{"id":20610,"date":"2012-09-06T11:02:00","date_gmt":"2012-09-06T11:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20610"},"modified":"2012-09-06T11:02:00","modified_gmt":"2012-09-06T11:02:00","slug":"leigos-uma-novidade-conciliar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/leigos-uma-novidade-conciliar\/","title":{"rendered":"Leigos, uma novidade conciliar?"},"content":{"rendered":"<p>O decreto abre a dizer que, \u201cpara tornar mais intensa a atividade apost\u00f3lica do povo de Deus, o Conc\u00edlio deve voltar a sua aten\u00e7\u00e3o para os crist\u00e3os leigos, absolutamente necess\u00e1rios \u00e0 a\u00e7\u00e3o da Igreja\u2026 O apostolado dos leigos \u00e9 consequ\u00eancia da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e, por isso, nunca poder\u00e1 faltar \u00e0 Igreja\u201d. Numa Igreja, durante s\u00e9culos clerical, estas palavras marcam um rumo novo. Pela necessidade se chegou ao reconhecimento da dignidade. J\u00e1 antes esta fora afirmada na Constitui\u00e7\u00e3o da Igreja, uma porta aberta para novas perspetivas eclesiais e apost\u00f3licas e para se olhar o mundo com outro apre\u00e7o e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>O decreto \u00e9 longo e integra aspetos muito importantes da vida e miss\u00e3o da Igreja. Jo\u00e3o Paulo II concretiza, em 1988, v\u00e1rios pontos do apostolado laical na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u201cFi\u00e9is leigos\u201d onde, numa linguagem din\u00e2mica, aponta caminhos e favorece viv\u00eancias. J\u00e1 \u00e0 data do Conc\u00edlio era claro que o mundo em mudan\u00e7a exigia um outro modo de agir da Igreja, e este n\u00e3o seria poss\u00edvel sem um laicado formado e organizado. S\u00e3o os leigos os que mais sentem estas mudan\u00e7as e suas consequentes possibilidades e perturba\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os leigos s\u00e3o, por voca\u00e7\u00e3o, \u201ccrist\u00e3os no mundo\u201d. N\u00e3o \u00e9 por favor ou por necessidade da hierarquia que a\u00ed exercem a sua miss\u00e3o. \u00c9 um direito e um dever de quem, mesmo agindo em comunh\u00e3o eclesial, n\u00e3o perde a autonomia pr\u00f3pria da sua condi\u00e7\u00e3o. O Conc\u00edlio recorda que os fins da Igreja: dilatar o Reino de Cristo em toda a terra, ser sinal de salva\u00e7\u00e3o para todos, ordenar o mundo e a sua a\u00e7\u00e3o \u00e0 luz de Cristo e do seu Evangelho s\u00e3o orienta\u00e7\u00e3o para todas as atividades apost\u00f3licas\u201d. E acrescenta que a mesma miss\u00e3o ser\u00e1 realizada a partir do que a todos \u00e9 comum como participantes do sacerd\u00f3cio, profetismo e realeza de Cristo, e com o tom bem marcado do que \u00e9 pr\u00f3prio de cada voca\u00e7\u00e3o. Vivendo no meio do mundo e das atividades profanas, \u00e9 pr\u00f3prio do leigo contribuir para a evangeliza\u00e7\u00e3o e santifica\u00e7\u00e3o de todos, animar e aperfei\u00e7oar as realidades humanas de acordo com o esp\u00edrito evang\u00e9lico, fazer da sua vida e da sua atividade um testemunho claro de Cristo e uma ocasi\u00e3o para a salva\u00e7\u00e3o dos homens. Para isto deve ser formado e respeitado.<\/p>\n<p>Toda esta atividade determina, tamb\u00e9m, uma espiritualidade pr\u00f3pria que se traduz no olhar de quem v\u00ea o mundo e os outros com os olhos do Pai. Da\u00ed n\u00e3o dispensar a luz da Palavra, a viv\u00eancia eucar\u00edstica, a ora\u00e7\u00e3o pessoal, o estudo da realidade humana e social, onde \u00e9 chamado a agir e a viver, no seguimento de Cristo, o esp\u00edrito das bem-aventuran\u00e7as. Casado, solteiro ou vi\u00favo, e de acordo com a sua vida social e profissional, doente ou saud\u00e1vel, o leigo enriquece a sua espiritualidade di\u00e1ria no contexto em que se processa a sua vida. \u00c9 da viv\u00eancia da f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade que sai a luz e inspira\u00e7\u00e3o para realizar a sua miss\u00e3o de crist\u00e3o no mundo, evangelizando, renovando pela for\u00e7a do Evangelho a vida temporal, dando como sinal distintivo do crist\u00e3o, onde quer que se encontre, o mandamento do amor. Tudo traduzido em obras que v\u00e3o desde o esfor\u00e7o de reconcilia\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o da defesa dos direitos humanos e do exerc\u00edcio dos deveres pr\u00f3prios, ao empenhamento a favor dos mais pobres e mal amados da sociedade, sempre em atitude gratuita, porque solid\u00e1ria e fraterna.<\/p>\n<p>Os campos de a\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica do leigo est\u00e3o ligados ao que \u00e9 espec\u00edfico da sua vida: fam\u00edlia e educa\u00e7\u00e3o, meio social, trabalho, conviv\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica. Tudo deve ser realizado em comunh\u00e3o com a hierarquia e em esp\u00edrito de servi\u00e7o fraterno. Agir\u00e1 de maneira individual ou associada, consciente do valor do apostolado associado no mundo de hoje, n\u00e3o fugindo para atividades do templo, mais a seu gosto, mas sentindo o apelo que lhe vem da sociedade, mormente dos meios mais descristianizados ou onde o exerc\u00edcio da verdade e da justi\u00e7a \u00e9 menos cuidado.<\/p>\n<p>O leigo \u00e9, por miss\u00e3o, um crist\u00e3o de fronteira. O decreto chama a aten\u00e7\u00e3o para a A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica e real\u00e7a a import\u00e2ncia desta forma associada, mesmo que tenha outros nomes a design\u00e1-la, dizendo-a como \u201cum precioso apostolado\u201d. Certamente que o maior empenhamento da Igreja deve ir para a forma\u00e7\u00e3o do laicado crist\u00e3o, no sentido conciliar. V\u00ea-se ainda a dificuldade sentida por muitos leigos no campo que lhes \u00e9 pr\u00f3prio, devido ao dom\u00ednio do poder clerical, que aprecia os que trabalham no templo e retira para a\u00ed alguns preparados e necess\u00e1rios nas tarefas profanas. Por outro lado. vemos a tenta\u00e7\u00e3o de fomentar nos leigos uma espiritualidade de cariz clerical ou monacal, fazendo com que alguns, mais formados e informados, reajam a tal orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois do Conc\u00edlio andou-se muito em rela\u00e7\u00e3o aos leigos, mas h\u00e1 ainda rotinas ou nostalgias que dificultam hoje o crescimento e a maturidade do laicado crist\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O decreto abre a dizer que, \u201cpara tornar mais intensa a atividade apost\u00f3lica do povo de Deus, o Conc\u00edlio deve voltar a sua aten\u00e7\u00e3o para os crist\u00e3os leigos, absolutamente necess\u00e1rios \u00e0 a\u00e7\u00e3o da Igreja\u2026 O apostolado dos leigos \u00e9 consequ\u00eancia da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e, por isso, nunca poder\u00e1 faltar \u00e0 Igreja\u201d. 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