{"id":20520,"date":"2012-07-25T15:53:00","date_gmt":"2012-07-25T15:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20520"},"modified":"2012-07-25T15:53:00","modified_gmt":"2012-07-25T15:53:00","slug":"chegam-nos-situacoes-de-emergencia-social-e-o-apoio-fica-aquem-do-necessario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/chegam-nos-situacoes-de-emergencia-social-e-o-apoio-fica-aquem-do-necessario\/","title":{"rendered":"&#8220;Chegam-nos situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia social e o apoio fica aqu\u00e9m do necess\u00e1rio&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Joana Condesso, o di\u00e1cono Diamantino Neves e Joana Capit\u00e3o constituem a equipa da diocese de Aveiro para o Fundo Social Solid\u00e1rio (FSS). Este fundo foi criado pela C\u00e1ritas Portuguesa para atender aos casos mais prementes da atual crise econ\u00f3mica. Em Aveiro, o FSS deu h\u00e1 poucos dias \u00e0 cent\u00e9sima ajuda \u2013 pretexto para conhecermos melhor esta ajuda especial da C\u00e1ritas atrav\u00e9s deste entrevista coletiva.<\/p>\n<p>Correio do Vouga \u2013 A Joana Condesso, o di\u00e1cono Diamantino e Fernanda Capit\u00e3o constituem a equipa de anima\u00e7\u00e3o do Fundo Social Solid\u00e1rio (FSS) da Diocese de Aveiro. Como surgiu esta equipa?<\/p>\n<p>Equipa do FSS &#8211; As equipas diocesanas de anima\u00e7\u00e3o foram constitu\u00eddas pelos bispos de cada diocese.  Os bispos solicitaram \u00e0s Caritas Diocesanas, aos Conselhos Centrais da Confer\u00eancias Vicentinas e a outros \u00f3rg\u00e3os da Igreja, relacionados com a pastoral s\u00f3cio-caritativa, que se fizessem representar nesta equipa de trabalho. <\/p>\n<p>Quantas pessoas ou casos atendeu o FSS na Diocese de Aveiro?<\/p>\n<p>Na segunda quinzena de junho enviamos para apoio do FSS o caso n.\u00ba 100, o que significa que at\u00e9 essa data foram considerados 100 agregados familiares compostos por 305 pessoas.<\/p>\n<p>No total, qual o montante dado a essas pessoas? Desde quando?<\/p>\n<p>O FSS foi criado em julho de 2010, mas s\u00f3 come\u00e7ou a funcionar verdadeiramente em dezembro desse ano. Desde essa altura recebemos do Fundo Nacional 84 865,70 euros. De salientar, no entanto, que o apoio dado \u00e0s fam\u00edlias \u00e9 superior, uma vez que uma das normas do regulamento do Fundo determina que exista comparticipa\u00e7\u00e3o local e diocesana, que acresce ao referido montante. <\/p>\n<p>Na Diocese de Aveiro n\u00e3o tem sido poss\u00edvel atribuir verbas da diocese mas tem existido alguma comparticipa\u00e7\u00e3o local das par\u00f3quias, atrav\u00e9s das Confer\u00eancias Vicentinas e dos Grupos C\u00e1ritas, assim como da C\u00e1ritas Diocesana.<\/p>\n<p>Qual a situa\u00e7\u00e3o mais t\u00edpica das pessoas ajudadas? Est\u00e3o desempregadas?<\/p>\n<p>De facto, quase todas as fam\u00edlias apoiadas vivem a situa\u00e7\u00e3o angustiante de desemprego de pelo menos um dos membros do agregado de familiar. No entanto, h\u00e1 tamb\u00e9m situa\u00e7\u00f5es em que os sal\u00e1rios e ou pens\u00f5es s\u00e3o demasiado baixos para fazer face \u00e0s despesas o que conduz muitas fam\u00edlias a novas formas de pobreza. <\/p>\n<p>Os pedidos de apoio chegam-nos de v\u00e1rios pontos da diocese, podemos dizer que at\u00e9 ao momento j\u00e1 beneficiaram de apoio do FSS casos enviados por 17 par\u00f3quias. <\/p>\n<p>Que destino d\u00e3o as pessoas ao dinheiro? <\/p>\n<p>A verba atribu\u00edda a cada fam\u00edlia \u00e9 entregue atrav\u00e9s de um cheque \u00e0 institui\u00e7\u00e3o local que fez o pedido, e depois esta adopta os procedimentos que considerar mais eficientes para que o dinheiro chegue aos destinat\u00e1rios. Existe uma \u201crede de confian\u00e7a\u201d muit\u00edssimo importante entre a pessoa a apoiar, o grupo de apoio social de proximidade, a equipa diocesana e a equipa nacional.