{"id":20599,"date":"2012-09-06T10:34:00","date_gmt":"2012-09-06T10:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20599"},"modified":"2012-09-06T10:34:00","modified_gmt":"2012-09-06T10:34:00","slug":"o-ser-humano-a-luz-da-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-ser-humano-a-luz-da-biblia\/","title":{"rendered":"O ser humano \u00e0 luz da B\u00edblia"},"content":{"rendered":"<p>Livros <!--more--> O que \u00e9 o homem?<\/p>\n<p>Gianfranco Ravasi<\/p>\n<p>Paulinas<\/p>\n<p>144 p\u00e1ginas<\/p>\n<p>Gianfranco Ravasi (1942) \u00e9 um conhecido biblista italiano, especializado na l\u00edngua hebraica. Ordenado arcebispo em 2007 e desde 2010 cardeal, \u00e9 presidente do Conselho Pontif\u00edcio da Cultura. <\/p>\n<p>\u00c9 sempre bom e agrad\u00e1vel termos algu\u00e9m que nos apresenta o qu\u00e3o \u201chumanos\u201d s\u00e3o os textos b\u00edblicos: no sentido em que a Revela\u00e7\u00e3o do Rosto e do Projeto de Deus na hist\u00f3ria b\u00edblica se d\u00e1 atrav\u00e9s das hist\u00f3rias, experi\u00eancias, dramas e realidades do ser humano. Deste modo, a B\u00edblia \u00e9 tamb\u00e9m um espelho do ser humano.<\/p>\n<p>\u00c9 o que Gianfranco Ravasi nos apresenta com este livro, \u00abO que \u00e9 o Homem? Sentimentos e La\u00e7os Humanos na B\u00edblia\u00bb. A obra divide-se em duas partes, como explica o autor: \u00abPropomos um duplo itiner\u00e1rio: antes de mais, um olhar sint\u00e9tico e refletido sobre \u2018o microcosmos do sentir\u2019, o variado e rec\u00f4ndito afresco dos afetos e das emo\u00e7\u00f5es, do cora\u00e7\u00e3o e dos seus movimentos mais \u00edntimos e profundos; a seguir, uma panor\u00e2mica mais alargada sobre \u2018o universo dos v\u00ednculos\u2019, que re\u00fane e exprime o retorno cultural e social daquele sentir. Depois de uma clarifica\u00e7\u00e3o sobre o conceito b\u00edblico de \u2018cora\u00e7\u00e3o\u2019, na primeira sec\u00e7\u00e3o, apresentaremos uma reflex\u00e3o sobre algumas experi\u00eancias contrastantes do sentir \u2013 a mansid\u00e3o, o medo, a alegria da festa e o mist\u00e9rio obscuro do sofrimento \u2013 que tamb\u00e9m se tornam atitudes e disposi\u00e7\u00f5es de vida. Dedicaremos a segunda parte ao aprofundamento de alguns dos rostos do amor \u2018p\u00fablico\u2019, isto \u00e9, do amor que transborda do privado e do pessoal, e se traduz em atitudes de entrega ao outro (desde a amizade ao amor nupcial), at\u00e9 produzir frutos que permanecem e alimentam rela\u00e7\u00f5es, v\u00ednculos, estruturas afetivas e espa\u00e7os de socialidade. Neste \u00faltimo sentido, reservar-se-\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 fam\u00edlia e, no seio dela, \u00e0 figura do idoso, t\u00e3o frequentemente esquecida\u00bb (p.13).<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de um manual de antropologia, um manual no sentido de respostas feitas e regras pr\u00e1ticas. Neste ponto, o autor partilha o que de mais rico pode partilhar: faz um percurso, quase um \u2018passeio\u2019 demorado, como bom conhecedor, dos textos b\u00edblicos, mostrando como as rela\u00e7\u00f5es, as experi\u00eancias, o ser-se humano se revela nestes textos. Desde o sentido do termo \u2018cora\u00e7\u00e3o\u2019 na B\u00edblia \u2013 \u00abter uma religi\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa entrar numa espiritualidade sentimental e efervescente, mas, sobretudo, pensar, decidir e operar, segundo a verdade e a justi\u00e7a\u00bb (p.22), \u2013 passando pela mansid\u00e3o, o medo e a alegria da festa, at\u00e9 chegar ao sofrimento. Aqui, observa o autor:<\/p>\n<p>\u00ab\u00c9 curioso observar que, no Evangelho de Marcos, 31 por cento do