam mais a forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, dado que nem todos os alunos se destinam ao minist\u00e9rio sacerdotal. Os semin\u00e1rios residenciais t\u00eam, por dever, completar os estudos necess\u00e1rios ao padre. Ao mesmo tempo, proporcionam-se experi\u00eancias pastorais concretas, tarefa menos f\u00e1cil quando os alunos estudam em escolas distantes das suas dioceses. <\/p>\n<p>J\u00e1 se notam falhas na forma\u00e7\u00e3o, que, em alguns casos, geram justificada preocupa\u00e7\u00e3o. Os padres das \u00faltimas d\u00e9cadas n\u00e3o t\u00eam refer\u00eancias hist\u00f3ricas, nem teol\u00f3gicas e pastorais, que ajudem a perceber e implementar as orienta\u00e7\u00f5es conciliares e, por isso, se passa ao lado de muitas delas, deixando empobrecida a a\u00e7\u00e3o pastoral di\u00e1ria.<\/p>\n<p>A crise vocacional, a n\u00edvel do pa\u00eds, persiste. Numa ou outra diocese notam-se sinais de melhoria. O semin\u00e1rio menor foi dando lugar ao pr\u00e9-semin\u00e1rio ou ao semin\u00e1rio em fam\u00edlia, e decresceu em muitos padres e comunidades o interesse por novas voca\u00e7\u00f5es. Estas exprimem-se agora mais em idade adulta e com jovens vindos das universidades, alguns com cursos j\u00e1 completados. <\/p>\n<p>Passados cinquenta anos, \u00e0 luz ainda bem viva do Vaticano II, torna-se de novo  necess\u00e1ria uma reflex\u00e3o cuidada sobre escolas teol\u00f3gicas, semin\u00e1rios, voca\u00e7\u00f5es e forma\u00e7\u00e3o pastoral dos novos padres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao tempo do Conc\u00edlio j\u00e1 havia boas experi\u00eancias em andamento e v\u00e1rios caminhos abertos em ordem \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos novos padres. 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