<\/p>\n<p>O montante atribu\u00eddo tem no entanto um destino certo, j\u00e1 que depende do pedido inicial e da redistribui\u00e7\u00e3o definida pela equipa diocesana. As verbas que t\u00eam sido concedidas direcionaram-se maioritariamente ao apoio \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, quer para ajuda no pagamento de rendas, presta\u00e7\u00f5es e muitas situa\u00e7\u00f5es de endividamento, quer para ajuda no pagamento de despesas fixas: \u00e1gua, luz e g\u00e1s. Pelos pedidos que nos t\u00eam chegado \u00e0s m\u00e3os, temos a perce\u00e7\u00e3o que neste momento muitas fam\u00edlias j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam \u00e1gua e ou luz em casa. T\u00eam sido tamb\u00e9m fortemente apoiadas situa\u00e7\u00f5es de doen\u00e7as e pontualmente foram tamb\u00e9m atribu\u00eddas verbas para pagamento de propinas e outros apoios \u00e0 forma\u00e7\u00e3o profissional e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o ou manuten\u00e7\u00e3o de postos de trabalho. <\/p>\n<p>Qual o montante t\u00edpico dado?<\/p>\n<p>N\u00e3o existe um montante t\u00edpico do pedido, depende muito da situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia social em que a fam\u00edlia se encontra e da resposta que a institui\u00e7\u00e3o local procura dar.<\/p>\n<p>De onde vem o dinheiro do FSS?<\/p>\n<p>O Fundo Social Solid\u00e1rio tem sido alimentado por donativos de privados e de empresas, beneficiando tamb\u00e9m de campanhas promovidas por institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja ou n\u00e3o (como uma campanha da R\u00e1dio Renascen\u00e7a no Natal de 2010). Existe assim uma conta banc\u00e1ria onde qualquer pessoa poder\u00e1 depositar os seus donativos: Banco Millenium BCP com o n.\u00ba 109 004 0150 e o NIB 0033 0000 0109 0040 15012.<\/p>\n<p>Como \u00e9 feita a sele\u00e7\u00e3o dos casos mais necessitados?<\/p>\n<p>A primeira sele\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pelos grupos de apoio de proximidade, Confer\u00eancias Vicentinas, Grupos C\u00e1ritas, Centros Paroquiais, p\u00e1rocos, que, de acordo com as condi\u00e7\u00f5es definidas pelo regulamento do FSS, detetam as situa\u00e7\u00f5es de maior gravidade, enviando os pedidos para a equipa de anima\u00e7\u00e3o diocesana. Existe ent\u00e3o um segundo momento de sele\u00e7\u00e3o em que se analisam as situa\u00e7\u00f5es apresentadas e se estabelecem prioridades de modo a que sejam enviados para a equipa nacional os casos de maior emerg\u00eancia social. Temos especialmente em considera\u00e7\u00e3o o n\u00famero de crian\u00e7as e idosos do agregado familiar, fam\u00edlias monoparentais e ainda novas situa\u00e7\u00f5es de pobreza.<\/p>\n<p>Quem pode apresentar casos e onde \u00e9 que as pessoas se podem dirigir?<\/p>\n<p>A nossa equipa recebe os casos diretamente das Confer\u00eancias Vicentinas ou de Grupos Paroquiais da C\u00e1ritas, por isso \u00e9 a estes grupos sociocaritativos que qualquer pessoa ou institui\u00e7\u00e3o se pode dirigir.<\/p>\n<p>A ajuda \u00e9 pontual ou continuada?<\/p>\n<p>A ajuda \u00e9 pontual mas \u00e9 regra do Fundo que s\u00f3 possam ser contempladas situa\u00e7\u00f5es que possam ser acompanhadas pelos grupos de apoio de proximidade.<\/p>\n<p>A ideia inicial do FSS era resolver os problemas apresentados para apoio, mas, com o agravamento da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica do pa\u00eds, as fam\u00edlias vem piorar a sua situa\u00e7\u00e3o cada vez mais e por isso o apoio que damos, na maioria dos casos, permite apenas um al\u00edvio tempor\u00e1rio de 3 a 4 meses. Acreditamos no entanto que este apoio pode ser fundamental para que as pessoas n\u00e3o entrem em desespero e possam encontrar for\u00e7as para procurar novas solu\u00e7\u00f5es.  <\/p>\n<p>Tanto quanto a C\u00e1ritas nacional informa, da Diocese de Aveiro n\u00e3o chegou nenhum montante ao fundo. Confirma-se? Por que se verifica tal situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A Diocese de Aveiro tem garantido a contribui\u00e7\u00e3o local, atrav\u00e9s das par\u00f3quias, mas n\u00e3o enquanto diocese propriamente dita, uma vez que o Fundo de Emerg\u00eancia Diocesano n\u00e3o tem verbas que possam garantir essa comparticipa\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 verdadeiramente uma grande preocupa\u00e7\u00e3o nossa, j\u00e1 que em determinadas situa\u00e7\u00f5es temos sido penalizados por este facto.