{"id":20581,"date":"2012-07-04T15:58:00","date_gmt":"2012-07-04T15:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20581"},"modified":"2012-07-04T15:58:00","modified_gmt":"2012-07-04T15:58:00","slug":"franz-reinisch","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/franz-reinisch\/","title":{"rendered":"Franz Reinisch"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 113 <!--more--> A boa consci\u00eancia, dizem, \u00e9 o melhor travesseiro que um homem pode ter. Sempre, na hist\u00f3ria da humanidade, existiram homens sem consci\u00eancia. As suas vidas acarretaram, para muitos, dor e l\u00e1grimas. Alguns recuperaram a consci\u00eancia, depois de um longo ou curto processo de convers\u00e3o e autoconhecimento. Tamb\u00e9m a hist\u00f3ria est\u00e1 cheia de m\u00e1rtires da consci\u00eancia, pessoas que desafiaram os poderes civis e religiosos de seu tempo para viverem o que entendiam como certo. Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil saber-se o que \u00e9 certo ou errado, pois o subjetivismo e nosso comodismo, hedonismo, orgulho e m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o enganam-nos muitas vezes.<\/p>\n<p>Nem sempre os m\u00e1rtires de consci\u00eancia o foram por motivos religiosos. Houve e h\u00e1-os no campo da cultura, da pol\u00edtica, das comunidades religiosas, por vezes optando aparentemente por realidades contr\u00e1rias \u00e0 Igreja ou ao que ela ensina em mat\u00e9ria disciplinar. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil seguir a consci\u00eancia, pois ela clama sempre pela verdade de cada um e pela verdade em si mesma. E o nosso mundo, como tal, \u00e9 um mundo de ilus\u00f5es. Engana-nos sobre o valor do essencial, s\u00f3 pelo facto de ser mat\u00e9ria e n\u00f3s sermos seres destinados ao invis\u00edvel, que os nossos olhos n\u00e3o veem, mas a F\u00e9 nos aponta com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Franz Reinisch \u00e9 pouco conhecido em muitos meios. Foi um sacerdote austr\u00edaco que morreu em Berlim no dia 21 de agosto de 1942. Nascera em 1903. N\u00e3o tinha ainda 40 anos quando morreu. Alto, magro, elegante, vivera uma juventude de bo\u00e9mio at\u00e9 ao dia em que a ideia de ser padre se lhe atravessou no caminho. Depois de ter sido ordenado como padre diocesano, conheceu o florescente Movimento Apost\u00f3lico de Schoenstatt, vinculado por essa altura \u00e0 comunidade dos padres palotinos, \u00e0 qual pertencia o P.e Jos\u00e9 Kentenich. Fez-se novi\u00e7o dos palotinos. A vida corria bem at\u00e9 ao dia em que Hitler subiu ao poder e manifestou as suas terr\u00edveis inten\u00e7\u00f5es, j\u00e1 conhecidas por todos n\u00f3s. Todos eram obrigados a jurar \u00e0 bandeira nazista. O movimento nazista era o poder da \u00e9poca, pelo que a pr\u00f3pria Igreja, antes de cair na conta do movimento de crimes operado sob essa ideologia, considerava que ao poder institu\u00eddo se devia obedi\u00eancia como ao pr\u00f3prio Deus, como afirma S. Paulo numa das suas cartas. Os padres eram convocados para o servi\u00e7o militar apesar da persegui\u00e7\u00e3o da Igreja, o que levou o P.e Kentenich e centenas de sacerdotes aos campos de concentra\u00e7\u00e3o espalhados pela Europa, onde morriam, muitos de modo cruel e v\u00edtimas da sua luta pela verdade, contra o regime totalit\u00e1rio que se impunha \u00e0 for\u00e7a.<\/p>\n<p>Franz Reinisch foi um opositor ao nazismo. Em consci\u00eancia, n\u00e3o podia jurar \u00e0 bandeira de Hitler nem \u00e0s suas ideias, pois considerava-o um criminoso e n\u00e3o via ali nenhum poder divino. Todos o tentaram persuadir de que estava errado, amigos, parentes, superiores religiosos, padres\u2026 Mas ele manteve-se firme, oferecendo a sua vida no Altar de Deus. Convocado para o servi\u00e7o militar, recusou-se a servir Hitler embora respeitasse o ex\u00e9rcito alem\u00e3o\u2026 E foi prisioneiro durante meses, no meio de enormes ang\u00fastias, tendo por consola\u00e7\u00e3o apenas o seu amor \u00e0 Eucaristia, que celebrava por vezes, clandestinamente, ao Sant\u00edssimo, que adorava escondido na sua cela, e Maria, a Mater Admir\u00e1vel de Schoenstatt no seu santu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ler a sua vida interpela-nos diante de tantas covardias nossas no enfrentar do mundo em que a mentira, mesmo na TV, \u00e9 o meio normal de os homens se relacionarem. <\/p>\n<p>Afirmar a verdade ser fiel a princ\u00edpios de vida exige grande maturidade e uma vincula\u00e7\u00e3o muito forte aos mais altos ideais, que o homem do nosso tempo est\u00e1 a perder, sobretudo por se desvincular de Deus.<\/p>\n<p>Proliferam seitas e correntes pseudofilos\u00f3ficas que garantem curas e felicidade e projetam o ser humano no desejo do imediato e do que lhe causa prazer. Reinisch tamb\u00e9m se sentia tentado a fazer como os outros, pois, afinal, o que se lhe pedia n\u00e3o era considerado, naquela altura, moralmente mal. Mas a sua consci\u00eancia apontava a outros horizontes e a verdade venceu nele, fazendo com que fosse decapitado no mesmo m\u00eas em que morreu Edith Stein, noutro lado da Europa, entre tantos homens e mulheres gigantescos, cat\u00f3licos, protestantes, judeus\u2026 por serem fi\u00e9is a si pr\u00f3prios, ou na aceita\u00e7\u00e3o do inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Recomendo que busque saber mais sobre Reinisch, at\u00e9 porque em breve ser\u00e1 not\u00edcia, visto que seu processo de beatifica\u00e7\u00e3o corre veloz no Vaticano. A sua mensagem toca-nos no mais profundo de n\u00f3s mesmos, na consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 113<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-20581","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20581\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}