{"id":20611,"date":"2012-09-12T14:40:00","date_gmt":"2012-09-12T14:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20611"},"modified":"2012-09-12T14:40:00","modified_gmt":"2012-09-12T14:40:00","slug":"austeridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/austeridade\/","title":{"rendered":"Austeridade"},"content":{"rendered":"<p>A imagem \u00e9 dram\u00e1tica, talvez tr\u00e1gica! Mas \u00e9 aquela que se me apresenta como a mais realista, para falar daquilo que sentimos muitos de n\u00f3s portugueses.<\/p>\n<p>Como os mineiros mexicanos, estamos no fundo de um po\u00e7o. Escasseia j\u00e1 o pr\u00f3prio ar para respirar, s\u00e3o racionados os alimentos\u2026 E n\u00e3o sabemos quando vai ser poss\u00edvel libertarmo-nos deste pesadelo! Pior que isso: N\u00e3o temos a certeza de que, em pleno ar livre e com a comida \u00e0 m\u00e3o, esteja algu\u00e9m interessado em libertar-nos. Ou se, ao contr\u00e1rio, n\u00e3o estaremos definitivamente ref\u00e9ns dos caprichos de quem joga com a nossa vida.<\/p>\n<p>Imaginemos que, nestas circunst\u00e2ncias dram\u00e1ticas, o contacto com o exterior permite irem saindo alguns e alimentar os que v\u00e3o ficando. Que dir\u00edamos n\u00f3s se os mais fortes, mais vigorosos, se impusessem na prioridade de sa\u00edda, deixando para tr\u00e1s os cada vez mais debilitados, se os alimentos chegados fossem consumidos pelos mais nutridos, lan\u00e7ando na agonia da fome aqueles que tinham menos esperan\u00e7a de vida?&#8230;<\/p>\n<p>A austeridade \u00e9 um modo de vida saud\u00e1vel e necess\u00e1rio para a boa conviv\u00eancia social. Creio mesmo que \u00e9 imperiosa a convers\u00e3o a esse estilo de vida, que aposta no fundamental, considerando, cada vez mais, o sup\u00e9rfluo como o grave pecado pessoal e social.<\/p>\n<p>Mas, admirando embora a coragem dos decisores que parecem querer levar-nos ao bom caminho, n\u00e3o nos podemos dispensar de clamar: N\u00e3o se enganem, senhores governantes, massacrando a multid\u00e3o daqueles que est\u00e3o no limite, para manter no fausto e na escandalosa abund\u00e2ncia as mordomias pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas, de interesses financeiros.<\/p>\n<p>A \u201crevolta dos escravos\u201d \u00e9 sempre poss\u00edvel! Temos a consci\u00eancia de que a equidade e a justi\u00e7a se podem alcan\u00e7ar por meios pac\u00edficos, sejam eles proactivos sejam eles reativos. S\u00f3 que a paci\u00eancia das multid\u00f5es tamb\u00e9m se esgota, a capacidade de resist\u00eancia tem o seu termo, nem tudo o que \u00e9 car\u00eancia \u00e9 fruto de desleixo ou pregui\u00e7a. H\u00e1 muito trabalho honesto que n\u00e3o consegue responder \u00e0s exig\u00eancias m\u00ednimas de uma vida digna, por causa desse massacre de medidas de austeridade que n\u00e3o t\u00eam gerado equidade. <\/p>\n<p>\u00c9 urgente alterar os caminhos dessa austeridade. Eduquem para a sobriedade aqueles que continuam alheios ao grito e afli\u00e7\u00e3o dos pobres, acumulando lucros incontrol\u00e1veis. Cortem onde h\u00e1 abund\u00e2ncia para cortar. N\u00e3o continuem a descarnar aqueles que j\u00e1 n\u00e3o conseguem manter-se de p\u00e9!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imagem \u00e9 dram\u00e1tica, talvez tr\u00e1gica! Mas \u00e9 aquela que se me apresenta como a mais realista, para falar daquilo que sentimos muitos de n\u00f3s portugueses. Como os mineiros mexicanos, estamos no fundo de um po\u00e7o. Escasseia j\u00e1 o pr\u00f3prio ar para respirar, s\u00e3o racionados os alimentos\u2026 E n\u00e3o sabemos quando vai ser poss\u00edvel libertarmo-nos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-20611","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20611","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20611"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20611\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}