<\/p>\n<p>O FSS tem como fun\u00e7\u00e3o auxiliar pessoas neste per\u00edodo de crise mas tamb\u00e9m provocar a solidariedade de quem tem mais. Esta segunda parte est\u00e1 a ser alcan\u00e7ada?<\/p>\n<p>A n\u00edvel nacional, sim. As previs\u00f5es excederam as expectativas\u2026inicialmente existia o receio de que o FSS n\u00e3o fosse sustentado por mais de um ano e a verdade \u00e9 que tem vindo a ser refor\u00e7ado por donativos de empresas e particulares. A n\u00edvel diocesano e paroquial parece-nos que h\u00e1 muito ainda a fazer, nomeadamente no reavivar do Fundo de Emerg\u00eancia Diocesano. Ser\u00e1 de nos questionarmos como crist\u00e3os, se estamos, verdadeiramente atentos  \u00e0 dor dos \u201cirm\u00e3os\u201d\u2026que vai muito para al\u00e9m da frieza dos n\u00fameros que por si s\u00f3 j\u00e1 s\u00e3o assustadores? Nestes momentos t\u00e3o dif\u00edceis, estamos de cora\u00e7\u00e3o rasgado a viver a compaix\u00e3o? Estamos a ir \u00e0 procura de quem de n\u00f3s precisa \u2026ou temos at\u00e9 receio do que nos possam pedir? Estamos a dar tudo como a pobre vi\u00fava\u2026 ou um pouco do que nos sobra? Como estamos a gastar o dinheiro que ainda podemos partilhar? Quais s\u00e3o as prioridades das par\u00f3quias? Estamos mesmo a privilegiar os mais pobres? Os projetos das fam\u00edlias, das par\u00f3quias e da nossa Diocese revelam este acolhimento e Amor desmedido por aqueles que est\u00e3o a sofrer? Como foi referido pelo nosso Bispo, \u201cOs pobres n\u00e3o podem esperar\u201d!<\/p>\n<p>De uma forma global como avaliam o trabalho que t\u00eam vindo a desenvolver?<\/p>\n<p>Consideramos que a constitui\u00e7\u00e3o desta equipa trouxe in\u00fameros benef\u00edcios que excederam amplamente os objetivos iniciais. Para al\u00e9m do apoio econ\u00f3mico que foi poss\u00edvel conceder atrav\u00e9s do trabalho que realizamos quinzenalmente, estabeleceu-se uma \u00f3ptima parceria entre a C\u00e1ritas Diocesana e as Confer\u00eancias Vicentinas que deu j\u00e1 frutos noutros campos, nomeadamente no reavivar do Secretariado Diocesano da Pastoral Social. Este estreitar de rela\u00e7\u00f5es, entre os v\u00e1rios intervenientes da pastoral s\u00f3cio caritativa \u00e9 j\u00e1 uma realidade a n\u00edvel nacional e diocesano e tem que ser a grande aposta a n\u00edvel paroquial. <\/p>\n<p>Como v\u00eam o futuro desta iniciativa? <\/p>\n<p>\u00c9 com um misto de apreens\u00e3o e esperan\u00e7a que olhamos para o futuro. As situa\u00e7\u00f5es que nos chegam s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es limite, de emerg\u00eancia social e sabemos que o apoio concedido fica muitas vezes aqu\u00e9m do necess\u00e1rio. Por outro lado preocupa-nos o agravamento da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica das fam\u00edlias e as consequ\u00eancias sociais que da\u00ed adv\u00eam. \u00c9 fundamental a criatividade e ousadia de apresentar caminhos poss\u00edveis que ajudem os mais desfavorecidos, e que envolvam os crist\u00e3os num compromisso social pela justi\u00e7a e solidariedade. Lembramos a express\u00e3o utilizada pelo Cardeal Ravasi no dia 13 de maio em F\u00e1tima: \u201cN\u00e3o devemos ter medo de sujar as m\u00e3os, ajudando os miser\u00e1veis da terra: que servir\u00e1 ter as m\u00e3os limpas se as temos no bolso?\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Joana Condesso, o di\u00e1cono Diamantino Neves e Joana Capit\u00e3o constituem a equipa da diocese de Aveiro para o Fundo Social Solid\u00e1rio (FSS). Este fundo foi criado pela C\u00e1ritas Portuguesa para atender aos casos mais prementes da atual crise econ\u00f3mica. 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