texto (209 vers\u00edculos em 666) corresponde a relatos de milagres e, se nos ativermos ao minist\u00e9rio p\u00fablico de Jesus (os primeiros dez cap\u00edtulos do Evangelho), a percentagem sobe para 47 por cento (209 vers\u00edculos em 425). As m\u00e3os de Cristo pousaram-se sistematicamente em carnes doentes e em sofrimento\u00bb (p.71). Num contexto cultural da Gr\u00e9cia do s\u00e9c. I d. C., em que a perfeita forma f\u00edsica e corporal\/est\u00e9tica era sinal de perfei\u00e7\u00e3o e manifestavam as pr\u00f3prias divindades \u2013 onde j\u00e1 vimos isto? \u2013 Paulo proclama o esc\u00e2ndalo de um Messias Crucificado, revelando um Deus que, ainda que seja ousado falar de \u2018sofredor\u2019, pelo menos \u00e9 um Deus em cujo seio est\u00e1 a liberta\u00e7\u00e3o do sofrimento, a sua humaniza\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da solidariedade e da compaix\u00e3o \u2013 \u00e9 ai que est\u00e1 a perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m na B\u00edblia encontramos \u00abRostos de Amor\u00bb \u2013 desde o Amor Fam\u00edliar (em que a B\u00edblia tamb\u00e9m conhece as marcas de rupturas e de dramas, como a \u2018discuss\u00e3o conjugal\u2019 entre Adam e Eva at\u00e9 ao fratic\u00eddio de Abel por Ca\u00edm), \u00e0 Amizade, ao Casal Humano, para concluir num cap\u00edtulo com o curioso t\u00edtulo de \u00abOs Cabelos Brancos, Coroa de Gl\u00f3ria\u00bb, inspirando-se em Prov\u00e9rbios 16,31. Eis um excerto significativo:<\/p>\n<p>\u00abA pol\u00e9mica de Cristo contra a hipocrisia e a intoler\u00e2ncia deve chamar o anci\u00e3o a uma cont\u00ednua e corajosa autocr\u00edtica, que o transforme no generoso pai da par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo (Lc 15), infinitamente maior e mais aberto do que o jovem e ego\u00edsta filho mais velho. Ou o torne paciente e compreensivo como o anci\u00e3o David nos confrontos com Absal\u00e3o, o seu jovem filho, rebelde e turbulento (2 Sm 18-19). Ou o associe aos inteligentes e tolerantes conselheiros anci\u00e3os de Robo\u00e3o, filho de Salom\u00e3o, que se op\u00f5em aos fan\u00e1ticos cortes\u00e3os jovens (1 Rs 12,6-11). Al\u00e9m disso, o anci\u00e3o deve ser mestre de vida. A bagagem adquirida na experi\u00eancia do passado pode ser uma preciosa chave de leitura para o hoje. Para a B\u00edblia, o desaparecimento de todos os anci\u00e3os, relegados para uma esp\u00e9cie de cidade dos velhos, \u00e9 quase uma amea\u00e7a (1Sm 2,31-32)\u00bb (p. 130).<\/p>\n<p>Para quem deseje entrar mais um pouco na riqueza que os textos b\u00edblicos nos oferecem, tem neste livro um bom aux\u00edlio. Escrito numa linguagem muito simples, sempre atento \u00e0s diversas passagens, hist\u00f3rias e experi\u00eancias dos textos (um excerto, sobre a amizade, pode ser lido tamb\u00e9m em http:\/\/www.snpcultura.org\/amigos_do_peito_amigos_na_vida_e_na_morte.html).<\/p>\n<p>Pedro Jos\u00e9<\/p>\n<p>Fonte para este texto: http:\/\/livrariafundamentos.wordpress.com\/2012\/05\/01\/g-ravasi-o-que-e-o-homem-sentimentos-e-lacos-humanos-na-biblia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livros<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-20599","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livros-e-multimedia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20599","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20599"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20599\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20599"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20599"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20599"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}